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7.7.20

"MEMÓRIAS DE UM SUICIDA" E YVONNE PEREIRA


LIVRARIA YVONNE: MEMÓRIAS DE UM SUICIDA | Fraternidade Espírita ...

A TV Célia Xavier, conjuntamente com a reunião de pais das tardes de sábado produziram uma live, na qual o prof. Sandro Márcio nos entrevistou sobre a médium Yvonne Pereira e, principalmente, seu livro "Memórias de um suicida". Depois veio a conversa com o público. Confiram! Se gostarem, não se esqueçam de avaliar.


Um errinho: o escritor português para quem Camilo Castelo Branco escreveu após sua desencarnação chama-se Silva Pinto, e não, Souza Pinto. É a idade...


30.7.19

VOLUNTÁRIOS À VENDA! POUCOS EXEMPLARES.



Estive recordando da minha tese de doutorado, realizada em uma instituição espírita de Belo Horizonte para o 1º Encontro das Casas Espíritas do Entorno do Hospital Espírita André Luiz. 

Na parte teórica estudamos três gigantes dos estudos da motivação: Abraham Maslow, David McClelland e Josph Nuttin. Dos três capítulos, ainda hoje o mais citado é o de Maslow, porque mostramos que ele desenvolveu uma teoria muito mais ampla que as citadas em palestras motivacionais e manuais de administração. Bastou que tivéssemos lido todos os seus livros e artigos disponíveis.

A tese trata da motivação e sofrimento psíquico de voluntários e depois escrevemos sobre os mecanismos de defesa que eles desenvolvem nos grupos espíritas. Esse trabalho "virou" capítulo de livro e foi comunicado em congresso nacional.

Ela trata também da história da creche estudada, suas estruturas organizacionais ao longo do tempo, sua cultura e todas as atividades que se fazia àquela época. Isso foi a base para um diálogo de muitos meses com os dirigentes da mesma.

Aproveitamos para sintetizar as pesquisas que antropólogos realizaram sobre o movimento espírita no Brasil, as que falavam das atividades sociais espíritas,e propusemos um ethos e visão de mundo para o movimento espírita brasileiro. Eu nunca tentei publicar esse artigo em separado. Uma pena!

A tese tornou-se livro e esse esgotou-se em pouco mais de dois anos. Para minha surpresa, encontrei alguns lugares que ainda estão vendendo o livro novo e usado. Seguem os links desses lugares para quem se interessar:

Amazon do Brasil

https://www.amazon.com.br/Volunt%C3%A1rios-J%C3%A1der-dos-Reis-Sampaio/dp/8560114173

Estante Virtual

https://www.estantevirtual.com.br/livros/jader-dos-reis-sampaio/voluntarios

Livraria Universo Espírita

https://www.livrariauniversoespirita.com.br/livros/estudos-e-pesquisas/voluntarios-sampaio-jader-dos-reis/



22.10.17

CONVERSANDO SOBRE PESQUISAS DE MEDIUNIDADE NO PROGRAMA NOVA ERA





O programa Nova Era trata do espiritismo na região do oeste mineiro, especialmente a cidade de Divinópolis. Tem sido uma empreitada voluntária com a participação de diversos espíritas, inclusive do Vicente, nosso companheiro do Centro de Estudos e Pesquisas Espíritas, que montou um estúdio para o projeto.

É uma conversa de uns vinte minutos, que dá um panorama dos estudos desde a época de Kardec, fala de concepções de ciência e de trabalhos muito recentes.

Eu não tenho nenhum preparo para responder a entrevistas, então as críticas para aperfeiçoamento e as impressões são bem-vindas.

27.9.17

TRÊS DIFERENTES TIPOS DE PESQUISAS SOBRE A MEDIUNIDADE





Há alguns dias publicamos esta palestra que havia sido retirada do YouTube pelos seus administradores. Ela voltou com um errinho: meu nome é Jáder Sampaio.

