26.11.14

JORNAL O GLOBO PUBLICA MATÉRIA SOBRE ESTUDO DE CARTAS DE JAIR PRESENTE, PSICOGRAFADAS POR FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER


O jornal O Globo publicou matéria em seu blog e entrevista com o Dr. Alexander da Universidade Federal de Juiz de Fora sobre um estudo conduzido pelos Drs. Alexandre Caroli Rocha e Denise Paraná. Ele pode ser acessado em http://oglobo.globo.com/sociedade/pesquisa-cientifica-avalia-veracidade-das-cartas-de-chico-xavier-1-14662863

Um artigo escrito a partir da pesquisa foi publicado pela revista Explore (Nova York) do grupo Elsevier (eles têm escritórios em 24 países e trabalham com a divulgação de publicações voltadas à ciência, saúde e tecnologia) e pode ser lido em inglês no seguinte link:


Segue uma tradução dos resultados apresentados no abstract do artigo.

"Identificamos 99 itens de informação verificável nestas treze cartas, 98% destes itens foram classificados como "de ajustamento claro e preciso" e nenhum item foi classificado como "sem ajustamento". Concluímos que explicações geralmente utilizadas para a acurácia da informação (ou seja, fraude, acaso, vazamento de informações, e leitura à frio) são apenas remotamente plausíveis. Estes resultados parecem dar suporte empírico para teorias não reducionistas da consciência."

25.11.14

COMO WALLACE TORNOU-SE UM ESTUDIOSO DOS FENÔMENOS ESPIRITUAIS?


Figura 1: Wallace e o espírito de sua mãe (1874): Fotografia obtida pela médium Sra. Guppy após aviso através de raps.

Alfred Russel Wallace foi um pesquisador de fenômenos espirituais na Inglaterra, que iniciou seus estudos com médiuns na década de 1860. Ele é bem conhecido como naturalista e publicou cerca de 750 trabalhos ao longo de sua vida, incluindo os que tratam de suas leituras e pesquisas com médiuns.

Passo a transcrever como um homem de ciência na Inglaterra vitoriana ousou interessar-se pelo estudo da vida após a morte:

"Quando voltei do exterior em 1862, li sobre o espiritualismo e, como a maioria das pessoas, achei que fosse tudo uma fraude, ilusão, estupidez. Encontrei pessoas aparentemente inteligentes e sadias que me asseguravam que haviam experimentado coisas maravilhosas (...) fiquei convencido que os fenômenos associados a ela (Sra. Marshall) eram perfeitamente genuínos. Mas levei três anos de investigações subsequentes para certificar-me de que eles eram produzidos por espíritos."

Continuo a tradução de seus textos espiritualistas para o português e acho que em breve teremos mais um rico trabalho em nosso idioma, no qual ele discute com os pesquisadores de sua época.

13.11.14

DA MANJEDOURA A EMAÚS



Na introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec orientou seu leitor a conhecer o “estado dos costumes e da sociedade judia daquela época”. Ele destaca este trabalho para que se possa conhecer o sentido das palavras empregadas, das histórias contadas por Jesus, dos diálogos e das narrativas quem compõem o Novo Testamento. Seu trabalho na introdução foi modesto, resumindo-se à definição de alguns dos grupos sociais que compunham a sociedade judaica e das sinagogas.

No corpo do texto de O evangelho segundo o espiritismo encontram-se respingos, aqui e e ali, de outras informações que são úteis para uma explicação dos evangelhos, mais racional que espiritual.

Wesley Caldeira, após um longo período de elaboração, está publicando o livro “Da manjedoura a Emaús”, pela editora da Federação Espírita Brasileira. Ele colocou os manuscritos do livro nas mãos de muitos leitores, estudiosos dos evangelhos e do espiritismo, para ouvir suas análises, como o sugeriu o espírito Sorella a Léon Denis.

A leitura é deliciosa. As paisagens, costumes e pessoas que compõem o universo da Galileia e da Judeia à época de Jesus vão sendo descritos em um texto cativante, que rapidamente prende a atenção do leitor, apesar de não ser um romance. As impressões do senso comum que temos dos personagens evangélicos vão sendo desconstruídos suavemente. Descobre-se, por exemplo, que ao contrário da divisão de trabalho manual e trabalho intelectual que herdamos dos gregos e romanos, preocupados com a política e as armas, a carpintaria era uma profissão de prestígio na sociedade judaica. Uma nova visão da terra que acolheu Jesus se abre aos nossos olhos.

Wesley lança mão de autores de prestígio e influência à época de Allan Kardec, como Ernest Renan, clássicos como Suetônio e Flávio Josefo, contemporâneos, como Ariès, espíritas, como o próprio Kardec e os espíritos que ditaram obras a Chico Xavier e Divaldo Franco, Hermínio Miranda. Seu trabalho concilia um estudo cuidadoso da vida de Jesus sob a ótica espírita, sem perder-se em revelações místicas, nem em reinvenções radicais do Cristo, como têm feito alguns intelectuais, mais interessados no impacto das suas ideias que na reconstrução histórica do Rabi de Nazaré.


O natal se aproxima, e com ele, os símbolos do comércio, como o papai noel vermelho e gordo. A criançada se entusiasma com os presentes, os familiares se mobilizam para estar juntos e comemorar. Que tal trazermos também um pouco do aniversariante para nossos lares?

