22.3.20

UM CONGRESSO CIENTÍFICO SOBRE ESPIRITUALIDADE E SAÚDE?

Conferência do Dr. Alexander

Há décadas que “espiritualidade” tornou-se objeto de estudo e intervenção na área de saúde e nas disciplinas que a compõem. Medicina, enfermagem, odontologia, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, todas elas entendem que a espiritualidade, antes considerada uma ilusão pelo credo positivista, muito influente nas ciências, não é apenas vilã da saúde e reduto de explicações erradas e fantasiosas sobre o adoecer, mas também pode ser um espaço de tratamentos complementares e ter um papel importante no processo saúde-doença e na busca de sentido para a vida.

Esse ano fomos no terceiro congresso internacional de espiritualidade e saúde do Núcleo de Pesquisas de Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora, nos dias 13 de 14 de março últimos. Seu tema central foi “Experiências Espirituais: pesquisas e implicações clínicas”.


O Dr. Francis Lu fala de sua casa na Califórnia

Os temas foram diversos, saio indicando alguns:

- Ensaios clínicos sobre imposição de mãos.

- Espiritualidade e dependência de substâncias.

- Experiências espirituais: uma revisão de clássicos nos estudos psicológicos e autores contemporâneos.

- Experiência de quase-morte.

- Experiência espiritual e pacientes terminais.

- Como a psiquiatria norte-americana passou a distinguir problemas religiosos e transtornos mentais (o caso do DSM 4 e DSM5).

- Como ensinar espiritualidade e saúde na universidade?

- Uma psicologia das conversões religiosas. 

- As muitas formas de ateísmo e a espiritualidade.

- O que se publica hoje sobre experiências espirituais?

- Um estudo psiconeuroendocrinológico com médiuns. A alteração dos hormônios da pineal estão associadas à prática da mediunidade?

- Quem são as pessoas que relatam supostas memórias de vidas passadas?

- Como a psiquiatria passou a respeitar as diferentes culturas, evitando diagnosticar como transtorno mental o que era apenas uma crença partilhada por um grupo social.


O salão do hotel Trade, em Juiz de Fora-MG, recebeu mais de quinhentos profissionais de saúde e interessados nos temas. Alguns autores, presos em casa em decorrência da pandemia de COVID19, não se furtaram a participar à distância, como o caso do simpático Dr. Francis Lu, titular emérito da Universidade da Califórnia.

Visão geral do público do CONUPES

Ao contrário do que possam pensar alguns críticos, especialmente céticos de carteirinha, tratou-se de atividade acadêmica. Pesquisadores de dois continentes apresentaram resultados de suas linhas de pesquisa, doutorandos comunicaram resultados parciais de suas teses, discussões metodológicas, revisões de literatura e metanálises, resultados positivos e negativos, tudo isso ocorreu em um clima de aprendizagem e estudo racional. Não houve nenhuma tentativa de proselitismo (religioso ou cético) ao longo do evento, que ficou no campo dos fatos, fenômenos e das construções teóricas explicativas diversas que emergem deles.

Ao ampliar o conceito de saúde, a Organização Mundial de Saúde refletiu um passo à frente dado pela comunidade científica para uma abordagem mais completa do ser humano, sua cultura e suas práticas religiosas e espirituais Não apenas um corpo fisiológico que adoece e sofre intervenções químicas e cirúrgicas, não apenas sofrimento psíquico em busca de alívio ou compreensão, não só um indivíduo, mas o ser humano, inserido em grupos sociais, com toda a sua complexidade em busca de sentido. Um ser que se reúne ou se isola em busca de transcendência. Um ser que convive com seus semelhantes e encontra na convivência possibilidades para escolher caminhos para sua vida. Um ser diante da morte, que vive a terminalidade e demanda uma morte saudável, até então desconhecida por ciências que se voltaram apenas ao conceito de cura. Uma proposta de entendimento de uma ecologia humana. São os novos desafios para os profissionais de saúde.


Nossa intenção é entrevistar alguns dos participantes para o Espiritismo Comentado. Aguardem.

19.3.20

NOVOS ESTUDOS SOBRE A REENCARNAÇÃO


Nós já tivemos outras vidas? Há cientistas investigando essa hipótese? Muitas pessoas pensam que a reencarnação é uma crença religiosa, quase uma fantasia a ser apenas tolerada em sociedades democráticas. No entanto, muitos pesquisadores se interessaram por estudar fenômenos raros, mas que dão suporte à teoria da reencarnação.

