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30.7.13

COLEÇÃO ESPIRITISMO NA UNIVERSIDADE LANÇARÁ QUINTO LIVRO NO 9o. ENLIHPE



Ser voluntário, ser realizado é o quinto livro da Coleção Espiritismo na Universidade, organizada pelas Dras Nadia Luz e Cléria Bueno, com direitos autorais doados para o Centro de Cultura, Documentação e Pesquisa do Espiritismo - Eduardo Carvalho Monteiro; a Casa de Eduardo. Agradecemos à Universidade de Franca - UNIFRAN pela parceria neste projeto.

Trata-se da dissertação de mestrado de Yuri Elias Gaspar, doutorando do programa de pós-graduação em psicologia da UFMG. Ele estudou voluntários em uma casa espírita de Belo Horizonte, empregando a fenomenologia como abordagem teórico-metodológica.

Orientado pelo Dr. Miguel Mahfoud, conhecido autor da psicologia e da fenomenologia da experiência religiosa, editor da conceituada revista Memorandum.

O lançamento está programado para o 9o. ENLIHPE, em São Paulo, nos dias 24/25 de agosto. Posteriormente já está sendo agendado um lançamento na UFMG, em Belo Horizonte. Aguardem!

A foto da capa é do Prof. Rubens Romanelli, trabalhador espírita da União Espírita Mineira, e professor da saudosa Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da UFMG.

25.7.13

METADES ETERNAS E AFINIDADE ENTRE ESPÍRITOS



Platão foi um dos expositores do mito dos andróginos no livro “O Banquete”.

A história narrada por ele trata de seres criados com duas cabeças e oito membros, que se insurgiram contra os deuses do Olimpo e tentaram vencê-los em batalha. Zeus resolveu dividi-los ao meio, e desde então uma metade estaria em busca da outra, que lhe completaria.

Este mito dava sentido, na cultura grega, à ligação afetiva entre as pessoas, à homo e à heterossexualidade, ao prazer sexual e à ligação amorosa profunda. Como todo mito, fala do ser humano, de seus sentimentos, do fenômeno humano e lhes dá uma explicação simbólica, nada lógica, muito menos científica.

Diante de uma nova realidade, a vida após a morte e a reencarnação, Kardec não se furtou a perguntar aos espíritos se este mito não teria algum fundamento.  Em “O livro dos espíritos”, nas questões de 291 a 303, ele questiona se não haveria na criação dos espíritos algum fenômeno como o descrito no mito grego.


“298. As almas que devam unir-se estão, desde suas origens, predestinadas a essa união e cada um de nós tem, nalguma parte do Universo, sua metade, a que fatalmente um dia reunirá?

“Não; não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade.”

19.7.13

CAIRBAR SCHUTEL NA TELEVISÃO





A TV local da região de Matão fez um programa sobre Cairbar Schutel. Extenso e um pouco repetitivo (na questão da caridade, que é enfatizada diversas vezes), o vídeo, contudo, recupera a memória de um espírita que se tornou uma ponte entre o espiritismo europeu e o brasileiro, em uma época de limitações e dificuldades.

Por uma série de ações, Cairbar é visto como um empreendedor da caridade, capaz de realizar projetos audaciosos e de agrupar em torno de si trabalhadores idealistas e dedicados.

Sua obra continua sendo lida e discutida nos dias de hoje, sua editora continua dando sua contribuição ao movimento espírita e seus projetos ainda ressoam e granjeiam parceiros, décadas depois de sua desencarnação.

É difícil crer que a carta de Bozzano enviada por ele a Getúlio tenha acalmado a sanha do ditador em controlar os espíritas e todos os grupos que fossem vistos como uma ameaça a seu governo, como relata um dos seus historiadores, mas é interessante saber que de sua forma, ele não cruzou braços ante a perseguição feita ao movimento espírita.

Recomendo conhecermos este homem e seu trabalho.

16.7.13

PESQUISADORES NORTE-AMERICANOS ESTUDAM MÉDIUNS

Julie Beischel (PhD) e Gary Schawrtz (PhD) publicaram em 2007 na revista Explore, os resultados de uma pesquisa com médiuns de base experimental.