9.11.14

LIVROS DE LÉON DENIS PUBLICADOS PELA FEB


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Léon Denis é um dos continuadores da obra de Allan Kardec  na França, cujos esforços lhe valeram a alcunha de "Apóstolo do Espiritismo". De fato, seu esforço para a divulgação do espiritismo no mundo ocidental assemelha-se ao de Paulo de Tarso com o cristianismo.

A Federação Espírita Brasileira tem publicado alguns de seus livros mais importantes. Alguns deles, como Depois da Morte é fruto de uma orientação aprovada no I Congresso Espiritualista (Paris) para "fazer uma publicação popular que resumisse a filosofia espírita."

Suas relações com o movimento espírita brasileiro e seu princípio de não receber dinheiro pelo trabalho de escritor devem ser considerados, além da qualidade do seu trabalho, no entendimento de sua grande influência no desenvolvimento do espiritismo em nosso país.



Figura 1: um mosaico com as capas de livros de Denis publicados no Brasil por diversas editoras

3.11.14

EM TAREFA




No último final de semana estive no GEAK, um núcleo pequeno incrustado em um bairro operário de Contagem. Foi uma grata emoção rever companheiros que conhecemos na COMEBH há três dezenas de anos na frente da gestão desta casa espírita.

Estou acostumado a fazer palestras em casas de porte médio e grande, às vezes em público com centenas de pessoas, mas não há nada mais grato à alma do que falar para um público menor, que acolhe e se interessa por cada palavra, cada história. Pude perceber que os presentes, independente de poder aquisitivo ou escolaridade, têm o espiritismo como uma joia rara, algo realmente importante para a vida. A relação familiar entre os presentes, o cuidado com as tarefas, a satisfação com cada realização da pequena casa são elementos tão importantes a um centro espírita que não podem ser substituídos pela ânsia de ampliação, pelos números.

Denis, Yvonne, Chico e outros personagens tão caros à história do espiritismo ressoavam nas almas ouvintes. Eu já estava ficando acostumado a ter que apresentá-los a um público iniciante que olha com estranheza e curiosidade, às vezes com indiferença. Este grupo, todavia, ouvia como quem recorda, e recorda com prazer. Os construtores do espiritismo que herdamos lhes eram familiares, e recebiam com alegria as poucas histórias que tive tempo de fazer lembrar.

No intervalo de trinta minutos entre as duas partes da palestra, não foi sem surpresa que recordamos juntos de outros trabalhadores comuns ligados a nós, do movimento mineiro. Manoel Alves, José Mário Sampaio (meu pai), Telma Núbia, Leão e Tiana, todos pareciam muito próximos em nossas memórias compartilhadas. A eles foi endereçado um sentimento de gratidão por terem sido professores, amigos, conselheiros, pessoas que dispuseram de tempo e afeto para com a geração que agora dirige e sustenta as casas espíritas. Eles não têm monumentos nem placas, mas sua memória continua viva nas almas com quem conviveram.

A palestra terminou e veio o passe. Recebi muito carinho e afeição da parte dos presentes, que partilhavam nosso entusiasmo com o texto de Léon Denis: potências da alma. Antes de sair não pude deixar de notar um jovem com dificuldade de locomoção, possivelmente por alguma doença degenerativa, que deixava a sala de passes rumo à saída. Certamente não estava lá em busca de cura, que os espíritas sérios não prometem, nem teria deixado nenhuma soma em dinheiro, porque o trabalho de passes é totalmente voluntário. Ele vestia uma camiseta branca, onde se lia impresso nas costas: “Fora da caridade não há salvação”.

1.11.14

CONHEÇA MAURICE LACHÂTRE




Já havíamos publicado no EC que estamos comemorando 200 anos do nascimento de Maurice Lachâtre, mais conhecido como o livreiro que encomendou e teve queimados livros e revistas espíritas na Barcelona do final do século XIX. 

Mais que livreiro, Lachâtre teve uma vida bem diversificada e produtiva, destacando-se como editor. Participou do episódio da Comuna de Paris e viveu intensamente sua época.

Na comemoração dos seus 200 anos, o Instituto Lachâtre publicou o livro "O espiritismo: uma nova filosofia." É composto de uma biografia escrita por um professor da Universidade de Rouen, François Gaudin, o prefácio assinado por Alexandre Rocha e dois trabalhos: um sobre o espiritismo e outro sobre Allan Kardec. 

No texto, Maurice não apenas sintetiza o pensamento de Kardec, mas introduz conceitos do anarquismo e do socialismo que devia considerar coerentes com o espiritismo. Como o assunto é polêmico e exige mais discussão, publiquei uma resenha crítica deste texto de Lachâtre no Jornal de Estudos Espíritas, que acaba de ser publicado digitalmente e está acessível a todos.


Quem quiser conhecer as demais publicações de 2014 do JEE clique no: https://sites.google.com/site/jeespiritas/volumes/volume-2---2014

Com a publicação deste documento temos mais um tijolo no edifício da preservação da história do movimento espírita. Recomendo a leitura a todos os interessados no tema.



O espiritismo: uma nova filosofia.
Autor: Maurice Lachâtre
Editora: Instituto Lachâtre
160 páginas
110 x 180 mm
Ilustrado
Preço: R$24,90