Nos primeiros 14 minutos explico o que é a Liga de Pesquisadores do Espiritismo - LIHPE, e quais foram suas principais publicações: a Série Pesquisas Brasileiras sobre o Espiritismo e a Coleção Espiritismo na Universidade.

Depois trato dos tipos de conhecimento que podem ser considerados ciência, o que retiro de Jean Ladrière e de seu livro "A Articulação do Sentido", publicado pela EDUSP.  È uma visão ampliada de ciências, que comporta os métodos e técnicas das chamadas ciências formais (matemática e lógica), ciências empírico-formais (física, química, biologia e associados) e, por fim, das chamadas ciências hermenêuticas (letras, direito, filosofia, e muitas outras áreas de conhecimento).

Apresento alguns dos resultados das pesquisas sobre mediunidade que iniciaram-se na Universidade do Arizona, e encontram-se divulgadas nos livros do Instituto Windbridge.

Depois trato de uma pesquisa de prevalência de transtornos mentais em uma amostra de mais de uma centena de médiuns, realizada pelo Núcleo de Pesquisas de Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Por fim, apresento um trabalho que compõe uma tese de doutorado de Alexandre Caroli Rocha, na qual ele mostra que Humberto de Campos se serve de citações, na mediunidade de Chico Xavier, para mostrar sua identidade.

Espero que seja útil.

26.7.16

OS FANTASMAS E SUAS APARIÇÕES





O Instituto Lachâtre acaba de lançar nossa terceira tradução de livro espiritualista de Alfred Russel Wallace. São dois artigos extensos publicados no final dos anos 1890 que reafirmam a existência dos espíritos e a imortalidade da alma.

Nesta década, os estudos de William Crookes já haviam sido publicados, e o interesse pelas materializações era disseminado na sociedade inglesa. Professores, escritores e artistas de renome, alguns detentores do prêmio Nobel, haviam fundado a Society for Psychical Research (Sociedade de Pesquisas Psíquicas) para estudar cientificamente os fenômenos “mesméricos, psíquicos e espiritualistas”.

Este livro é uma espécie de contraponto ao livro “The phantasms of the living”, que defende com uma casuística extensa a existência da telepatia. Wallace, contudo, que era membro da Society naquela época, percebe que nos relatos apresentados há uma série de fenômenos que não poderiam ser produzidos telepaticamente. Ele os organiza em classes, como um naturalista, descreve cuidadosamente e argumenta.

Um ponto interessante do livro são as fotografias de espíritos. O editor conseguiu identificar algumas fotografias dos médiuns citados por Wallace, enriquecendo o livro e dando uma bela contribuição para o movimento espírita brasileiro.

Li na Wikipédia que Wallace sugeriu à SPR, em 1891, que fossem estudadas as fotografias espirituais, mas, segundo seu autor, seu pedido não foi bem acolhido. Seria um efeito de sua crítica direta ao trabalho de Myers, Podmore e Gouney?

Um tipo de fenômeno que Alfred descreve no livro são as percepções de animais, associadas às descrições de assombrações feitas por pessoas. Ele destaca suas reações de medo, quando o comportamento normalmente apresentado ante pessoas estranhas é de enfrentamento e raiva.


Iremos fazer uma tarde de autógrafos do livro no próximo Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá na sede da USE-SP da Rua Dr. Gabriel Piza, 433, no bairro Santana, em São Paulo. O encontro acontecerá nos dias 27 e 28 de agosto próximo. Informações sobre a programação podem ser acessadas em https://enlihpe12.wordpress.com/ e informações sobre inscrições podem ser obtidas em http://www.lihpe.net/wordpress/?p=1663

O livro já pode ser adquirido na livraria virtual do Instituto Lachâtre e está em promoção: de R$24,90 por R$19,90. http://www.lachatre.com.br/loja/os-fantasmas-e-suas-aparicoes.html

Título: Os fantasmas e suas aparições
Autor: Alfred Russel Wallace
Tradutor: Jáder dos Reis Sampaio
Editor: Lachâtre
Biblioteca de Ciência e Espiritismo
110 páginas - 14 x 21 cm
Anexos: Biografia de Alfred Russel Wallace e "Qual é a importância atual desses artigos de Alfred Russel Wallace?"