OBJETIVO DA PESQUISA

Eles buscavam produzir “novas evidências que consideram a possibilidade de que informações acuradas de uma pessoa amada falecida de um consulente possa ser obtida com confiabilidade na pesquisa de médiuns sob condições experimentais altamente controladas que efetivamente eliminam explicações convencionais (clássicas).” Em outras palavras, saber se médiuns produzem conhecimento verificável não atribuível à leitura à frio e à telepatia, principalmente.

MÉTODO

Para fazer o seu trabalho desenvolveram uma metodologia “triplo cego”. Na pesquisa deles eles evitaram o contato entre o consulente (sitter), o pesquisador e o médium, para evitar que os médiuns fizessem a leitura à frio (cold reading) (identificar sinais conscientes e inconscientes que as pessoas fazem quando recebem informações certas ou erradas) e que houvesse telepatia entre o assistente de pesquisa e o médium. O esquema abaixo sintetiza o procedimento adotado:




O procedimento é complexo. Basicamente se obteve voluntários no meio universitário que perderam pessoas queridas e anotou-se o nome da pessoa, que foi fornecido ao médium, por um assistente de pesquisa. O médium produz mensagens atribuídas à pessoa.

Outro assistente transcreve a mensagem e a formata, para que o consulente possa analisar seu conteúdo. Ela se torna uma espécie de lista de informações a serem classificadas segundo uma escala que varia de 0 a 6.

A nota 6 significa “mensagem excelente, incluindo aspectos expressivos da comunicação, com nenhuma informação essencial incorreta”.

A nota 0 significa “nenhuma informação ou comunicação correta.”

Cada uma das notas intermediárias tem um significado próprio (chamamos em psicometria de escala ancorada comportamentalmente).

Os pesquisadores agruparam os consulentes em pares. Chega às mãos deles duas mensagens. Eles devem escolher a que mais se aplica a cada um deles (isoladamente, pelo que pude perceber) e pontuar a mensagem que ele considera ser da pessoa falecida e a que ele considera não ser da pessoa falecida.

RESULTADOS

Seis dos oito médiuns produziram mensagens com pontuação superior à das mensagens-controle e dois deles não conseguiram fazer isso. Três deles produziram informações muito fiéis, dois deles produziram informações medianas e não houve resultado reverso (a avaliação da mensagem do espírito identificado ter pontuação inferior à do outro espírito avaliado).

A média de avaliação das mensagens direcionadas foi significativamente superior à da pontuação atribuída aos controles (3,56 em 6 contra 1,94 em seis). Para quem entende de estatística, eles forneceram os desvios-padrão, os níveis de significância, os tamanhos de efeito e a probabilidade de replicação, ou seja, não dá para explicar como erro amostral ou fragilidade da técnica estatística utilizada para comparação de médias.

DISCUSSÃO

Os autores entendem que sua metodologia elimina as hipóteses de telepatia e de leitura à frio (cold reading), por isolar completamente o médium e a mensagem do consulente (sitter).

Eles obtém não apenas evidência de obtenção de conhecimento real pelos médiuns, como estabelecem resultados que contribuem para o estudo da faculdade mediúnica e da falibilidade dos médiuns.


Penso que precisamos conhecer melhor os novos trabalhos sobre mediunidade que estão sendo produzidos no exterior.

FONTE:

BEISCHEL, Julie, SCHWARTZ, Gary. Anomaloues information reception by research mediums demonstrated using a novel triple-blind protocol. Explore. USA: v. 3, n. 1, p. 23-27.

doi:10.1016/j.explore.2006.10.004

Resumo de Jáder Sampaio. Leiam o artigo completo.

13.7.13

AS CARTAS PSICOGRAFADAS POR CHICO XAVIER


Cristiana Grumbach e a capa do DVD

Freud dizia que o inconsciente é atemporal. Ele certamente esbarrou na capacidade que todos temos de reviver o que nos é marcante emocionalmente. Há situações que ficam intactas na mente, não importam os anos.

Este foi um dos primeiros impactos que tive ao assistir o documentários "As Cartas de Chico Xavier", que já pode ser comprado (talvez há muito tempo...) nas lojas que comercializam DVDs. Não foi caro (bem mais barato que um almoço em família num restaurante), e comprei junto com "E a vida continua".