Pessoas que em estado de hipnose afirmam ter vivido anteriormente tiveram, quando possível, suas informações verificadas. Crianças na primeira infância que relatam lembrar-se de outra vida, têm suas informações descritas e checadas por psiquiatras, psicólogos e outros estudiosos com formação em pesquisa científica. Marcas de nascença e má formação são explicadas a partir de experiências vividas no passado distante, relatadas pelas pessoas estudadas.

Nesse livro você conhecerá autores como Albert de Rochas e Ian Stevenson, já considerados clássicos nesse campo de conhecimento e terá contato com pesquisadores posteriores a eles, como Antonia Mills e Jim Tucker, bem como com estudiosos espíritas que produziram conhecimento a partir de observação, como Hernani Guimarães Andrade e Hermínio C. Miranda.

Título: Novos estudos sobre a reencarnação
Organizadores: Marco Milani e Jáder Sampaio
Editores: CCDPE-ECM, LIHPE e USE (São Paulo)
Ano de Publicação: Agosto de 2016
152 páginas
Preço: 30 reais (há promoções na internet)

Sumário:

Reencarnação: crença ou objeto de estudo? - Jáder Sampaio
O que é pesquisar cientificamente a reencarnação? Raphael Casseb e Sílvio Chibeni
O pensamento de Ian Stevenson e suas contribuições ao estudo da reencarnação - Eric Ávila, Janaíne Oliveira e Décio Iândoli Jr.
Evidências biológicas sugestivas de reencarnação: causalidade, complexidade e criticismo - Chrystiann Lavarini, Janaíne Oliveira e Leandro Franco
Síntese dos trabalhos de Antonia Mills sobre a temática da reencarnação - Marco Milani
Hermínio C. Miranda: pesquisador espírita sobre a reencarnação - Adilson Assis

Onde adquirir?

Livraria do CCDPE-ECM - http://ccdpe.org.br/livraria/




11.3.20

ESPÍRITOS SUGEREM A KARDEC COMO REVISAR "A GÊNESE"



Recebi do Adair a publicação de uma carta psicografada para Allan Kardec por espíritos que sugerem que mudanças deveriam ser feitas em A gênese, os  milagres e as predições segundo o espiritismo.

Há sugestão de revisões "de comparações nos primeiros capítulos", possivelmente ambíguas, para "condensação das ideias" que já foram tratadas em outros lugares e de "adição de elementos novos, mas urgentes".

O autor espiritual sugere também deixar intactas  "todas as teorias que aparecem pela primeira vez aos olhos do público". Ele não fala em princípios ou princípios doutrinários, como comentou um dos leitores do EC.

No texto se lê também que os espíritos falam da revisão como algo em curso, recomendam que Kardec "não espere muito para realizá-la", mas que não se apressasse.

Há uma curiosidade que merece destaque: Kardec se refere à terceira e quarta edições, como se estivessem sendo feitas simultaneamente e decorrentes da venda rápida das primeira e segunda edições. O espírito considera que os exemplares continuarão sendo bem vendidos, como aconteceu com as primeiras edições.

A mensagem é de 22 de fevereiro de 1868. A Gênese foi publicada em 06 de janeiro de 1868 e, portanto, um mês após a publicação Kardec já está conversando com os espíritos sobre sua revisão e sobre a terceira e quarta edições. Outro detalhe importante: o médium é Armand Desliens, que sucederá Kardec após sua desencarnação sendo membro da diretoria das sociedades fundadas para dar continuidade ao trabalho do fundador do espiritismo.

Veja abaixo o link para ler a mensagem, sua transcrição e sua tradução na página do Facebook AllanKardec.online.

10.3.20

MEDIUNIDADE E ATENDIMENTO DOS ESPÍRITOS EM REUNIÃO MEDIÚNICA




Mais uma pergunta do seminário realizado em Contagem-MG.

O médium ostensivo pode ser dialogador? Ou fazer preces?

Em nossa experiência tentamos preservar o exercício da mediunidade no momento da reunião mediúnica aos que têm faculdades ostensivas. Isso não significa que estejam impedidos de contribuir de outras formas na reunião se for necessário. Na falta de atendentes, ou de médiuns-passistas, um médium ostensivo pode ser convidado a realizar essa atividade no grupo, em caráter excepcional.

