16.2.09

João, Filho de Zacarias - Nazireu

Figura 1: Ícone de João criado por Mary Katsilometes (http://www.anastasisicons.com)
Duas palavras muito próximas em nossa língua, mas com significados distintos: Nazareno e Nazireu.

Nazareno, na Bíblia, é quem nasceu na pequena cidade de Nazaré, na Galiléia.

Nazireu é qualquer israelita que fez um voto de consagração para Iahweh, temporário ou permanente, e se dispõe a cumprir as restrições, repletas de simbolismo, propostas no sexto capítulo do livro de Números, do pentateuco moisaico.

As principais restrições de um Nazireu são as seguintes:

1. Não beber vinho, bebidas fermentadas ou embriagantes, nem comer uvas. O nazireu deve ficar mentalmente são. (Parece que as uvas entram na lista com um significado tabu)

2. Não cortar o cabelo, deixá-lo crescer livremente. Os cabelos sem corte simbolizam a sujeição à vontade de Iahweh.

3. Não tocar nem se aproximar dos mortos. O nazireu deve ficar cerimonialmente puro, e o contato com os mortos no moisaísmo era uma das muitas regras relacionadas à pureza e impureza.

João, chamado "o batista", fez o voto permanente de nazireato, seguindo a orientação dada a seu pai, Zacarias, por Gabriel, considerado pelos espíritas como um espírito superior ligado ao nascimento do cristianismo no mundo.

Jesus foi chamado de Nazareno, por ter nascido (para quem considera improvável o episódio de Belém) ou ter passado sua infância na cidadezinha galiléia.

Cabe, portanto, uma revisão na tradução do texto da introdução de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", feita por Guillon Ribeiro.

6 comentários:

Mara Virginia disse...

Prabéns pelo blog, adorei o pos e aprendi coisas que jamais pensei que aprenderia, ficarei mais um bocadinho para beber da fonte do seu blog,muita paz.

Jáder Sampaio disse...

Mara,

Obrigado por seu comentário carinhoso.

Boa leitura.

Jáder

Flávio Mussa Tavares disse...

