16.8.17

TRATAMENTO DE BACTÉRIAS IN VITRO COM REIKI



Rubik, Brooks e Schwartz (2006) fizeram um estudo para identificar o efeito de Reiki sobre culturas de bactérias Escherichia coli.

O que é Biocampo e o que é Reiki?

Os autores incluem o Reiki dentro da categoria das chamadas Terapias de Biocampo, nas quais “manualmente e/ou via interação pela vontade (intent) com campos de energia do paciente” o tratamento é feito por praticantes treinados. Biocampo é uma hipótese, criada a partir de diversos efeitos estudados por estes praticantes em organismos e células, à distância. O conceito de campo foi criado na física com a finalidade de identificar áreas de influência de magnetos e outros tipos de força que se exercem à distância da fonte geradora, sem conexão.

Reiki é uma palavra japonesa que significa “energia universal da vida” e denomina a técnica criada por Mikao Usui no Japão. Segundo os autores, consiste de “uma sequência de doze posições de mãos colocadas no corpo ou a alguns centímetros dele”.

Os autores descrevem inúmeros ensaios clínicos e experimentos realizados antes deles, mostrando o efeito de técnicas de biocampo (imposição de mãos e oração por membros da igreja cristã ortodoxa, por exemplo). Efeitos como aumento de nível de hemoglobina, mudanças em meridianos de acupuntura, medidos através de teste eletrodérmico, redução dos mecanismos de estresse, proliferação de culturas de células do cérebro in vitro, assim como de fungos, células de mamíferos, fermento. Outro efeito foi a proteção das células vermelhas dos processos de hemólise (destruição).

Em estudos com efeitos biológicos, com design experimental, os níveis de hemoglobina e hematócritos de 48 sujeitos recebendo treinamento Reiki, comparado com grupo controle mostrou uma melhora significante.

Os autores fizeram este estudo para mostrar que a imposição de mãos pode fazer efeito, sem que isso possa ser explicado por efeito placebo, ou seja, fenômenos psicológicos. Rubik (uma autora) já havia feito um estudo com membros da Igreja Ortodoxa Cristã, combinando prece e imposição de mãos, que teve efeito positivo no crescimento de Salmonella typhimurium.

Neste estudo, se desenhou um ensaio biológico para avaliar se a imposição de mãos do Reiki pode estimular o crescimento de cultura de bactérias Escherichia coli in vitro em condições nas quais o crescimento é impedido. Esperava-se que o Reiki pudesse estimular este crescimento.

Eles levaram em consideração três pontos: o local, a relação praticante-paciente e a presença de um paciente com necessidade de cuidados médicos. Eles consideraram que a medicina alternativa e complementar é contextual e que o contexto pode afetar essas terapias.

Como a pesquisa foi realizada

Trata-se de estudo com cegamento dos experimentadores, atribuição aleatória das culturas de bactérias para os grupos experimental e de controle, controle das amostras de bactérias correspondentes às amostras de teste em pares (emparelhamento) e processamento dos pares de amostras em ordem aleatória.
Considerando a preocupação com o lugar, separou-se um consultório com três praticantes de Reiki. Eram salas carpetadas, iluminação leve incandescente, paredes com quadros pendurados, cadeiras confortáveis e uma mesa de massagem. Essas salas tiveram a poluição eletromagnética medida e foram consideradas de igual intensidade. Possivelmente isso foi feito considerando a possibilidade das bactérias serem afetadas por ondas eletromagnéticas.

A cultura de bactérias E. coli K12 foi preparada de forma triplicada para a criação dos grupos controle. As amostras foram aleatorizadas e manipuladas aos pares e colocadas em prateleiras plásticas em duas caixas de cartão idênticas seladas.

Os praticantes de Reiki colocavam suas mãos a 10 cm das culturas, durante 15 minutos. Ao final eles preenchiam um formulário sobre seu bem-estar e satisfação (Arizona Integrated Outcomes Scale – AIOS).