26.5.16

RELIGIÕES, TRADIÇÕES ESPIRITUAIS E NATUREZA



O Laboratório de Análise de Processos em Subjetividade, da Universidade Federal de Minas Gerais, organizou um evento intitulado "Um retorno às fontes: diálogo inter-religioso e ecologia", do qual fizemos parte, no início de maio.

A TV UFMG fez este breve e simpático recorte dos convidados, expoentes de diversas religiões e tradições espirituais, na tentativa de responder à seguinte pergunta: "Como crescer na consciência de pertença à natureza, segundo os valores de sua religião?" Veja que resultado interessante!

7.2.16

O FRATERNISTA PUBLICA "QUEM É O SAL DA TERRA ?"




O jornal O Fraternista, do Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla, publicou no último número um texto nosso de reflexões sobre a instrução de Jesus aos discípulos no Sermão da Montanha, quando afirma que são o "sal da terra". 

O leitor do Espiritismo Comentado pode acessar diretamente do link: http://www.gruposcheilla.org.br/pages/acesso/acontece/ofraternista/fraternista70.pdf

Aguardo comentários e análises dos interessados.

14.10.15

HERCULANO PIRES E A PARAPSICOLOGIA




Já faz um ano que a Fundação Maria Virgínia e Herculano Pires me convidou para falar do livro de Herculano: Parapsicologia, hoje e amanhã. Fui deixando a publicação para depois, em função de alguns errinhos que cometi na fala, geralmente trocas de nomes. Passado tanto tempo, acho melhor deixar o trabalho ao leitor, que pode ir comentando os equívocos. Peço desculpas antecipadas, porque estava bem febril neste dia.

Agradeço de coração à família de Herculano que me recebeu como se fosse "de casa", aos amigos do CCDPE-ECM que nos auxiliaram durante a estada em São Paulo e a todos os interessados que foram ao evento e fizeram uma bela discussão.

Expresso minha admiração por Herculano Pires, que mesmo sem ser formado na área de parapsicologia ou psicologia, deu mostras de um conhecimento íntimo e de acompanhar o que se publicava na época, apesar de todas as dificuldades de trânsito de informação que existia, então.

14.6.14

ASSISTA A CONFERÊNCIA DE ABERTURA DO 1o. ENCONTRO REGIONAL DA LIHPE - UBERABA-MG



Da direita para a esquerda: Alexandre Caroli, Cíntia Alves, Jáder Sampaio. Atrás: Ozíris Borges

O Prof. Adilson Assis fez gravações das palestras da manhã do 1o. Encontro Regional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, em Uberaba MG. Abaixo está incorporado a palestra de abertura, com duração de cerca de uma hora. As demais podem ser vistas em:


O caso Humberto de Campos: autoria literária e mediunidade: http://youtu.be/LhVpUg_8KMw
Autoria, edição e veredicção: uma análise semiótica das cartas de Chico Xavier: http://youtu.be/mabS-NxOivo



11.3.14

ANDRÉ LUIZ EXPLICADO PELO DR ALEXANDRE FONSECA - BELO HORIZONTE MG



Prezados Leitores


Estamos trazendo o Prof. Dr. Alexandre Fontes da Fonseca, de Campinas-SP, a Belo Horizonte - Minas Gerais, para tratar do livro Mecanismos da Mediunidade. Alexandre tem alguns pós-doutorados em Física, inclusive no exterior, e já publicou na conceituada revista Science, tendo, portanto, uma formação sólida para nos explicar com clareza os conceitos de física utilizados por André Luiz para fazer metáforas aos mecanismos da mediunidade.