Uma psicoterapia de João

João Batista não é um Revelador como Moisés e Jesus, mas pode-se ser considerado o portador da Inter-Revelação. Por inter-revelação, entende-se uma preparação para a nova Revelação.
É preciso que se entenda que o ensino de Jesus é uma ruptura tão grande com a antiga ética, que se fazia necessária uma etapa prévia. Essa inter-revelação já havia sido prevista pelo Profeta Malaquias: "Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor;" (Ml 4:5)
Se a missão de João Batista é uma inter-revelação, entre que revelações ela está situada? Está justamente entre a Revelação Mosaica e a Revelação Cristã. E há um interregno de 1500 anos entre estas, com grandes mudanças culturais, políticas, sociais, psicológicas e até mesmo espirituais. Jesus aproximava-se paulati-namente da atmosfera terrestre, que gradativamente passa a respirar novas possibilidades. No decorrer destes quinze séculos, surgiu Elias, que pregou o arrependimento. E ele mesmo reencarnado como João, contemporâneo de Jesus e seu parente, conclui brilhantemente a preparação dos caminhos do Senhor.
E em que consiste a revelação intermediária?
Em primeiro lugar, não é uma revelação, pois tem caráter de alicerçar psicologicamente as mentes para a verdadeira mudança radical, que é a ética cristã. Como outrora Moisés fizera, ele apenas conduz o seu povo para uma terra prometida.
A distância psicológica entre o decálogo recebido por Moisés e o Sermão do Monte pronunciado por Jesus só poderia ser entendida se o público alvo passasse por uma espécie de psicoterapia.
É a Psicoterapia de João. Sua presença magnética favorecia a confissão e a reestruturação psíquica dos que entendiam a sua mensagem.
É necessário em nossos dias, mais que em qualquer época da humanidade, um processo psicoterápico para uma humanidade cercada de transtornos psíquicos de toda ordem. Possivelmente, uma terapia psicológica pelo método de João Batista, fosse muito bem sucedida nos chamados transtornos compulsivos.
Certa vez, fui convidado por um amigo para participar, como palestrante espírita, de um encontro aberto dos familiares de Alcoólicos Anônimos. Durante a minha breve comunicação, lembrei-me que João Batista incentivava seus “pacientes” a fazer um inventário moral antes do batismo de água, semelhante ao que fazem os grupos de ajuda mútua anônimos. Disse então, que se eles não tinham um patrono espiritual, que poderiam escolher a João Batista, pois o inventário moral é o método de João.
Tenho lido muito a respeito de João Batista. Entretanto, confesso que nunca estive diante de nada tão profundo e completo quanto os textos ora apresentados.
Trata-se de um texto de 1940, publicado na Escola Jesus Cristo, visando apenas o público interno. Reproduzimos, assim, A Vida de João Batista, de Clóvis Tavares, editado há mais de 60 anos e jamais reeditado.
O outro texto é uma palestra de meu Pai, Clóvis Tavares, pronunciada num domingo, 24 de junho de 1979, dia de São João Batista, na nossa Escola Jesus Cristo. Foi uma palestra gravada pelo nosso irmão Rubens e entregue a minha Mãe, logo após a desencarnação de meu Pai.
O intervalo entre os dois textos é de cerca de 40 anos.
Nestes quarenta anos, a vida de meu Pai também mudou em muitos aspectos. Houve mudança etária, biológica, social, psicológica, estado civil, paternidade, muitas aflições humanas... Apenas uma coisa permaneceu e fortaleceu-se: a sua Fé. A vida de meu Pai, em muitos aspectos assemelha-se à humildade e à fortaleza de João Batista.
Até mesmo a conversão de meu Pai teve um período preparatório. Num período inicial, ele pertenceu ao Grupo João Batista. E o Grupo João Batista, mais antigo que a Escola Jesus Cristo, batizou-a, isto é, introduziu-a no cenário espírita de Campos dos Goytacazes na década de 30. Quando a Escola Jesus Cristo começou a crescer, o Grupo João Batista, à semelhança da humildade de seu patrono, resolveu diminuir para que a Escola de Jesus crescesse. E enviou à Escola Jesus Cristo os seus freqüentadores, os seus palestrantes, sua experiência, a sua história.
Um evento histórico protagonizado por dois gigantes espirituais é recapitulado dois milênios depois por duas instituições que, sem nenhuma premeditação, têm os dois gigantes espirituais como patronos: João Batista e Jesus Cristo.
João Batista alegrou-se com a presença de Jesus desde o tempo em que estava no ventre de Isabel. E certamente, foi ele quem produziu em sua Mãe, Isabel, o fenômeno de segunda vista relatado por Lucas. Isabel, sentindo seus movimentos, teve a intuição da presença do Salvador e proclamou sua intuição para a posteridade.
Espero que estas páginas a todos possam suscitar os frutos esperados, do arrependimento, da preparação para uma nova etapa psicológica, de uma depuração de caráter, de padrão mental e de renovação espiritual para, finalmente, estarmos aptos a entender a mensagem de Jesus.

Flávio Mussa Tavares
Campos, 27 de outubro de 2008
73 anos da fundação da Escola Jesus Cristo

Alexandre Rodriguez Anzilotti disse...

Caro Jáder,

O problema não está na tradução de Guillon Ribeiro, visto que o mesmo termo aparece em outras traduções (LAKE, Petit, FEESP). Kardec, em L'Evangile selon le spiritisme, utiliza o termo francês nazaréen, que quer dizer nazareno, em vez do termo nazir (nazirite,nazarite), para nazireu. A dificuldade com os termos está na tradução do hebraico e, possivelmente, Kardec não atentou para este detalhe.

Obrigado.

Jáder Sampaio disse...

Alexandre,

Depois que publiquei a matéria verifiquei as demais traduções e você tem razão. Olhei dicionários de português de edição mais antiga e não encontrei a palavra nazareno com o sentido de nazirita (que seria uma possibilidade).

Gostaria de saber sua opinião, mas penso que cabe uma nota de rodapé nas traduções de "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Obrigado pela contribuição.

Um abraço

Jáder

Alexandre Rodriguez Anzilotti disse...

Concordo com as notas de rodapé nas traduções, visto que as diferenças entre nazireu e nazareno parecem estar esclarecidas, segundo as raízes hebraicas.

Seria interessante saber o que pensam as editoras.

Um abraço.