Nesse caso, o dirigente da parte mediúnica da reunião pede ao médium para atuar como tal, e ele evita a prática da mediunidade naquela sessão, ou a realiza após o atendimento ou atividade de passes.

Cabe à direção da reunião evitar esse tipo de situação, compondo seu grupo com médiuns e atendentes suficientes para a realização cotidiana de suas atividades.

3.3.20

A EDIÇÃO DE 1869 DE A GÊNESE É CLANDESTINA?




Desde quando Carlos Seth Bastos publicou a descoberta de um exemplar de A Gênese publicado em 1869, e Samuel Magalhães publicou imagens de propaganda do mesmo em um exemplar de O Livro dos Médiuns, do mesmo ano, surgiu uma acusação feita pelo estudioso Paulo Henrique de Figueiredo, que denominou a edição de clandestina. Diversos leitores do EC me enviaram o texto desse autor. Carlos já fez comentários ao texto, estou publicando minhas observações. 

Como se pode ver, a ideia de uma edição clandestina é especulativa, inconsistente com as informações publicadas na capa e atingiriam não apenas os diretores da Sociedade Anônima da Caixa Geral e Central do Espiritismo, como a própria Amélie Boudet, que era dona dos direitos autorais do livro e participou da fundação da Sociedade e a partir de julho de 1869 como membro do Conselho Supervisor. 

Segue abaixo o texto de Paulo Henrique e meus comentários em cor vermelha.

Agradeço aos colegas que me auxiliaram com o texto. 

Jáder Sampaio, 03 de março de 2020

SOBRE A 5ª EDIÇÃO CLANDESTINA DE A GÊNESE DE 1869

Esclarecimentos do Pesquisador e Historiador Espírita
Paulo Henrique de Figueiredo

Foi encontrado um exemplar da 5ª edição de La Genèse, les Miracles et les Prédictions selon le Spiritisme, que possui em sua capa o ano de 1869. Uma relevante descoberta, que está relacionada com a questão da adulteração da obra em 1872. (A ideia da adulteração de A Gênese é especulativa).
Já sabíamos da existência dessa edição desde o ano passado e passamos a estudar profundamente o contexto desse fato novo.

Todavia, seria impossível para a Simoni Privato Goidanich citar essa edição em sua obra O Legado de Allan Kardec, (Se ela tivesse encontrado, a citaria e possivelmente reinterpretaria o material de estudo) quando pesquisou os documentos na França, pois ela é não só uma adulteração, mas também clandestina! (Afirmação especulativa; se fosse levada a sério, deveríamos considerar clandestinas outras edições de livros de Kardec, conforme aponta a pesquisa do Carlos Seth) Vamos demonstrar.

Compare a 4ª edição e a 5ª edição de A Gênese, ambas de 1869. Simplesmente analisando os detalhes das duas capas, já se pode deduzir informações importantes.

O pedido de impressão da 4ª edição foi feito em 4 de fevereiro de 1869. Allan Kardec pediu que fizessem 2.000 exemplares. Todavia, por desencarnar em 31 de março, no mês seguinte, não pode anunciar essa reimpressão na Revista Espírita. Ele morreu antes (um dia antes) do estabelecimento da Livraria Espírita, em seu novo endereço. Por isso, indica na capa, como em todas as suas edições: “bureau de la Revue Spirite, 59, rue et passage Ste-Anne”.

Veja agora a 5ª edição de 1869 agora encontrada, na capa: “Librairie Spirite et des Sciences Psychologiques”, em “7, rue de Lille”. Isso registra que essa edição foi publicada pelos continuadores responsáveis pela livraria após a morte de Kardec, ou seja, em data posterior à sua morte. (Possivelmente) Assim sendo, não foi publicada por Allan Kardec! (Possivelmente)

E quanto aos documentos legais desta 5ª edição que confirmariam oficialmente todas as informações sobre ela, existem? Não existem. (Especulativo, pois os documentos levantados comportam mais de uma interpretação) Simplesmente, após uma pesquisa minuciosa tanto na Biblioteca Nacional quanto nos Arquivos Nacionais da França, empreendidos por mais de uma vez este ano, por pessoas diferentes, confirmam que NÃO existe (não encontraram) nem pedido de impressão nem depósito legal. (Carlos Seth Bastos mostra que isso aconteceu em outra oportunidade na qual Kardec estava vivo. O Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas, nova edição aumentada, de 1865, não consta no registro dos depósitos legais.) 

