30.6.14

MAIS EVIDÊNCIAS DE PÚBLIO LÊNTULUS



Caíque fez a gentileza de escrever para o Espiritismo Comentado e tecer comentários sobre a matéria que havíamos publicado em janeiro de 2014 (http://espiritismocomentado.blogspot.com.br/2014/01/publio-cornelio-lentulus-voce-existiu.html) À época ele havia dito que tinha mais evidências da existência de Públio Lêntulus, personagem de Emmanuel no livro Há dois mil anos, do que ele havia publicado. Teve que reduzir em função do espaço da publicação, se não me falha a memória.

Agora temos outro artigo com mais informações e evidências, publicado pelo Portal Saber no link que se segue: http://www.portalsaber.org/2014/06/amigos-do-portal-saber-com-muita.html

Como espírita, acho muito importante que se divulgue que mesmo contra as evidências conhecidas, o livro citado traz informações com bases históricas recentemente desenvolvidas. Ponto a menos para quem anda divulgando que o Chico era um pastichador, e não um médium.

27.6.14

A ESQUINA DE PEDRA DO CRISTIANISMO



Wallace Leal V. Rodrigues escreveu o livro A Esquina de Pedra para tratar, de forma romanceada das mudanças ocorridas no movimento cristão ante a aproximação do império romano. 

Alexandre Caroli Rocha me sugeriu a entrevista com o professor Jeferson Ramalho, feita pela RTV da Unicamp, especialista que comenta de forma clara e sintética o livro de Paul Veyne, "Quando o nosso mundo se tornou cristão".

Senti-me feliz em perceber que minhas esparsas leituras do cristianismo primitivo estão em sintonia com pensadores tão distintos. O vídeo tem apenas 15 minutos. Se você se interessa pelo assunto, vale a pena dar uma olhada.

http://www.rtv.unicamp.br/?video_listing=quando-o-ocidente-se-tornou-cristao#


23.6.14

FOTOS DE CAMILLE FLAMMARION


Foto: Observatório de Juvisy

Flammarion foi um astrônomo francês muito laureado por seus trabalhos de divulgação da astronomia junto à sociedade e pela fundação do Observatório de Juvisy, para onde foi após desligar-se do observatório de Paris.

Ele, contudo, ficou conhecido por suas ligações com Allan Kardec e com a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, onde trabalhou como médium psicógrafo durante algum tempo. Tomado de incertezas quanto a sua mediunidade, afastou-se temporariamente do movimento espírita, mas nunca deixou de pesquisar e publicar sobre os fenômenos da vida após a morte. Dois livros interessantes, com o resultado de pesquisas que ele fez sobre relatos de mediunidade são: A morte e seu mistério e O desconhecido e os problemas psíquicos.

Além dos livros de pesquisa, Flammarion escreveu ficções com temas entre a astronomia e o espiritualismo, para divulgar o pensamento espírita. Como os espíritas costumam ser hiperrealistas, nas palavras do Dr. Alexandre Caroli, eles costumam não entender a finalidade e o papel de livros como Stella, O fim do mundo, Urânia, entre outros.

Chrystiann Lavarini me enviou recentemente um site francês com diversas fotos de Flammarion, pouco conhecidas pelo movimento espírita brasileiro. Confiram!

18.6.14

HEROÍNA SILENCIOSA




Em viagem de lua de mel, uma amiga querida foi conhecer Dona Yvonne. Era o início dos anos 80, e a grande médium fluminense viveria apenas mais um par de anos em seu corpo físico. Ela acolheu os recém-casados com cordialidade e conversaram muito sobre as atividades nos centros espíritas. Yvonne queixava-se de uma certa transformação dos grupos em clubes recreativos.

Eu já conhecia a obra da médium. O estilo vívido de Tolstoi através das mãos vívidas de Yvonne sempre me impressionaram muito. Os detalhes da vida na Rússia dos Czares, da igreja ortodoxa, do campesinato e da nobreza, fluem com vida incomum no texto de Ressurreição e Vida ou em alguns contos de Sublimação.