Não temos muitas vagas, porque o seminário é uma ação para a qualificação dos médiuns da Associação Espírita Célia Xavier, mas concordamos em abrir para o movimento espírita em geral, para que todos possam aproveitar a vinda do Alexandre. Peço, contudo, aos interessados, para não deixar a inscrição para a última hora. Informações podem ser feitas na secretaria da AECX - 31 - 3334-5787. O endereço é Rua Coronel Pedro Jorge, 314, Prado, Belo Horizonte-MG.

O evento será no auditório da Associação Espírita Célia Xavier, no Prado, que tem capacidade para cerca de 150 pessoas, apenas.

Recomendo aos participantes fazer uma leitura prévia do livro e levar questões, para que o evento seja proveitoso.

Bem-vindos à nossa casa

Jáder Sampaio

Mais informações podem ser obtidas no site http://www.aecx.org.br


10.1.14

SINCRETISMO E IDENTIDADE NO MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO

Alexandre Fontes da Fonseca, editor do Jornal de Estudos Espíritas




O Jornal de Estudos Espíritas está entrando em seu segundo ano de funcionamento e tivemos a grata satisfação de ter aceito um trabalho nosso intitulado "Éthos, sincretismo e identidade do Espiritismo Brasileiro".  ( https://sites.google.com/site/jeespiritas/volumes/volume-2---2014 )

Ele tenta mostrar como o éthos do espiritismo é um forte elemento identitário do mesmo. Busca recuperar a trajetória do espiritismo no Brasil e as influências a que esteve exposto o movimento espírita, detendo-se nos cismas e grupos que saíram deste, constituindo movimentos espiritualistas à parte.

O artigo recupera um trabalho desenvolvido em nossa tese de doutoramento, na qual apresenta três elementos do éthos espírita obtidos na obra de Kardec: fundamentos, valores e imperativos.

Ao final se faz uma rápida reflexão sobre as tensões dos dias de hoje e suas perspectivas.

Se os leitores se interessarem pelo Jornal de Estudos Espíritas, que é gratuito e digital, e quiserem acompanhar suas publicações, basta enviar seu e-mail para o endereço: jestudosespiritas@gmail.com 

29.4.09

Dois Homens

Foto 1: Bíblia antiga encontrada em Chipre
Jáder Sampaio


Dois homens sedentos de felicidade tiveram em suas mãos um manuscrito, que continha diversas máximas e fatos, e possuía por propósito levar a boa notícia a quem quer que assimilasse o modo de vida.

O primeiro homem leu-o, febrilmente, as páginas em alguns dias e sentiu-se disposto a em empenhar-se no grande trabalho. Acumulou riquezas para que o “reino” que pretendia implantar tivesse estrutura inicial e adeptos, os quais granjeou com templos pomposos, medo e força.

Um dia acordou preocupado com a sua doutrina, criou uma classe de representantes de organização hierárquica, que pudessem, de braços dados com a política da época, exercer o seu mandato. Para a preservação desta estrutura, sacrificou todos aqueles que não comungavam com os seus ideais afirmando serem enviados do demônio. Não satisfeitos com tal, expandiu seus domínios, conquistando povos e manipulando exércitos sob a égide: “Não vim trazer a paz, mas a espada.” (Mt. 10:34)

Buscando levar os ensinos ao povo, representou-os por atos exteriores sem lhe explicar o sentido. Insatisfeito com os dizeres que lhe pareciam obscuros, modificou as cópias dos manuscritos e proibiu a livre leitura por parte dos neófitos. Senhor de um grande império, sentiu receios e procurou preservar a própria vida dos inimigos que criara com as armas dos subordinados. Usou da coroa do mundo, cravejada de ouro e brilhantes, para consagrar-se a si mesmo o maior dos representantes. Mancomunou-se com o mal e o vício para afirmar-se ainda mais.

Esqueceu-se da humildade e julgou-se maior que o “Criador da Vida” afirmando constantemente: “Sois deuses”. . . (João 10:34) Finalmente, ao sentir aproximarem-se as horas finais, perdoou os inimigos em voz alta, dizendo: Deus se encarregará deles.