Resultados



Como se pode inferir da figura acima, houve diferença significativa entre a contagem de bactérias do emparelhamento entre a cultura de bactérias tratada ou não por Reiki, apenas no contexto de tratamento (sala preparada com paciente atendido antes das bactérias). A estatística F de comparação dos grupos foi de 3,865 e a p < 0,05.

Discussão

Os autores propõem três resultados em sua pesquisa:

1.       “Reiki tem um efeito de promoção do crescimento de culturas de bactérias in vitro, sob certas condições”

2.       “O contexto de tratamento mostrou um efeito de crescimento estatisticamente significativo em culturas de bactérias”

3.       “O bem-estar dos praticantes influenciou os efeitos do Reiki no crescimento de culturas de bactérias.”

Com estes resultados, os autores entendem que o contexto é importante para o Reiki e que os estudos que não o consideram, podem não estar medindo “efeitos terapêuticos otimizados naqueles organismos”. Eles entendem também que a falta de controle da variável contexto pode explicar alguns estudos que tiveram dificuldades em replicar os efeitos de tratamento espiritual (healing) em células.

Os autores sugerem que, se este estudo for replicável, ele pode se tornar um protocolo para a condução de pesquisa básica, e que novos estudos de organismos simples como a sua fisiologia, bioquímica e genética podem ser realizados.

Há também os resultados de bem-estar dos praticantes de Reiki, cujas tabelas não reproduzimos neste texto. “Se os escores de bem-estar do praticante eram inicialmente altos, então os efeitos do Reiki na cultura de bactérias foram mais pronunciados. Se eram inicialmente baixos, então efeitos menores e até negativos nas bactérias foram observados”. (p. 11)  Eles concluem, portanto, pela importância do bem-estar do praticante para a obtenção de efeitos positivos maiores.

O estudo mediu sessão a sessão os resultados no crescimento das bactérias, e os autores entendem que os efeitos negativos observados poderiam ser resultado de “emissões energéticas negativas que se opõem, em vez de estimular, o crescimento das bactérias, associado com o biocampo humano em certos estados psicofisiológicos.” (p. 11) Eles se baseiam em um estudo de Qigong, onde a doença do mestre desta arte anulou o efeito da suposta energia em leucócitos.

O estudo põe em questão a ideia difundida no meio dos praticantes de Reiki que as energias aplicadas são originárias da “fonte universal de energia”, não sendo afetadas por qualquer estado de consciência do praticante.

Comentários

O presente estudo está baseado em uma amostra muito pequena (n = 14) o que exige que se considerem os resultados obtidos com parcimônia, porque apesar dos testes não paramétricos realizados, um pequeno número de resultados negativos pode afetar o resultado final da amostra.

Outra questão importante, não discutida, é o significado dos números no eixo das ordenadas da figura 1. Embora haja uma diferença numérica considerada significativa, o que significa a variação encontrada nas contagens de colônias de E. coli? Há outros estudos com culturas realizadas da mesma forma, sem a intervenção de terapêuticas espirituais? Qual é o crescimento médio e a variação das colônias nesses estudos?

Uma vez replicadas e aceitas as conclusões deste estudo, a prática de passes nos centros espíritas deve considerar o estado de bem-estar do passista, evitando que pessoas doentes, ou com mal-estar (mental, emocional, espiritual ou social) em outras áreas não realizem passes enquanto estiverem assim. Sugere-se replicar este estudo com bactérias, usando passistas em vez de praticantes de Reiki.

Os resultados deste estudo também apontam para que os passistas se preparem antes da atividade dos passes, e sugerem que um ambiente (sala) destinada para este tipo de atividade pode influenciar na eficácia dos passes.


Rubik, B., Brooks, A., Schwartz, G. In vitro effect of Reiki treatment on bacterial cultures: role of experimental context and practioner well-being, The journal of alternative and complementary medicine, v. 12, n. 1, 2006, p. 7-11.


Agradecimentos

A Raphael Vivacqua Carneiro pela revisão desta resenha.



"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto. Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/

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