Esta semana recebi o livro do amigo Pedro Camilo, já publicado desde 2004 e em sua 5ª. edição, chegando aos 11 mil exemplares. Comecei a leitura dentro do CTI, em recuperação de uma pequena cirurgia que havia feito. As palavras se transformavam em imagens muito vivas, e entrei em uma oscilação psíquica que vai da recordação à imaginação ativa. Eu já havia lido quase todos os livros citados por Pedro, alguns diversas vezes, mas o seu texto admirado fez-me recordar. As passagens da vida de Yvonne foram misturadas e reorganizadas em uma linha singular, belíssima, porque a literatura mediúnica desta médium traz uma narrativa de muitas vidas.

Charles, Roberto de Canalejas, Victor Hugo, Denis, Bezerra, e muitos outros homens e mulheres espíritos povoaram meus olhos novamente. Os suicídios e suicidas, tratados como seres humanos e parceiros na via dolorosa da recuperação da alma que atentou contra sua própria vida, vidas a fio, como Camilo Castelo Branco, invadiram a baia de tratamento intensivo, com suas memórias. Yvonne consegue traduzir não apenas a dor, mas as cores, os cheiros, as visões, como se fôssemos todos expectadores, vendo e entendendo à luz do consolador.

Um técnico puxou conversa, no plantão interminável do tratamento intensivo e confessou-me: você não imagina quantas pessoas vêm parar aqui por atentar contra a própria vida, sem sucesso. Jamais havia pensado nisso. O sofrimento dos suicidas e dos familiares dos suicidas que falharam (felizmente) está impregnado naquelas paredes muito limpas e brancas. A dor deles é compartilhada pelos encarnados que cuidam dos corpos mutilados, ainda vivos, não se sabe por quanto tempo.

Os amigos dela também são meus amigos. Eu os conheci pessoalmente ou através do rastro de luz que deixaram no movimento espírita. Chico Xavier, Divaldo Franco, Carlos Imbassahy, Hermínio Miranda, Rizzini, Affonso Soares...

Pedro conta a história de um agricultor do interior do nordeste, perdido na capital por ter dado um passo em falso e vendido todas as suas posses em busca da esperança de um emprego que desse uma existência digna aos filhos e a ele mesmo. Desiludido, abandonado nas ruas, possivelmente atordoado com a fome e o frio dos filhos, veio-lhe à mente à ideia nefasta quando uma senhora de cabelos brancos puxou conversa. Que palavras diríamos a um homem sem futuro, só sofrimento, com uma ideia fixa na mente? Ela soube exatamente o que dizer e reacendeu-lhe a esperança, mais uma vez. Coisa perigosa para quem já chegou à beira do precipício. Ele escreveu, ante sua orientação uma carta nominal a uma diretora do Centro Espírita Yvonne Pereira, em Rio das Flores – RJ, terra natal de Yvonne. Num misto de admiração e espanto, os trabalhadores daquela casa conseguiram que ele voltasse à sua terrinha, espantados que em 1989, uma pessoa morta em 1984 pudesse fazer-se vista, ouvida e identificada em lugar tão remoto, atraída pelo socorro a um candidato ao suicídio de outro plano.

Eu saí do CTI cheio de vida e de amor à vida. Eu já conhecia a história e as histórias, mas foram contadas de forma tão bela que deu vontade de compartilhar com os leitores do EC.

14.6.14

ASSISTA A CONFERÊNCIA DE ABERTURA DO 1o. ENCONTRO REGIONAL DA LIHPE - UBERABA-MG



Da direita para a esquerda: Alexandre Caroli, Cíntia Alves, Jáder Sampaio. Atrás: Ozíris Borges

O Prof. Adilson Assis fez gravações das palestras da manhã do 1o. Encontro Regional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, em Uberaba MG. Abaixo está incorporado a palestra de abertura, com duração de cerca de uma hora. As demais podem ser vistas em:


O caso Humberto de Campos: autoria literária e mediunidade: http://youtu.be/LhVpUg_8KMw
Autoria, edição e veredicção: uma análise semiótica das cartas de Chico Xavier: http://youtu.be/mabS-NxOivo