O projeto de Cristiana é muito audacioso. Em vez de fazer algo para o grande público, ela focaliza mães e pais que tiveram seu sofrimento minorado ao receber notícias dos filhos que se foram, através do lápis de Chico Xavier.

O que pude ver são pessoas simples, doídas, algumas delas parecem ter elegido o cuidado dos filhos como seu trabalho mais importante, sua razão de ser, e foram colhidas com a dor da perda. Ao sofrerem mais uma vez, diante das câmaras, elas revivem a perda, sem conseguir ocultar emoções, e  algumas confessam o atordoamento da perda de sentido de viver. Como Cristiana optou pelo silêncio ao fundo, em vez de música, as palavras das mulheres e homens, os cortes, as letras de letreiros que espelham o conteúdo das mensagens do Chico soam amplificadas. Ela fez uma peça de arte que ressoa no fundo da alma.

Chamou-me a atenção as explicações, os sentidos criados para a perda, alguns deles, ante meus ouvidos de psicólogos, soaram como schematas, frases feitas no meio social que são raptadas pelos sujeitos para explicar, mas que não brotam do seu interior. Do interior brota a dor, a falta, a tristeza, que insistem em não passar nos momentos da entrevista, mas que se tornaram plataforma para uma nova construção, que infelizmente Cristiana não explorou.

Os depoimentos e as cartas em si são um material riquíssimo para a compreensão da mediunidade, e da precariedade do médium ante os destinatários. Quantas vezes o Chico fala de pessoas que são desconhecidas aos seus interlocutores, que recebem com desconfiança as informações, para apenas depois encontrarem a verdade da fala. Fico pensando quantas pessoas não teriam buscado o Chico e jogado fora informações valiosas, que ele próprio não tem como detalhar ou fundamentar. A intuição mediúnica parece ser uma faculdade desamparadora para o médium, a exigir confiança e risco de falibilidade.

Fiquei um pouco cansado após algumas entrevistas, mas eu não conto. Creio que este é um material riquíssimo para ser apresentado publicamente nos centros espíritas, antes das reuniões públicas. Penso que deveria ser passado um depoimento por reunião. Eles despertarão o interesse por um conhecimento mais substancial do espiritismo, apesar do risco de algumas pessoas quererem buscar médiuns-carteiros do mundo dos espíritos.

Agradeço ao Ademir Xavier a dica silenciosa do filme. Ele não sabe, mas no trabalho de revisão da bibliografia do mais novo trabalho dele, que será publicado no 9o. ENLIHPE, encontrei esta pedra preciosa.



12.7.13

CONHEÇA OS EXPOSITORES DE TRABALHOS DO 9o. ENLIHPE



Expositores já confirmados para o 9o. ENLIHPE

Ademir Xavier Júnior
Físico, Mestre e Doutor em Física pela Universidade Estadual de Campinas. Pós-Doutor pelo Laboratório Nacional de Luz Síncronton e Universidade de Freiburg, Alemanha. Pesquisador Sênior do Centro de Pesquisas Avançadas Werner Von Braun.

Alexandre Fontes da Fonseca
Físico, Mestre e Doutor em Física pela Universidade Estadual de Campinas. Pós-Doutor pela Universidade de São Paulo e pela University of Texas em Dallas. Professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Alexandre Ramos de Azevedo
Pedagogo. Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi professor do Curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro. Técnico em Assuntos Educacionais na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Chrystiann Lavarini
Geógrafo. Mestrando em Geografia e Análise Ambiental pela Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisador dos Grupos Geomorfologia e Recursos Hídricos, Geoquímica Ambiental e do Centro de Estudos em Geomorfologia da UFMG.  

Daniella Francisca Soares Silva Leite
Administradora. Especialista em Finanças pela Fundação Dom Cabral. Mestre em Administração de Empresas pela Faculdade de Estudos Administrativos – FEAD. Consultora de Gestão Empresarial.

Érico Tourinho Bomfim
Bacharelando em piano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vencedor da categoria solo VI do concurso nacional de piano Cora Pavan Caparelli. Pesquisador sobre a médium Rosemary Brown.

Jáder dos Reis Sampaio
Psicólogo e Mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Doutor em Administração pela Universidade de São Paulo. Professor aposentado da UFMG.