Envolveu-se em sombras e nelas pereceu, infeliz e angustiado, em meio a lamentos e gritos de vingança que se corporificavam em sofrimento e dor. No ápice dos tormentos afirmou desesperado: Tudo o que li é mentira.

O segundo homem estudou com calma e ponderação, meditando e questionando para reter e compreender os ensinos. Identificou o mal que havia dentro de si e penetrou no firme propósito de modificar-se.

Dominou impiedosamente, seus defeitos e imperfeições, muitas vezes sob lágrimas atrozes, dizendo sempre: “Não vim trazer a paz, mas a espada”.

Sentiu a incompreensão e o desprezo dos pais e irmãos, e sem lhes atender as sugestões maliciosas, dedicou-se-lhes ainda mais, tendo em mente: “Aquele que houver deixado, pelo meu nome, sua casa ou seus irmãos, ou suas irmãs, ou seu pai, ou sua mãe, ou sua mulher, ou seus filhos, ou suas terras receberá o cêntuplo de tudo isso que terá por herança a vida eterna.” (Mt. 19:29)

Acumulou-se de virtudes, obedecendo ao dizer: “Não ajunteis tesouros na terra onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça, nem a ferrugem consomem e onde os ladrões não minam nem roubam”. (Mt. 6:19 e 20)

Dirigiu-se em direção ao povo e pregou, ele mesmo, as verdades que aprendera, disseminando amparo ao corpo e à alma. Não deu ouvidos aos que lhe caluniaram afirmando serem ainda crianças no entendimento; mas ainda assim amparava aos ingratos.

Ergueu um altar no coração para que pudessem adorar a Deus em Espírito e Verdade. Preocupando com os dizeres que não entendia, pediu inspiração aos anjos para que pudesse entendê-los, até que satisfez-se e tornou-se possuidor das palavras de vida eterna.

Não temeu jamais aos homens que apenas lhe podiam roubar o corpo.

Usou a coroa de espinhos, repleta do fel da ingratidão, abençoando e pedindo pelos que lhe caluniavam. Ante os convites inferiores, era severo e redarguia sempre: “Vai-te satanás, porque está escrito: Ao senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás”. (Mt. 4:10) Se lhe bajulavam ou lisonjeavam-no respondia: “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só que é Deus.” (Mt. 19:17)

Quando a “grande viagem” manifestou-se, ele procurou inimigos que pudesse perdoar e não os encontrou, por que não havia lugar para as inimizades um instante sequer em seu coração. Ao desencarnar, ouviu suave melodia, entoada em coro por milhões de vozes que lhe diziam: “Benfeitor desconhecido mas não esquecido; benvindo seja ao reino dos céus que levaste a terra enquanto jungido à carne”.


(Escrevi e publiquei este conto em 1984, no Eterna Mocidade... Este ano ele faz 25 anos!)

29.3.09

ÁRVORES

Figura 1: Árvores

As árvores frutíferas,
quando estão moças
Parecem frágeis
e suplicam auxílio aos cuidadores.
Os médiuns também.

Quando crescem
e ganham uma copa
cheia de folhas verdes,
oferecem sombra ao viajor.
Os médiuns também.

Quando frutificam,
sofrem o assédio dos pássaros,
as pedradas das crianças,
a dolorosa colheita dos donos do pomar,
que lhe buscam os frutos,
ansiosos do sabor.
Os médiuns também.

Todavia, ai das árvores,
que mantêm, em seus galhos,
frutos cujo tempo
tornou passados.
Elas ouvirão as reclamações
dos que estendem as mãos sem usar os olhos.
Eles lhes dirão, frustrados,
toda infâmia.
Aos médiuns também.

Mas, se resistirem,
aos insetos,
aos reclames,
às tempestades,
às colheitas e
às tardes de sol quente,
as árvores devolverão ao seio da terra,
a essência de seus frutos
e eles se multiplicarão
segundo as leis de Deus.
Os médiuns também.


