29.1.13

DÉJÀ VU: O INCÊNDIO EM SANTA MARIA-RS.



Foto de Santa Maria - RS

Uma casa de eventos cheia, na noite, com um espetáculo. A banda solta fogos no espaço fechado, para criar um visual inesquecível. Os fogos incendiaram o isolamento acústico e se espalharam rapidamente. Correria. Uma única saída. Os funcionários do estabelecimento não permitem a saída dos jovens, que se amontoavam, temendo a falta de pagamento. Fumaça, pânico, pessoas caídas e pisoteadas pela multidão. Sete mortos e trezentos feridos. Sete mortos?

Sim, não estou falando do incêndio na casa de shows em Santa Maria-RS, mas em um acidente semelhante acontecido em novembro de 2001, na capital mineira. O estabelecimento se chamava Canecão Mineiro, estava sem alvará de funcionamento, permitiu o uso de fogos inapropriados para o uso indoor, e passados onze anos, o STF estabeleceu responsabilidade da Prefeitura, há responsáveis pelo evento, mas o mais importante não aconteceu. Apesar da dor e do sofrimento dos envolvidos, o Estado não deu a devida atenção ao evento funesto, e ele se repetiu de forma quase igual, no sul do país.

Recordei-me imediatamente de uma matéria antiga que publicamos no EC, sobre o terremoto no Haiti, comparado ao do Chile. (http://espiritismocomentado.blogspot.com.br/2010/03/entre-o-chile-e-o-haiti.html Os espíritos, na metade do século XVIII, disseram:

"...Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os pode afastar, isto é, preveni-los, se souber pesquisar suas causas" (questão 741)

Bem, então, mais importante que encontrar os culpados e puni-los, é aprender  com o ocorrido e tomar medidas concretas para que ele não aconteça mais.  As investigações não estão concluídas, mas parece evidente que nossas normas e ações ainda não foram suficientes para evitar um incêndio  tão funesto. Infelizmente, fomos todos incompetentes em nosso país para aprender com o Canecão Mineiro. Por isso paira na alma mineira essa trágica sensação de déjà-vu.

Obs: Déjà-vu, expressão francesa que pode ser traduzida como o "já visto". O Dicionário Houaiss o define como "forma de ilusão da memória que leva o indivíduo a crer já ter visto (e, por ext., já ter vivido) alguma coisa ou situação de fato desconhecida ou nova para si". 

3 comentários:

Jáder disse...

Completando a matéria, li hoje Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/91364-fogo-em-boate-produziu-o-mesmo-gas-usado-por-nazistas-diz-medico.shtml

"Hidroxocobalamina é o nome do medicamento solicitado. Serve para combater a intoxicação causada pelo gás cianeto, o mesmo usado nas câmaras de gás nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial.

Era o princípio ativo do tristemente famoso Zyklon B dos campos de extermínio.

Segundo o pesquisador Anthony Wong, diretor médico do Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP) trata-se de um dos venenos mais letais, por sua capacidade de paralisar os mecanismos de produção de energia das células, matando-as.

Pois o cianeto apareceu junto com a fuligem e o monóxido de carbono dentro da Kiss, como consequência da combustão dos materiais usados no revestimento acústico.

"Não tem cheiro nem cor e é capaz de matar em um prazo curtíssimo, de quatro a cinco minutos", explica Wong. (....)

"Revestimentos acústicos de boa qualidade são antichamas e não inflamáveis, portanto não produzem o cianeto."



Arquimedes Diniz disse...

Eu já tive muitos déjà-vus. Primeira vez no teu blog, gostei de lê-lo voltarei sempre. Abraço fraterno.

Jáder disse...

Arquimedes, seja bem-vindo. O blog é nosso!