Katia Regina Fernandes Penteado
Jornalista pela Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero. Especialista em Docência no Ensino Superior pelas Faculdades Metropolitanas Unidas. Sócia da empresa Vetor de Comunicação Especializada.

Marco Antonio Figueiredo Milani Filho
Economista. Mestre e Doutor em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo. Pós-Doutor pela Carleton University (Canadá) e pela Universidad de Salamanca (Espanha). Professor da UniversidadePresbiteriana Mackenzie.

Ozíris Borges Filho
Graduado em Letras pela Universidade de Franca. Mestre e Doutor em Letras pela Universidade Estadual Paulista. Professor adjunto da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e do programa de mestrado da Universidade Federal de Goiás.

Sady Carlos de Souza Júnior
Licenciado em Filosofia. Especialista em Ciências Sociais e Agrárias pela Universidade de Caxias do Sul. Mestre em Linguística pela Universidade de São Paulo. Analista Acadêmico da Universidade de São Paulo.

Silvio Seno Chibeni
Filósofo. Bacharel e Mestre em física, Doutor em lógica e filosofia da ciência pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Pós-Doutor pela Universidade de Paris 7. Professor livre docente do Departamento de Filosofia da UNICAMP.

Washington Luiz Nogueira Fernandes

Advogado. Procurador do Estado de São Paulo. Pesquisador de Filosofia e Sociologia Jurídica. Membro fundador do Museu Espírita de São Paulo. Biógrafo de Divaldo Pereira Franco.


9.7.13

DESENCARNA HERMÍNIO MIRANDA


Hermínio (05/01/1920 - 08/07/2013)

"O pássaro agora voa liberto. Nós, que não mais podemos vê-lo, já sentimos saudades do seu canto."

Jáder Sampaio

Na década de 80 a União Espírita Mineira, em associação com a Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte, trouxe três estudiosos do espiritismo para um seminário sobre mediunidade. Jorge Andréa dos Santos, Suely C. Schubert e Hermínio C. Miranda.

Hermínio estava incomodado com o púlpito. Não era expositor, dizia, apenas escritor. Assentado, com um maço de páginas nas mãos, começou a ler seu discurso. E que discurso! Superado o impacto inicial de ouvir uma leitura, as palavras dele criavam vida após sair do papel. Eram tantas informações e com tanta elegância, que eu me dividia entre as anotações furiosas que fazia e a atenção necessária para acompanhar cada nuance, cada expressão, cada frase. Se ele temia o público, arrisco minha opinião póstuma: ele fez bonito!

Hermínio era reservado, tinha uma personalidade anglo-saxônica. A esposa completava-lhe o que lhe faltava. Recordo-me dela expansiva, simpática, calorosa. Os dois formavam um belo casal, cada um admirado por suas qualidades díspares.

Hermínio já era nonagenário, com extensa contribuição ao espiritismo e ao movimento espírita. Durante anos manteve uma coluna no Reformador, chamada "Lendo e Comentando". Ela trouxe aos trópicos de forma sistemática o que se pesquisava sobre comunicação dos espíritos e reencarnação nas terras anglófonas. Creio que das páginas do Reformador saiu o material para a composição dos livros "Sobrevivência e Comunicabilidade dos Espíritos" e "Reencarnação e Imortalidade".

Um de seus trabalhos sistemáticos foi com o atendimento aos espíritos. Apesar da personalidade reservada, ele mostrava um senso de percepção incomum e uma capacidade de diálogo transformadora. Como gravasse seus atendimentos, pode nos oferecer uma quadrilogia de livros intitulada "Histórias que os espíritos contaram", hoje publicada pela editora Correio Fraterno. A teoria do seu trabalho diferenciado, no qual incluiu técnicas dos magnetizadores do século XIX, encontra-se em dois livros: Diálogo com as sombras (FEB) e Diversidade dos Carismas (Lachâtre).

As incursões pelo magnetismo não se restringiram ao mundo das sombras, e ele fez sessões de regressão de memória com algumas pessoas. Luciano dos Anjos foi um sujet pleno de recordações da França revolucionária, que ele registrou no livro "Eu sou Camille Desmoulins", publicado em 1989, no bicentenário da revolução francesa, com uma explicação do autor que assegurava não ter podido publicar antes, e não estar se aproveitando das comemorações. Para quem agora escreve, seria uma simetria histórica.

