3.2.15

PROVAÇÃO, PROVA, EXPIAÇÃO E MISSÃO



Um espírita de muitos anos de casa perguntou-nos qual era a diferença entre expiação, prova e missão. Resolvi inserir também o conceito de provação, empregado por Kardec em sua obra.

Kardec usa missão como uma tarefa que um espírito se coloca ou concorda em realizar a pedido de seus superiores. Como toda tarefa, ela tem suas dificuldades, mas estas não se acham ligadas a erros do passado, são apenas “ossos do ofício”. Alfred Schweitzer, por exemplo, tomou como missão pessoal a construção do hospital em Lambaréné, no Gabão - África e seu trabalho como cirurgião. Ele já era um organista de sucesso e um teólogo cristão, quando decidiu realizar esta tarefa. Embora desconheçamos o passado de Albert, se ele não tiver nenhuma dívida do passado com a comunidade africana, podemos considerá-lo um missionário.


Fotos de Lambaréné por Joel Mattison

O dicionário Houaiss definiu provação como “situação aflitiva ou sofrimento muito grandes, que põe à prova a força moral, a fé religiosa, as convicções de um indivíduo” e ao definir prova ele coloca como sinônimo de provação.

Aceitar este conceito tem uma consequência importante no entendimento espírita da vida. Nem todas as situações que passamos são remissões de erros passados. O sofrimento não é necessariamente algo articulado à culpa e ao erro, mas pode ser uma circunstância da vida que nos possibilita o autoconhecimento, mobiliza nossas energias e talentos. Mais importante que explicar ou dar sentido ao sofrimento empregando a reencarnação, o conceito de prova ou provação põe ao ser humano consciente e lúcido a tarefa de saber superá-lo.

As provas costumam ser objeto de escolha dos espíritos minimamente lúcidos ainda antes da encarnação (questão 269 de O livro dos espíritos), mas, como na vida, ele pode optar por provas que são superiores à sua força e sucumbir a elas.

Por expiação, o Houaiss entende como “purificação de crimes ou faltas cometidas”. Seria uma situação da vida que envolve sofrimento físico ou psicológico, que se acha ligada a um evento passado, que o sujeito percebe como errado, ou de cujas consequências não consegue se evadir facilmente. Os espíritos com quem Kardec dialogou explicam que encarnações como a das crianças com paralisia cerebral (ele não usa este termo) geralmente estão ligadas a algum “abuso temporário” (questão 373 de O livro dos espíritos).


Quando se observa em alguém que passa por uma expiação, não se pode concluir esta pessoa seja má. Todos cometemos equívocos, e nenhum de nós, em sã consciência, consegue sustentar que tem um passado reencarnatório imaculado. Daí a proposta de tolerância e caridade uns para com os outros, o que, convenhamos, quase nunca é fácil.

3 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Ótima explanação, amigo Jáder. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma semana abençoada.

José Lourenço de Sousa Neto disse...

Isso veio de encomenda pra uma apresentação que estou preparando.
Vc já postou alguma coisa sobre livre-arbítrio, determinismo e fatalidade?

Marli Ferreira disse...

Gostei muito sobre este assunto ,amei obrigada uma amiga que me dedicou