9.10.17

PLANTADORA DE SEMENTES EM TERRAS NOVAS: ELAINE ALVES


Acabo de chegar de Arcos, cidade do oeste mineiro, onde há 56 anos funciona o Centro Espírita Bezerra de Menezes. Encontrei com Clícia Ribeiro do Vale, amiga espírita de décadas, e fiquei muito contente de poder rever Elaine Alves, sua mãe.

Elaine sempre foi uma trabalhadora inquieta e corajosa, capaz de realizações inovadoras, que a maioria das pessoas não faria. Ela foi fundadora do Centro Espírita Messe de Luz, em Pains, após ter sido auxiliada por Virgílio P. Almeida e outros companheiros de nossa casa, o Célia Xavier.

A relação se estendeu, e quando Marlene Assis agendava as viagens de Raul Teixeira pelo interior mineiro, sempre havia algum evento na região, em parceria com a Elaine. Ela recebia em sua fazenda ou em sua casa em Pains, para um lanchinho, regado a quitandas, café e sucos naturais, grupos de quinze, vinte jovens, que iam assistir aos trabalhos do orador lá. Era uma experiência deliciosa, que nossos filhos, hoje na mocidade espírita, não mais conhecem.

Mesmo tendo o apoio de poucos companheiros, em uma região tradicionalmente católica, Elaine sempre foi empreendedora. Ela me contou que ao assumir o órgão federativo da região, uma das atividades que ela fazia era identificar Centros Espíritas. Entrava em contato, em nome do conselho regional e convidava as pessoas a participarem de eventos, ou fazer Feiras de Livros Espíritas.

Se uma cidade não tinha Centro espírita cadastrado, ela escrevia à prefeitura, perguntando se havia Centro Espírita na municipalidade. Ante uma resposta negativa, ela obtinha um alvará para fazer Feira de Livro Espírita em algum espaço público. A feira, em uma cidade sem centro, atraía os simpatizantes locais, e ela incentivava a criarem uma casa ou um núcleo espírita na localidade.
Depois, ao mudar-se para o Pará, ela faria o mesmo nas cidades “esquecidas por Deus”, cujo acesso só se dava por barco, às vezes com muitas horas de navegação. Ela se recordou da feira feita em Serra Pelada-PA, uma região que à época tornou-se lugar de garimpo, lugar sem dono, que atraía pessoas de todos os lugares do Brasil, e cuja exploração se dava sem os cuidados devidos, gerando muitas mortes em função de acidentes como a queda de terra sobre os garimpeiros.

Na Semana Espírita de 2017, uma emoção. Os companheiros convidaram o expositor “Gilmar Cândido” de São Gotardo. Hoje, ele realiza anualmente a MECESG (Micro Encontro e Confraternização Espírita de São Gotardo), que teve sua 23ª. edição, com os companheiros do Centro Espírita Emmanuel de São Gotardo. Ele ficou feliz em encontrar-se com Elaine, cujo papel na revitalização do espiritismo em São Gotardo foi, segundo ele, marcante.


Pequenos e grandes atos na divulgação do espiritismo em terra estranha, fazem lembrar o trabalho quase insano de Paulo de Tarso, buscando sinagogas e espaços públicos onde nunca se houvera falado a mensagem cristã, criando núcleos que se tornaram muitos anos depois referência do cristianismo e celeiro de estudiosos e trabalhadores notáveis. Isso nos põe a pensar.

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