24.4.08

Evento de Natal

Foto 1: Sede reformada da Associação Espírita Célia Xavier
Jáder Sampaio
Distribuição de cestas de Natal, Associação Espírita Célia Xavier, início da década de 80.

Comemorando o nascimento de Jesus, os membros da AECX se organizaram para oferecer uma festa aos assistidos e outros cidadãos de baixa renda.

Marlene Assis organizava o evento e distribuía atribuições entre os mais diferentes segmentos da casa espírita. Após uma campanha intensa com os associados, frequentadores, alunos do Reencontro Yoga e muitos membros da comunidade da capital mineira. O resultado foi um número superior a mil cestas, se não me falha a memória.

"- A cesta é apenas um presentinho nosso, uma lembrança", dizia Marlene aos grupos de mais de uma centena de pessoas que recebíamos no auditório da sede da Associação. "O mais importante é recebê-los."

Tornou-se uma tradição a mocidade da casa preparar um teatro sobre um tema evangélico. Muito amadorismo, mas muito boa vontade. As histórias impunham-se por si mesmas.

Voluntários revezavam-se ao longo do dia, alguns permaneciam horas e horas no período que compreendia as 8 da manhã e, não raro, as 10 da noite.

Marlene dava as boas vindas, fazia com que os participantes se levantassem, movimentassem, cantassem, descontraíssem. Alguns se emocionavam com as músicas, outros com a peça, alguns com as luzes. Alguns riam um sorriso com poucos dentes e muita gengiva.

A peça terminava e começava o adeus, sempre embalado por um orfeão desordenado composto de todos os voluntários que cantavam "Noite Feliz", até que o último convidado saísse do salão, colocasse sua lembrancinha às costas e voltasse para casa, cheio de algo incomum.

Neste ano em especial, foi-se formando uma pequena multidão ao redor da casa. Pessoas que não receberam convites souberam por conhecidos da distribuição de cestas e uma nuvem de descontentes ameaçava a integridade da casa.

Houve quem pensasse na polícia para conter as pessoas, mas o mal estar era iminente. Decerto que a iniciativa estava longe de resolver o problema social da capital mineira, que se manifestava.

Terminadas as festas e as "lembrancinhas", Marlene pediu que estimassem o número dos que estavam à porta. Más notícias. O número de cestas que havia sobrado era muito inferior ao número de pessoas.

Até hoje não sei que espírito a iluminou, talvez tenha sido mesmo a sua experiência e perspicácia. Marlene nos colocou a todos em fila dupla, entre as duas portas da AECX que existiam à época. Falou-se à massa que não havia cestas para todos, mas que cada um ganharia alguma coisa. Eles recebiam um pacote, ora de arroz, ora de feijão, ora de macarrão, sempre acompanhado de alguma coisa extra. Nós cantávamos, uma canção mais alegre, infantil, e cada um dos manifestantes passava igualmente sorridente em meio ao corredor de vozes que se formou O olhar antes desconfiado e amargo tornava-se infantil, vinha à tona alguma coisa perdida há muitos anos, do tempo da inocência.
Nós vimos, não sem algum assombro, a paz vencer por alguns momentos a violência.


3 comentários:

Anônimo disse...

Deste Natal em particular não participei, porém de muitos outros, no Lar Espírita Esperança, eu guardo no coração. Impossível não se recordar daquelas confraternizações, do espírito de fraternidade que nos unia e da disposição de servir. Hoje, já adulto, essas lembraças pacificam minha alma quando as dificuldades da vida batem à minha porta.
Bem sábios são nossos amigos espirituais quando, incansavelmente, nos ensinavam de que o maior beneficiado pelo Bem é aquele que O pratica.
Um grande abraço amigo Jáder.

José Luiz Moreira

Nahur Fonseca disse...

Ate' hoje, e todos os anos, Marlene de Assis realiza esta campanha de Natal.

A pesagem das cestas, a organizacao do salao, as boas-vindas, o teatro, a licao, as cancoes e o orfeu de Natal.

Ela diz que nao faz isso por ela, pois ja' fez muito. Mas que faz para os espiritas.

Juntando um pensamento colhido nas palestras de Raul Teixeira.
Provavelmente, Marlene continua essa tarefa para aqueles espiritas que estao chegando agora no Espiritismo, os que se deslumbraram quando o Espiritismo chegou em suas vidas. Estes ainda precisamos dar mais um passo, o da compaixao, o da caridade, para o Espiritismo poder sair em forma de bem.

clícia ribeiro disse...

Meu caro Jader, histórias assim, nos motivam para que estejamos sempre no trabalho bendito da seara de Jesus.
Abração