Um Poeta


Psicografia intuitiva de Jáder Sampaio em 15 de março de 2008 na Associação Espírita Célia Xavier.

13.4.08

Um Conto para Você Refletir


O Martírio de Antônio


Jáder Sampaio

(Publicado originalmente no jornal "Correio Fraterno")

Antônio chegou jovem à casa espírita. Chegou e ficou. Na verdade, encantou-se.
Gostava dos outros jovens que o tratavam com respeito e alegria, gostava das discussões nas reuniões de estudo, gostava do clima de fraternidade que imperava entre os membros mais antigos e gostava das tarefas e ocupações que eram mantidos em sua sociedade espírita.
Em meio a tanto encantamento, não havia quem o retirasse do Centro Espírita. Participava das reuniões públicas, das atividades assistenciais, do passe, das campanhas, sempre com aquele jeito jovial e cativante, ao mesmo tempo responsável, que tanto cativava a todos os membros da comunidade.
Antônio ia aos eventos e encontros, lia os romances, estudava os livros e não demorou a ser convidado para fazer palestras, o que o deixava com um enorme contentamento interno, uma sensação de que estava crescendo e desenvolvendo-se na comunidade que escolheu.
Com o destaque e a simpatia, começaram a vir os convites. Convite para evangelizar as crianças, convite para coordenar a campanha do quilo, convite para dirigir uma reunião, convite para participar da diretoria como secretário, convite para fazer palestras em outras casas espíritas...
Ainda jovem, Antônio perdeu-se no encantamento de ser querido, de ser demandado e só respondia sim, sim, às pessoas a quem admirava e a quem temia desapontar.
Mais algum tempo e cursos, e Antônio estava em uma reunião mediúnica, verificando, quem sabe, se teria alguma sensibilidade mediúnica, aplicando passes nos médiuns, acompanhando ainda entusiasmado os diálogos intimistas e lúcidos que os membros mais experientes estabeleciam com os espíritos nas mais diversas condições.
Tão boa era a comunidade espírita que Antônio não percebeu que mais e mais se dedicava às tarefas espíritas e mais ainda ficava ausente de suas obrigações em outros lugares.
- Ficou fanático! Dizia desconsolada a mãe de Antônio que sentia a sua falta em casa e nos eventos familiares. - Sai às vezes cedo e só volta tarde da noite! Parece até um hóspede na sua própria casa.
- Ficou irresponsável! Trovejava o pai. Já não é mais aquele aluno exemplar que sempre foi na escola. O que será dele no futuro?
- Está em lua de mel com o Espiritismo, dizia uma tia experiente que freqüentava o grupo. Passada esta fase vai cair em si e equilibrar-se.
- Parece cansado, diziam os professores, que percebiam a queda de rendimento do aluno. Quem sabe não está exagerando com as baladas, comentavam maldosamente.
Ouvindo as queixas, Antônio era só dedicação. Tentava convencer a mãe que estava cumprindo com as suas responsabilidades, aumentou o tempo e o esforço com os estudos para que o pai e os professores não se desapontassem com ele e, a todo custo, queria mostrar para a tia que sua dedicação ao centro não era apenas “fogo de palha”.
Vieram as primeiras decepções, alguns comentários em boca pequena no Centro Espírita sobre a vaidade, algumas desaprovações sobre um ou outro conteúdo de suas palestras, a insatisfação de alguém diante de uma decisão que ele havia tomado com relação à reunião que dirigia, a mediunidade tão desejada que não se manifestava entre suas faculdades...
- É preciso perdoar, repetia o jovem para si mesmo, numa tentativa superior às suas forças para não cair em prantos. É preciso continuar trabalhando, não importam os revezes.
Estudioso, mas auto-suficiente, Antônio nunca procurava a opinião dos mais experientes, por julgar tratar-se de uma fraqueza. “Deus dá a prova conforme a capacidade do discípulo”, repetia continuadamente.