Como se trata de conteúdo novo em relação à edição original, seria obrigação legal fazer tanto o pedido ao Ministério do Interior como depositar um exemplar na Biblioteca. (Na Biblioteca, não, na Prefeitura de Polícia) Temerariamente, nada disso foi feito! (Especulação) Trata-se de uma edição clandestina! (Uma edição cujos registros não foram encontrados até o momento) Poderíamos até dizer, criminosa. (Segundo a lei vigente à época, não há crime, deixar de registrar é contravenção. Só há crime se houver a intenção de atacar a França ou o Imperador)

Nada foi noticiado na Revista Espírita sobre essa nova edição revista, corrigida e aumentada. Nem uma nota. Quando seria fundamental avisar aos espíritas sobre isso! (Houve diversos pedidos de publicação de novos livros em 1869, além dos problemas da constituição da nova Sociedade) Kardec não o fez, pois foi posterior à sua morte. Os responsáveis pela livraria não o fizeram, pois se tratava de uma edição adulterada e clandestina. (Mega-especulação. A gráfica que trabalhou anos a fio com Kardec colocou seu nome em uma obra clandestina, correndo o risco de incorrer no artigo 41 da lei de Napoleão I, e de ser acionada judicialmente pela livraria? Como diz Carlos Seth Bastos, foram feitas quase 400 mudanças no período entre 31 de março e junho de 1869, mudados os clichês, impresso, em um período no qual se estava praticamente fundando a Sociedade  Anônima da Caixa Geral e Central do Espiritismo?)

Há uma menção a essa edição clandestina de A Gênese de 1869. E é a única. Está na referência das obras de Allan Kardec em Le Livre des Médiums, edição 11ª. na contracapa foi grafado: “ La Genèse, les miracles et les prédictions selon le Spiritisme, 1 vol., in-12, 5e édition”. (Então ou houve um erro do tipógrafo, ou a Livraria é responsável pela edição)

Temos a declaração do impressor e depósito legal dessa edição de O Livro dos Médiuns: Declaração de impressor em 09/07/1869 e depósito legal em 16/07/1869. Ou seja, a única menção sobre essa quinta edição clandestina de A Gênese de 1869 foi feita somente em julho (feita em julho, mas referente a junho, segundo a Revista Espírita) de 1869, quatro meses após a morte do professor Rivail. Pelos mesmos responsáveis por essa edição clandestina de A Gênese! (Diretoria aclamada em abril: Levent, Canguier, Ravan, Desliens, Delanne, Tailleur e Mallet – este último presidente. Diretoria eleita em julho de 1869 na residência de Amelie Boudet: Desliens, Tailleur, Monvoisin, Guilbert, Bittard e Joly, sendo que Amélie Boudet e Guilbet eram membros do Conselho Supervisor)
Como essa edição de A Gênese de 1869 foi, além de adulterada (especulação), também clandestina (especulação), o que fez Leymarie quando precisava publicar uma edição nova da obra em 1872? Ele sabia que a 5ª de 1869 era falsa (especulação), pois, tratando-se de um conteúdo novo, teve que fazer um depósito legal em 23/12/1872. Deveria ter declarado tratar-se de uma sexta edição. Revela sua culpa, ao repetir a numeração, omitir o ano na capa e publicar essa nova como sendo novamente 5a edição! (No registro, consta 5ª edição e 2ª edição, segundo Simone Privato. O que entendo é que foi registrado que era uma reimpressão (ou segunda impressão) da quinta edição. A explicação de Simone não faz sentido. Ela diz que é quinta edição porque veio após a quarta e que é segunda porque foi a primeira a conter alterações. Pág. 164-166 do livro O Legado de Allan Kardec)

A garantia da autenticidade da obra e de que seu conteúdo de fato espelha a vontade do autor repousa sobre o preenchimento dos requisitos formais de autorização de impressão e do depósito legal. (Sem o depósito legal, não há como provar que a obra foi publicada na data do registro, e se cria a possibilidade de alguém registrar a obra em seu nome. Não é o caso.) Sem isso, seu conteúdo é falso, apócrifo, (Mais uma dedução incorreta, sem isso fica mais complicado provar a autoria) segundo a legislação da época. (Não está escrito isso na lei) Alguém imagina, por absurdo, que o professor Rivail, tão cuidadoso com todos os seus documentos e sem nunca ter incorrido em qualquer ilegalidade em suas publicações, faria uma edição sem registro oficial? (Quem fez a edição foi A Livraria Espírita, em um período de extrema influência de Mme Kardec.)

