11.1.19

O PADRE QUEVEDO E A PARAPSICOLOGIA



Oscar Quevedo


Desencarnou no dia 9 de janeiro de 2019 o Padre Oscar González Quevedo Bruzán, jesuíta conhecido pelo emprego de ideias parapsicológicas em articulação com sua fé católica. Quevedo foi crítico a-priori das ideias espíritas, e teve muitos interlocutores em nosso movimento, como Carlos Imbassahy, Herculano Pires e outros. Um exemplo é o livro A farsa escura da mente, escrito por Imbassahy para discutir o livro "A face oculta da mente" publicado pelo jesuíta.

O site G! assim apresenta Quevedo:

"Natural de Madri e naturalizado brasileiro, Padre Quevedo é considerado um dos maiores especialistas do mundo na área de parapsicologia e autor de dezenas de livros, muitos dos quais traduzidos para outras línguas, como "O que é parapsicologia", "A Face Oculta da Mente" e "As Forças Físicas da Mente". Além de parapsicologia, era formado em filosofia, teologia e humanidades clássicas."(https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2019/01/10/corpo-de-padre-quevedo-e-enterrado-em-belo-horizonte.ghtml)

Ao procurar o nome de Quevedo, contudo, na base Periódicos Capes, uma das usadas para a pesquisa em milhares de revistas científicas, inclusive do campo da parapsicologia, encontrei apenas uma citação em um texto de um parapsicólogo, membro da Parapsychological Association, nos Estados Unidos, que diz:

"Outro exemplo mais extremo é a parapsicolgia-baseada-no-catolicismo desenvolvida por Oscar González Quevedo, um parapsicólogo e jesuíta espanhol que vive no Brasil." Alvarado discute a questão do critério de demarcação entre o sobrenatural (influência direta de Deus no mundo) e dos fenômenos de percepção extra-sensorial como propriedades da alma (não perceptíveis organicamente), bem como a recomendação do religioso de não se desenvolverem fenômenos psíquicos. Outra crítica de Alvarado é o não desenvolvimento de pesquisa empírica pelos seguidores de Quevedo, baseando sua produção apenas no que já foi publicado.

Outras reticências são propostas ao trabalho de Quevedo, e Alvarado assim conclui sua argumentação:

"Felizmente para o futuro da parapsicologia no Brasil, essa forma arcaica do campo está rapidamente em declínio".

(Alvarado, Carlos S. Reflections on being a parapsychologist. The journal of parapsychology, v. 67, fall 2003, p, 211-148)

Respeito a fé do padre e compreendo sua dedicação à igreja, à qual se ligou desde a adolescência. Gostaria de externar aos familiares e aos amigos dele, meus sentimentos nesse momento de perda da presença da pessoa que lhes foi importante. 

Publico esse texto em um momento sensível, talvez inoportuno, para questionar a imagem projetada por um dos meios de comunicação mais influentes em nosso país, apresentando uma segunda visão, produzida por um especialista reconhecido no campo da parapsicologia na atualidade.

8.1.19

COMO FOI E VEM SENDO CONSTRUÍDO O MOVIMENTO ESPÍRITA NO ESTADO DE SÃO PAULO?





Recebi da USE-SP, ano passado, esse livro que é um trabalho de recuperação da memória da instituição.

O organizador, Rubens Toledo, deixa ao leitor um texto fácil de ler, que vai apresentando uma linha do tempo que vai do surgimento do Espiritismo no Brasil, passando pelos congressos, decisões e eventos que constituíram a USE. É uma história interessante de se ler, os olhos de um mineiro, porque o estado de São Paulo teve pelo menos quatro instituições disputando a representatividade das casas espíritas.

O texto é ilustrado, e reconhece desde pessoas famosas no movimento, como Herculano Pires, até outros trabalhadores que dedicaram-se sem notoriedade pública, realizando atividades que devem ser feitas sem muita exposição ao público.

Não é uma narrativa chata, daquelas de listas de nomes e datas infindáveis, que após dez minutos de leitura não se tem nada em mente. Rubens conseguiu dar protagonismo aos espíritas paulistas e paulistanos, e àqueles que, mesmo sendo de fora, passaram a participar da comunidade espírita de São Paulo. O leitor vê as coisas acontecerem, as instituições se formarem, os presidentes e seus projetos, as realizações em nascimento, curso e, às vezes, morte. 

A segunda parte do livro trata das regionais, descrevendo-as e fazendo justiça ao que fizeram mais recentemente.

Vivemos um momento em que há muitas críticas pessoais e mal fundamentadas, dirigidas às casas espíritas, de dentro do próprio meio espírita. Críticas voltadas mais ao culto do ego do crítico que às reformas institucionais, por vezes necessárias. Algumas são pessoais e ferinas, outras sem fundamento que não a opinião pessoal ou eventos reais isolados, tratados como se fossem regra. Críticas vazias de evidências, arrogantes... 

A contribuição desse tipo de trabalho não deve ser subestimada, mas devidamente examinada e valorizada. Quiçá difundida por outras regiões do Brasil e do exterior.

Título: USE 70 anos: Passado, Presente e Futuro em Nossas Mãos
Organizador: Rubens Toledo
Edições USE
Junho de 2017
304 p.