11.6.14

HISTORIADOR DEFENDE DISSERTAÇÃO SOBRE O MÉTODO DE KARDEC



O Correio Fraterno fez uma entrevista com Marcelo Gulão, historiador, que defendeu este ano uma dissertação de mestrado sobre o método de Kardec. Como o tema é visto pela comunidade acadêmica? Confiram o trabalho da Eliana Haddad:

7.6.14

DR MARCH EM DOIS PLANOS






Alexandre Rocha
Edições FEERJ
160 páginas
14 x 21 cm
ISBN: 85-98419-01-X



O professor Eugène Enriquez, em conferência na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG provocou a todos o que o assistiam, quando afirmou que o brasileiro não conhece a sua história. Passada uma década indignada, após ler a mais recente biografia sobre o Dr. March, escrita pelo editor da Lachâtre, começo a dar-lhe razão, ainda que a contragosto.

Fosse um filme, seria difícil de ser classificado. Aparentemente parece-se com um documentário, mas flui de forma tão natural e desperta tantos sentimentos no leitor, que talvez fosse um drama ou, quem sabe, um filme de aventuras. Discreto, Rocha aparece pouco na sua narrativa, comenta pouco. Quem pensa que o estilo biográfico é um texto chato, onde se enaltecem os feitos e se descreve a obra de uma pessoa importante, pode ir mudando os conceitos.

Alexandre obteve e utilizou um número razoável de documentos, livros, teses, entrevistas, produções mediúnicas e material obtido em periódicos científicos e jornalísticos. Não é uma tarefa fácil, reunir informações de um brasileiro do século XIX.

O livro é um passeio pelo Brasil Império, ambienta-se inicialmente na região de fazendas que se tornaria Terezópolis. George March, pai do biografado, é de uma personalidade ímpar. Português, descendente de ingleses, casado com Dona Inácia, afro-brasileira, decide construir uma confortável sede de fazenda em uma região até então erma. Tão notória é a sua fazenda, que a nobreza e a elite da capital do império viaja até lá para hospedar-se e usufruir da companhia do anfitrião e das delícias que pode proporcionar uma propriedade luxuosa em região serrana.

Há um sonoro silêncio em torno da pessoa de Dona Inácia, cuja influência não pode ter se reduzido à cor da pele do biografado. Como se deu a união? Como as elites fluminenses e as autoridades estrangeiras reagiram a este relacionamento? Inácia faleceu antes de George March? Nada disto parece ter chegado às mãos do autor, que diante da falta de informações, nada pode escrever.

Ao redor da fazenda, o tempo passa e com ele segue a história. A mansão, que tem vida breve no pequeno livro, vai da glória às ruínas. Do pedido de visita do próprio imperador (1830) à morte do proprietário (1845) o biógrafo encontra sutilezas da relação entre Brasil e Inglaterra e traz à luz os problemas de herança. Vendida a fazenda, nasce Terezópolis, toma cena a questão Christie, um litígio entre imperadores e o pequeno Guilherme de seis anos fica aos cuidados de tutores no Rio de Janeiro.

Aos quinze anos, o jovem Guilherme estuda medicina e aos vinte e um anos defende tese doutoral, como era exigido à época, graduando-se em medicina.

Alexandre compara o jovem Dr. March a Francisco de Assis. Tivesse ele nascido na Úmbria no século XIX, já teria sido objeto de filmes, livros e talvez da devoção popular italiana. Como Francisco, ele adota um estilo de vida devasso na juventude, que só teve fim após uma enfermidade progressiva, possível seqüela da sífilis, doença que vai fazendo perder a mobilidade corporal aos poucos.

A dor e o fim da herança paterna fizeram-no mudar o estilo de vida, o que Rocha encontra em correspondência a Dias da Cruz.

De formação tradicional, o Dr. March abandonaria a medicina chamada alopática pelos homeopatas para direcionar sua clínica por esta última. Como se deu esta mudança? Silêncio. Nosso biógrafo, contudo, conseguiu levantar toda a publicação clínica nos Anais de Medicina Homeopática do Instituto Hahnemanniano do Brasil, sua atuação nesta instituição, suas descobertas e lutas. Confesso que fiquei assombrado com a comunicação do Dr. March, já sexagenário, na qual ele apresenta melhoras oftalmológicas significativas de presbiopia e vista cansada com o uso de uma certa substância dinamizada, antecedida por uma irritação do globo ocular semelhante a uma conjuntivite, bem aos moldes da teoria homeopática.