Portanto ilegal, clandestina e toda modificada? (Frase de efeito, vimos que não há como provar isso. Atribuir crime à Livraria Espírita, sem provas, é calúnia) Sem avisar ninguém pela Revista Espírita? Está claro que Kardec pretendia fazer modificações nesse livro segundo os seus manuscritos, mas não o fez até a sua morte. (A FEAL tem os manuscritos, mas não deu ainda acesso às pessoas. Sem uma análise desses documentos, é também uma especulação) Nem foram certamente essas falsas que encontramos nas edições adulteradas. (Outra especulação)

Conclusão: tudo o que a Simoni Privato Goidanich afirmou em sua obra está vigente e intocável. (O trabalho dela é muito bom, especialmente a recuperação de informações e documentos. As conclusões e análises que ela faz se baseiam neles. Quando surgem novos documentos, há que se rever as análises. Não há nada de errado nisso, e nenhum demérito para ela.)  Apenas se acrescenta que a conspiração para adulterar a obra de Allan Kardec já se iniciou logo após a sua morte, (uma metaespeculação: especulação fundamentada em especulações)  alguns meses depois, por aqueles, como Desliens, que passariam o bastão do desvio (um ataque sem provas, que atinge a esposa de Kardec, que era membro do Conselho Supervisor, como nos mostra Privato) para Leymarie desde 1871.

Temos muitas outras informações e documentos sobre o caso. (Que não estão públicas, por isso, não se constituem como documentos a serem verificados. Nós temos que confiar que o argumentador tem acesso privilegiado e que por isso está interpretando corretamente os documentos a que teve acesso, ainda que Carlos Seth também tenha acesso aos mesmos documentos e tenha chegado a diferente conclusão) Mas uma investigação adequada deve ser divulgada publicamente somente quando todos os fatos e detalhes estão apurados e esclarecidos ao máximo. (Então poderemos rever nossas posições) Uma conclusão precipitada serve apenas para causar dúvidas, polêmica e divisão. (É o que está acontecendo, e esse seu texto se presta a isso, ao fazer acusações sem provas documentais) Nada disso interessa à divulgação do Espiritismo. (Concordamos) Portanto, vamos voltar ao assunto somente daqui a algumas semanas, quando vamos apresentar trabalho completo, como já havíamos planejado anteriormente. (Aguardamos)

Esperamos, assim, contribuir com os estudos desta Doutrina libertadora que não nos pertence, mas sim aos Espíritos Superiores que deram seus ensinamentos. Nós, espíritas, somos todos estudantes, e devemos divulgar e restabelecer a teoria original de Allan Kardec, com o objetivo de colaborar com a Regeneração da Humanidade. Os tempos estão chegados!

Paulo Henrique de Figueiredo, 2 de março de 2020.

SOBRE A LEI DE PUBLICAÇÃO NA FRANÇA DE ALLAN KARDEC



Napoleão I decretou uma lei em 05 de fevereiro de 1810, que é considerada uma “lei de censura” em nossos dias. Ela pode ser vista em https://archive.org/details/dcretimprialcont00fran_1/mode/2up

Nessa lei, os impressores e as livrarias ficavam sob o controle de um diretor geral, ligado ao Ministro do Interior francês. A lei designa seis auditores sob o controle do diretor geral. No ano seguinte à publicação da lei, Napoleão reduziu o número de impressores para sessenta, possibilitando que cada auditor cuidasse das publicações de dez impressores.

O artigo 10 considera crime “imprimir qualquer coisa que possa afetar os deveres do sujeito com relação ao soberano”, ou seja, um Estado sem liberdade de imprensa.

O controle da imprensa se faria com um livro, rubricado pelo prefeito da região, no qual se registra por ordem de data, cada livro que se deseja imprimir e o nome do autor. (art. 11) As livrarias seriam “juramentadas e licenciadas”. Essas licenças seriam aprovadas pelo Ministro do Interior! (art.29) Para ser licenciados, os livreiros teriam que demonstrar “sua boa vida e seu apego à pátria e ao soberano”. (art. 33)

A lei controla a entrada de livros do exterior e estabelece um imposto “não inferior a cinquenta por cento do valor das obras”. (art. 35). Napoleão assinou um decreto imperial que estabelece como cobrar os impostos de livros importados em 14 de dezembro de 1810. 

