13.1.08

O Livro Perdido de Damasceno Sobral

José Damasceno Sobral foi um dos expositores incansáveis do Grupo Emmanuel, que viajou pelo interior de Minas Gerais divulgando a doutrina até que o Mal de Parkinson limitasse seus trabalhos a um grupo familiar. Muito disciplinado e querido pelo movimento espírita mineiro, foi considerado um dos pioneiros do Espiritismo na terra das alterosas. Quem quiser conhecer mais de sua biografia, pode acessar o link http://www.uemmg.org.br/list.noticia.php/origem/1/noticia/151/titulo/Jose_Damasceno_Sobral

Eu o conheci nas viagens de divulgação da doutrina que fazia com papai (José Mário) e a amizade entre as famílias se perpetuou embora nos víssemos entre longos intervalos de tempo.Do seu grupo mediúnico, minha família recebeu as mensagens de papai cuja linguagem e análise de conteúdo mais revelam sua identidade pregressa.






Há anos guardo comigo um exemplar de seu livro de poesias, surpreendentemente desconhecido pela grande maioria do movimento espírita mineiro, dada a sua discrição. São versos livres, espirituais e psicológicos, no qual se revela sua sensibilidade e seus vôos espirituais a partir dos princípios espíritas.

Não são versos pobres ou ingênuos. A concepção do livro é moderna e o leitor tem sua atenção capturada pelas letras e imagens do poeta cristão-espírita. Os poemas, via de regra, iniciam-se no pé da primeira página e concluem-se no início do verso.

Os temas são diversos, mas a fonte de inspiração mais recorrente é a morte, ou melhor, a libertação do espírito após a morte e o conflito do homem que se divide entre a certeza da imortalidade e o sofrimento da perda. Sobral surpreende novamente quando trata de princípios e idéias doutrinárias com brevidade e consistência, sem perder a sensibilidade poética.

Algumas imagens são fortes, revelam sua personalidade ao mesmo tempo doce e determinada.

O livro foi prefaciado por César Burnier que lhe destaca o ponto de convergência entre a poesia e a filosofia e o papel demiúrgico da poesia e do poeta no mundo.

É muito difícil escolher um dos poemas para o leitor. Gostaria de deixar diversos deles (na verdade, eu gostaria mesmo é que o livro fosse reeditado, mas sei que a cada dia que passa a poesia tem menos lugar nas sociedades espíritas e o "mercado editorial" espírita decretou a morte comercial deste gênero literário), então deixo-lhe uma poesia sobre a poesia.

Eternidade da Poesia

A poesia não morre.

A poesia é o idioma das almas,

a tradução dos sentimentos

que ainda poucos homens entenderam.

Evoluindo,

ela se transforma

de trivial em filosófica,

de filosófica em transcendental.

A poesia não morre.

O homem,

na embriaguez da matéria,

é que morreu para a poesia.






4 comentários:

Joana disse...

É em homenagem a tantos destes espíritos de escol que muito deram de si mesmos à Doutrina que não podemos deixar de denunciar actos de ignorância e discriminação,divulgados na Net. Está em curso uma campanha contra a tentativa de boicote do XX Congresso Pan-americano em Porto Rico.
Convido-o a participar nela, divulgando o assunto no seu blog.
Para ler a notícia completa:

http://ideiaespirita.blogspot.com/2008/01/xx-congresso-esprita-pan-americano.html

Muita Luz
Joana

Anônimo disse...

Jader ,
fiquei mto feliz em conhecer um pouco mais de seu blog . Fiquei emocionada em ler sobre Damasceno Sobral e reler algumas de suas obras .
Gostaria mto de te pedir um favor: que postasse uma poesia de nome : Causa e Efeito . Ela faz parte do livro Almas Libertas ( meu avô , pai do meu tio Sobral , a leu para mim quando eu ainda era uma criança e parte dela ficou gravada em minha memória )
Agradeço-o antecipadamente .
Abraços fraternos ,
Joyce

Jáder Sampaio disse...

Joyce,

Você não imagina minha satisfação em poder proporcionar um momento tão especial para você. Eu conheci seu tio em vida e todos tínhamos um carinho especial com ele. Vou procurar sua poesia e postá-la.

Um abraço

Jáder

Anônimo disse...

Jáder ,
o carinho especial que todos tinham por ele, foi (sem dúvida) um grande incentivo em sua jornada.
Agradeço sua atenção e suas palavras .
Abraços ,
Joyce