As emoções se multiplicariam nos capítulos seguintes. Residindo em Niterói, o médico e cientista, com anuência de toda a sua família, inicia seu apostolado na medicina. Médico de todos, do povo e das elites desiludidas com a medicina tradicional, o Dr. March não apenas atende sem perceber remuneração, como monta uma farmácia homeopática em casa, para distribuir medicamentos ao povo e alberga aos que vêm de longe, incapazes de voltar a casa. Diagnosticando a fome, ele tira dos seus para tratar aos desconhecidos que o procuram. Quando questionado pelos filhos, ele lhes ensina o Evangelho.

Eleito vereador, continua pobre. Eleito juiz, continua justo. Continua médico. Continua filantropo. Deixa de ser vereador e juiz. Não abandona a caridade. Continua espírita. E os casos vão ganhando vida com a pena do autor, sucintos, rápidos, mas cheios de emoção. A comunidade se incomoda com o estado da residência do Dr. March e faz um movimento para adquirir-lhe uma nova casa. Falecem-lhe os filhos e a companheira, mas não lhe faltam forças para acolher, tratar e curar. E os casos impressionam.

Neste ínterim, o Brasil se torna república. A armada se revolta e uma de suas naves de guerra dispara tiros contra o Rio de Janeiro e Niterói. Os March se refugiam, mas a caridade continua, uma caridade tão comovente quanto a saúde popular no Brasil que finda o século XIX e inicia o século XX.

Quando finalmente a doença o impede de locomover-se e fica no leito, não se sabe em que estado de consciência, diferentes médiuns fluminenses começam a emitir receituário homeopático assinando G. March. Evidências de comunicação mediúnica entre vivos?

O médico deu seu último suspiro em 1922. A prefeitura de Niterói assume as custas do enterro e fica em luto por 48 horas. Uma multidão acompanhou o féretro até o cemitério do Maruí. O governador do Estado do Rio de Janeiro se faz representar. Catulo da Paixão Cearense lhe escreve uma poesia. Gilberto Freire faria constar seu nome em um de seus livros.

A segunda parte é uma coletânea de mensagens dadas pelo Dr. March a três médiuns: Telma Pereira, Raul Teixeira e Solange Pessa. Nesta parte o biógrafo se cala totalmente, apenas transcreve.


Alexandre Rocha escreveu um texto limpo, que emociona, quem sabe consiga trazer de volta Dr. March das brumas do esquecimento?

4.6.14

É POSSÍVEL CONCILIAR SAÚDE E ESPIRITUALIDADE EM PESQUISA ACADÊMICA?



O NUPES (Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde) da Universidade Federal de Juiz de Fora, vem realizando pesquisas sobre sua linha central. Na tentativa de comunicar seus trabalhos com a sociedade como um todo, eles iniciaram um projeto chamado TV NUPES, que são apresentações curtas com as questões que eles têm desenvolvido, entrevistas com convidados (alguns internacionais) entre outras iniciativas. Embora não estejam tratando diretamente do espiritismo em muitos dos seus trabalhos, seus temas são do interesse da comunidade espírita, então vamos divulgá-los no Espiritismo Comentado.

Este vídeo de quatro minutos é o primeiro de uma série que mostra alguns mitos ligados à conciliação entre ciência, espiritualidade e religião. 






Outros vídeos da TV Nupes podem ser vistos em  http://www.youtube.com/user/nupesufjf

3.6.14

400



Termópilas, hoje.


Lembram-se da batalha das Termópilas? 300 espartanos liderados por Leônidas agruparam cerca de 7000 gregos e detiveram um exército de 300 mil persas durante um bom tempo.

Bem, chegamos a 400. Na verdade 400 mil acessos, desde 2008, embora estejamos no ar desde março de 2007. Vale a pena comemorar, não é mesmo? Um blog espírita atraindo 400 mil leituras? Quero agradecer a quem tem acompanhado e ouvir sugestões para o futuro. 