A lei estabelece confisco e multa se o livro sair sem o nome do autor e da gráfica, se “o autor ou o impressor não tiver efetuado o registro e a declaração do artigo 11”, se a obra for pedida para exame e a impressão não tiver sido suspensa enquanto se faz, se a obra for publicada sem a autorização do ministro da polícia geral, se for uma falsificação ou se for impressa “sem o consentimento e em detrimento do direito do autor ou do editor."

O artigo 39 assegura o direito de propriedade ao autor e à sua viúva, e aos filhos por vinte anos.

Por fim, no artigo 48, se decide sobre a guarda dos livros impressos: 

“Cada impressor deverá depositar na prefeitura da polícia cinco cópias de cada obra, a saber: duas para a biblioteca imperial, uma para o Ministro do Interior, uma para a biblioteca de nosso Conselho de Estado, uma para a diretor administrativo das obras de impressão.”

Após ler a lei como um todo, o que podemos concluir? Que a lei foi criada para evitar que ideias em conflito com o regime fossem veiculadas sem controle do Estado. Escrever era considerado “caso de polícia” na França, e a maior preocupação da lei não é com a preservação dos direitos de autor e editores, mas com o uso da imprensa contra o Estado estabelecido e o imperador.

O registro cuidadoso visava evitar a veiculação de ideias contra o regime político vigente (principalmente o imperador), e até as livrarias seriam objeto de licença especial do Estado para funcionamento. 

Esta legislação estava em vigor no período de 1857 a 1869, enquanto Allan Kardec estava encarnado e publicando sua obra espírita.

Uma lei baseada na liberdade de imprensa, que garante a livre circulação dos jornais, sem regulamentação governamental foi aprovada em 1881 e está em vigor até hoje.

2.3.20

MAIS UM DOCUMENTO TRATA DA QUINTA EDIÇÃO DE A GÊNESE EM 1869



Samuel Magalhães acaba de publicar imagens de O Livro dos Médiuns, de 1869, fazendo propaganda, na quarta capa, da quinta edição de A Gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo. O livro custava 3 francos, então.


A capa do livro original.

 A folha de rosto do mesmo livro. O Samuel informa que essa edição de O Livro dos Médiuns foi publicado em junho de 1869, três meses após a desencarnação de Allan Kardec.

1.3.20

NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE A 5ª EDIÇÃO DE A GÊNESE




O CSI – Codification Séances Investigation: Imagens e Registros Históricos do Espiritismo encontrou um exemplar da quinta edição de A Gênese - revista, corrigida e aumentada, publicada em 1869 - catalogado na biblioteca da Université de Neuchâtel, na Suíça. Carlos Seth Bastos entrou em contato com o bibliotecário, pedindo imagens dos dados bibliográficos do livro e recebeu o arquivo de imagem em pdf acima.

As informações desse livro sugerem que foi Allan Kardec quem fez as modificações que foram posteriormente publicadas em 1872, no que seria uma espécie de reedição da quinta edição. Possivelmente, Simoni Privato não encontrou a autorização dessa edição nos livros de registro franceses, uma vez que considero como pessoas de boa-fé tanto as que concluíram que Leymarie poderia ter feito as alterações quanto as que nos apresentam essa imagem. Cada uma concluiu com base nas informações que obteve.

Considerando correta a informação do bibliotecário suíço, Kardec teria feito as anotações das modificações de A Gênese depois da primeira edição, tendo um período de alguns meses para a revisão. Quando e como foram modificadas as placas matrizes, não o sabemos.

Observe nas marcas da imagem que o livro já sai com o nome da Livraria Espírita e de Ciências Psicológicas, na Rue de Lille, no. 7, para a qual Kardec iria fazer sua mudança quando desencarnou.

Outra curiosidade: as notas tipográficas, na página anterior à da folha de rosto, apontam que a tipografia que fez a quinta edição foi a mesma que fez a primeira edição (e as outras três).

O leitor interessado pode acessar as páginas de Facebook abaixo para obter as informações sobre este novo capítulo da pesquisa de A Gênese, os milagres e as predições segundo o espiritismo, de Allan Kardec.


https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/650310282399424  Link da publicação sobre a pesquisa de A Gênese (5ª edição).

Acho que toda essa polêmica chamou a atenção do movimento espírita para as mudanças realizadas por Kardec ao longo das edições de suas obras, e também nos convida a sermos ainda mais prudentes com as fontes de informação do passado.