Simetria histórica é um dos conceitos que ele desenvolveu e que foi empregado em muitos dos seus livros. As Marcas do Cristo (FEB), é um exemplo deste tipo de trabalho, no qual Hermínio compara a personalidade e história de Paulo de Tarso com a de Martinho Lutero. Este conceito seria empregado pela Dra. Nadia Luz, em sua tese de doutoramento em história, publicada na coleção Espiritismo na Universidade.

As biografias foram também uma de suas paixões. Ele publicou diversas, recuperando para o movimento espírita personalidades que passariam despercebidas nos dias de hoje, apesar de sua relevância. Guerrilheiros da Intolerância (Lachâtre), Hahnnemann, apóstolo da medicina espiritual (CELD), O pequeno laboratório de Deus (Lachâtre) e Swedenborg, uma análise crítica, são alguns dos exemplos.

Um de seus interesses era com a psicologia, na sua interseção com os fenômenos espirituais. Um de seus livros neste campo tornou-se best seller: Nossos filhos são espíritos (Lachâtre). Autismo, uma leitura espiritual (Lachâtre) e Condomínio Espiritual (Lachâtre) são alguns dos trabalhos com este perfil.

Creio que um dos temas que mais o intrigava era a transformação do cristianismo. Ele contribuiu com Os cátaros e a heresia católica (Lachâtre), Cristianismo, a mensagem esquecida (Lachâtre), Candeias da noite escura (FEB) e O evangelho gnóstico de Tomé (Lachâtre).

Das traduções, sua obra prima, é A história triste, de Patience Worth, que desenterrou do esquecimento juntamente com Memória Cósmica, cuja tradução está perdida em seu hard-disk.

Os livros do egito, que povoa suas recordações de além cérebro, o Edwin Drood, o livro de Dickens completado pela mediunidade e igualmente desenterrado por Hermínio, O processo dos espíritas, que reconta a injusta perseguição da sociedade francesa a um dos continuadores de Kardec, Leymarie, e muitos e muitos livros que não vou ficar citando, trazem seu nome e são frutos das suas horas de trabalho sério.

Voa, meu amigo, voa. Vai conhecer novos mundos, recordar mais vivências, reviver os tempos do Cristo. Voa bem alto, para que um dia possa retornar falando das luzes e do futuro.


8.7.13

GRUPO MEU CANTAR ESTÁ COLOCANDO NO FORNO UM NOVO PROJETO



O Grupo Meu Cantar já produziu uma série de CDs deliciosos com música de temática espírita. Meu favorito, devido às apresentações do Coral Pedro Helvécio há décadas, é o "Para Ter a Vida".

Eles agora estão com um novo projeto, que é o Canção da Mocidade. Como são muito ligados no meio artístico, montaram um site que vai mostrando como o projeto está se desenvolvendo. http://www.cancaodamocidade.com.br/

Gostaria de chamar a atenção do leitor para o projeto. Eles estão fazendo uma campanha para conseguir recursos para fazer a gravação com a qualidade devida. O projeto tem uma meta financeira a ser atingida e deixa de forma bem transparente as despesas orçadas. Dá para ver que não é algo fácil de se fazer, para fazer direito.

Vamos contribuir? Eles estão fazendo uma vaquinha digital.



6.7.13

FORMAÇÃO DE GRUPOS PARA O ENLIHPE



Nos dias 24 e 25 de agosto acontecerá em São Paulo o 9o. ENLIHPE. A inscrição para o evento, que contempla dois almoços e três lanches, o livro "O Espiritismo na Atualidade" (trabalhos selecionados do 8o. ENLIHPE), CD com resumos dos trabalhos do 9o. ENLIHPE e kit de participação no evento será de R$110,00 para quem fizer no ato da inscrição, mas ainda há a possibilidade de conseguir um desconto para o valor de R$80,00, se houver a inscrição de grupos de no mínimo 5 pessoas até 31 de julho.
 
Considerando a cobertura com alimentação (o CCDPE contrata um prestador de serviços para fazê-la),  acho a taxa bem razoável.
 