1.6.14

RECORDAÇÕES DE MODESTA



Foto: Sanatório Espírita de Uberaba


Livro: Recordações de Modesta
Autor: Iracy Cecílio
Editor: INEDE
223 páginas
16 X 22,5
ISBN: 9788589038218
1a. Edição
2007

A memória espírita não se esvanece porque algumas editoras e pessoas insistem em preservar o pouco que resta do passado com seus esforços pessoais. Mesmo sem formação em história ou sem qualquer curso formal sobre preservação da memória, surgem voluntários a abrir mão de suas horas de descanso em iniciativas que possibilitam às novas gerações não perder as “picadas” que foram abertas na mata pelos pioneiros.
Maria Modesto nasceu em 1899, no mesmo ano em que Freud escreveu a “Interpretação dos Sonhos”. Filha de espíritas, padeceu aos 18 anos de uma enfermidade que foi diagnosticada como grangrena por um facultativo da capital mineira, associada a perturbação mental que os espíritas identificaram como obsessão. A família evitou a cirurgia e, mesmo sob advertência médica, levou-a a Sacramento, onde foi tratada por Eurípedes Barsanulfo, à base de desobsessão, passes e água fluidificada no período de 18 dias. Seguiu-se a educação mediúnica e, em breve, estaria psicografando. Ela seria intermediária das prescrições médicas dos espíritos, prescrições corretas, para o desespero do Pai da Psicanálise.
Estivesse viva, seria levada pelo Prof. Cléber de Aquino, da USP, para ensinar aos alunos de Administração sobre empreendedorismo. Ainda em 1917 ela foi aceita como sócia no Centro Espírita Uberabense, em 1919 fundou o “Ponto Bezerra de Menezes”, onde realizava reuniões mediúnicas e reuniões públicas três vezes por semana, passados nove anos, lançou a pedra fundamental do Sanatório Espírita, sob a inspiração do presidente desencarnado da FEB. O Sanatório foi construído em cinco anos, e, em breve, seria dirigido pelo Dr. Inácio Ferreira. Diariamente Maria Modesto passaria a colaborar com o funcionamento do sanatório, seja através dos eventos sociais, seja através do exercício da mediunidade, no auxílio à desobsessão, e nas comunicações de espíritos superiores, como é o caso do próprio Dr. Bezerra de Menezes.
A vida como médium foi marcada por eventos comprobatórios, como a previsão da volta e fim trágico de Vargas ao poder, feita em 1945, pelo espírito de Frei Ângelo.
Em 1940, a médium-empreendedora funda a União da Mocidade Espírita de Uberaba, instituição que apoiaria durante o curso da vida. Em 1949 ela fundaria o Lar Espírita, entidade de amparo à criança.
Há ligações de Maria Modesto com a maçonaria, visto que ela ajudou a construir a Loja Maçônica Estrela Uberabense.
Maria Modesto desencarnou em 1964 na triste aurora dos anos de chumbo.
O livro, na verdade, é uma compilação de documentos. Os primeiros capítulos são memórias biográficas escritas por diferentes autores, entre eles o filho Erasmo. A segunda parte (embora o livro não esteja dividido assim) contém a transcrição de mensagens, inicialmente tendo Maria Modesto como médium e depois como personagem, através de outros médiuns e muitas vezes com narrativa de outros espíritos.
A parte final do livro narra casos pitorescos (como não poderia faltar a um livro mineiro de memórias), relatos e ensaios, geralmente escritos póstumos que oradores e escritores espíritas de destaque fizeram, focalizando partes ou sínteses de sua biografia.
O livro foi bastante enriquecido com fotografias de época, nas quais se vê Dona Modesta em diversos momentos da vida, as instituições que ela ajudou a construir e os seus familiares.
Esta é uma primeira iniciativa, ainda superficial. Cabe às novas gerações dar continuidade ao trabalho de Iracy, resgatando a contribuição da mediunidade de Dona Modesta ao pensamento espírita, e aprofundando em sua personalidade e nas suas relações com os atores sociais de sua época, antes que a poeira do tempo cubra de vez as suas heranças.