Com o passar do tempo, começou a mudar o humor e já não apresentava o mesmo brilho nos olhos. As palestras e leituras pareciam ser repetições eternas de algo que ele já sabia, as atividades o massacravam pela rotina, o que antes era plena satisfação, tornou-se uma obrigação cada dia mais pesada, não via muito gosto nas conversas e debates sobre temas polêmicos da Doutrina que antes o mobilizavam tanto. As comunicações dos espíritos em sua reunião não lhe diziam respeito, eram sempre vistas como dirigidas para os outros.
- Talvez, se Antônio tivesse uma namorada! Pensava a mãe, inquieta com o estado de alma do filho. Pensando bem, será que ele não... e balançava a cabeça, tentando evitar a conclusão do raciocínio.
As tarefas da escola pareciam insuportáveis, ou melhor, irrealizáveis. As tarefas do centro eram cumpridas em empreitadas rápidas, para não dizer que eram mal feitas. Não havia tempo para preparar, para avaliar nem gosto em realizar.
Com três anos de doutrina, Antônio parecia desencantado, cansado. Talvez não tivesse mesmo capacidade para a missão que lhe fora confiada, pensava. Sentia-se facilmente irritadiço e fracassado, como se estivesse dando “murro em ponta de faca”. Os passes que recebia lhe proporcionavam algum alívio momentâneo, mas mal saía do Centro Espírita, vinham-lhe à mente as obrigações assumidas, os deveres familiares, as tarefas escolares e ele via se esvaírem as forças.
Sempre sorridente no Centro, não deixava que percebessem seu estado de ânimo. Alguns de seus amigos começaram a pensar que talvez estivesse obsediado, mas apenas comentavam entre si. Explosivo em casa, afastava-se cada vez mais dos pais e parentes. Irritado, acreditava que eles não o compreendiam e que estavam “pegando muito no pé”.
Sua dedicação tão cara, parecia não render resultados.
Um dia, em uma reunião mediúnica, encheu-se de coragem e resolveu perguntar a um espírito-dirigente o que estava acontecendo com ele. Estaria obsediado? Por que se esforçava tanto e realizava tão pouco?
Caridoso, o mentor lhe dirigiu palavras de confiança, assegurou que não havia a interferência de desafetos desencarnados e sugeriu que procurasse um médico.
- Médico? Pensou ele? Mas não tenho nenhuma doença!
Pelo sim, pelo não, Antônio procurou um clínico geral. Deu “sorte” e consultou com um dos que não trabalham com uma fila interminável de pacientes. Feitos os exames de rotina, não encontrando doença nenhuma, o jovem clínico começou a investigar-lhe os hábitos e humores, coisa incomum para os dias de hoje. Aos poucos, o diagnóstico foi se formando, uma síndrome cada dia mais comum em nossos dias: “Burnout”
[1]
Antônio foi convidado a repensar sua vida, realizar atividade física, valorizar o lazer e a conversar sobre o seu presente e o seu futuro com a ajuda de um psicólogo ou psicoterapeuta, antes que alguma doença psicossomática viesse a manifestar-se, comprometendo-lhe a saúde física em adição à saúde mental.

[1] Síndrome de Burnout ou Síndrome de Esgotamento Profissional, é uma doença geralmente relacionada ao trabalho, associada ao estresse crônico relacionado a relações interpessoais intensas e a grandes expectativas do paciente com relação ao seu trabalho, expectativas estas que não se concretizam em função de obstáculos diversos. Esta classificação surgiu nos Estados Unidos no início da década de 70 e compreende também o trabalho voluntário, exigindo atenção preventiva por parte das instituições e dos trabalhadores. Ao contrário do estresse, o esgotamento profissional se agrava com as férias, porque não se trata apenas de cansaço físico, mas de uma preocupação persistente com a incapacidade de realização de atribuições.