Gostaria de contatar interessados de Belo Horizonte em participar do evento para fazermos um grupo de cinco ou mais. Eu já comprei passagens, mas há também a possibilidade de viajar de van, o que diminui bem os custos. Enviem e-mail para sampaiojader@gmail.com
 
A programação está bem interessante, teremos a presença já confirmada dos doutores Silvio S. Chibeni, professor da Unicamp, e Ademir Xavier, para tratar de temas ligados à epistemologia e metodologia do espiritismo (o caráter científico). Há outros trabalhos aprovados sobre o tema, o que assegurará um evento bem rico.
 
Recomendo os interessados de outras cidades a fazer o mesmo. Vamos encher a porta do CCDPE de vans de todo o Brasil...

3.7.13

O FLAGELO DE HITLER



Este livro foi meu companheiro por alguns dias. Minha filha, ao encontrá-lo caído no banco do carro, passou a mão sobre a capa e comentou: - "o sangue gruda na mão."  De fato, há sangue que não se lava com facilidade da alma.

O romance é uma ficção de Albert Paul Dahoui, e fico incomodado  em comentá-lo, por se tratar de um suspense, e temer estragar a experiência do leitor ir descobrindo a narrativa.

É daqueles livros de linguagem simples, narrativa rápida, capítulos pequenos, descrições econômicas e poucas incursões psicológicas no mundo dos personagens. Delicioso de ler, ele gruda nos olhos e não tarda em intrigar o leitor. Eu estava em uma época difícil de ler, devido às obrigações, mas sempre que tinha um tempinho abria o pequeno volume. 

O universo da cidade do Rio de Janeiro está impregnado na narrativa e nos personagens, chegando a ficar até um pouco caricatural, mas muito familiar a quem já esteve ou vive por lá. 

A maior contribuição do autor está na reflexão sobre o mundo dos portadores de AIDS (ou SIDA), que continuam sofrendo em silêncio na nossa sociedade, uma vez passado o modismo. Uma pena ele ter situado o romance no início da  AIDS no Brasil, porque outros problemas afetam aos pacientes crônicos que dependem de remédios de alto custo: há uma luta muda entre o estado e as necessidades dos pacientes. A indústria farmacêutica desenvolve novos medicamentos, mais eficientes no tratamento de certas doenças e comorbidades, mas os burocratas do Estado empregam estratégias de procrastinação da liberação dos remédios, temendo a perda de controle sobre os orçamentos. Estou passando por isso agora.

Se você trabalha com visitação a hospitais, possivelmente fará uma incursão na alma dos visitados, que nunca fez antes. Via de regra, o que se imagina ser consolo ou ajuda, às vezes é falta de conhecimento.

É quase genial a descrição crua que ele faz do preconceito. Ele mostra como este se baseia em atos simples, e imensamente dolorosos para quem sofre. Ele se esconde na borda dos ouvidos, e se perpetua em rede. 

A incursão pelo universo do centro espírita é deliciosa. Lembrou-me muito a comunidade espírita do Rio e de Niterói, com quem já tive boa ligação no passado. O autor não se furta a fazer algumas críticas, sempre na narrativa e nas relações entre os personagens. Gosto da humanização que ele faz dos espíritas. Eles não se tornam heróis "a priori", mas pessoas em luta com seus impulsos e lutas interiores, potencializadas quando em comunidade. Ele consegue tematizar muito bem os conflitos de decisões em sociedades espíritas.

Não sei o que aconteceu com o final do livro, mas me pareceu "guilhotinado", isto é, terminou de forma muito abrupta para o meu gosto. Não dá para escrever sobre isto sem atrapalhar ao leitor, então fica o desafio de ter que ler para conversarmos (em modo privado...).

Alguns pontos vão de encontro com o que eu já estudei sobre os campos de concentração, temos algumas diferenças quanto à visão de espiritismo (quem não tem pontos de vista?), mas é uma leitura não só deliciosa, como necessária.

Chamo a atenção do leitor para os personagens do plano espiritual. Dahoui parece herdar o que há de melhor na narrativa de André Luiz, reescrevendo em uma linguagem dos nossos dias. Não apenas recomendo, como convido o leitor do EC que gosta de literatura espírita a degustá-lo.

Título: O Flagelo de Hitler
Autor: Albert Paul Dahoui
4a. Edição
218 p.
Editora: Lachâtre