13.6.10

CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA

Figura 1: Pintura de Van Gogh
"O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo" é um livro de Kardec pouco conhecido pelos espíritas em geral.

Detive-me recentemente no item "Código Penal da Vida Futura" (Capítulo VII da primeira parte do livro). É um estudo de Kardec, fruto das muitas comunicações e questionamentos sobre a condição dos espíritos após a morte.

Apesar do título, Kardec não situa Deus na condição de juiz e executor, mas de criador da lei do progresso. No contexto da lei do progresso, as ações dos homens têm consequências óbvias nesta e em outras vidas.

A vida após a morte é uma continuidade da vida presente.

Assim, quem se prende à vida material tem dificuldades em desencarnar. A alma desprende-se do corpo com lentidão, sofre angústias ao desprender-se e pode ficar em estado de perturbação durante um tempo variável (Kardec fala em meses ou anos).

Muitos têm a ilusão de continuar vivos e sofrem as "necessidades, tormentos e perplexidades da vida".

Os criminosos sofrem com a presença das vítimas e das circunstâncias do crime.

Os orgulhosos sofrem vendo os pretensos inferiores em condição melhor que a sua.

Os hipócritas sofrem, vendo seus segredos conhecidos por todos.

Os sensualistas (Kardec os chama de sátiros) se veem impotentes para realizar seus desejos, que, exaltados, se transformam em tormento.

Os avarentos sofrem ao ver seus bens dissipados pelos herdeiros.

Os egoístas sofrem sozinhos a falta de socorro, uma vez que não socorreram a ninguém, embora sejam dignos, como todos os demais, da ajuda de espíritos superiores. Contudo, não os registram, presos em suas emoções.


Para Kardec, apesar da metáfora de "Código Penal", o sofrimento não é um castigo, mas uma consequência dos atos e escolhas do homem. Ele fará com que os espíritos compreendam que são eles próprios quem podem mudar seus destinos e que suas crenças sobre como viver eram equivocadas.


Penso que este capítulo é o que melhor disserta sobre a suposta contradição entre presciência divina e livre-arbítrio, mas isto é matéria para outra publicação.

2 comentários:

Ricardo Alves da Silva disse...

O Céu e o Inferno é um livro maravilhoso! Merece aprofundamento e divulgação constantes.

Acredito que o "esquecimento" de algumas obras acontece pelo equívoco no processo de organização das palestras públicas dos Centros Espíritas, que normalmente se pautam pelos tópicos d'O Evangelho Segundo o Espiritismo ou d'O Livro dos Espíritos.

Pensando bem, o problema não está na pauta das palestras, mas nos expositores que a partir da pauta "esquecem" Kardec, referenciando diversos outros autores, além das histórias/piadas ilustrativas, para desenvolver o raciocínio deixando de lado o "básico", que na minha opinião ainda é um horizonte mal visualizado e compreendido; avançado, portanto.

Exemplo: causa e efeito é uma lei como muitos divulgam numa interpretação equivocada de alguns autores espirituais ou é uma ferramente para instrumentalizar um princípio maior (lei) como são as leis de progresso e de justiça, de amor e de caridade (O Livro dos Espíritos)? Sobre o argumento da "lei" de causa e efeito é possível cometer muitos equívocos, inclusive o "renascimento" de uma justiça divina humanizada; sob as leis de progresso e de justiça, de amor e de caridade, temos o Deus compreendido pelo Espiritismo infinitamente bom e justo, sem carregar as deficiências humanas.

Grande Abraço!

Celia Regina De Oliveira Silva disse...

Sim que TDS.nossos irmãos tenham o bem dentro de si na prática do amor dá caridade ajudar aos irmãos e na vigilância de.si nos seus atos.