15.7.10

KARDEC E A RELIGIÃO NATURAL


No livro Obras Póstumas, encontra-se uma comunicação de um médium de Marseille (Jorge Genouillat) que trata do futuro do Espiritismo. É uma mensagem de abril de 1860 e define um papel ao Espiritismo junto ao cristianismo.

"O Espiritismo é chamado a desempenhar imenso papel na Terra. Ele reformará a legislação ainda tão frequentemente contrária às leis divinas; retificará os erros da História; restaurará a religião do Cristo, que se tornou, nas mãos dos padres, objeto de comércio e de tráfico vil; instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai diretamente a Deus, sem se deter nas franjas de uma sotaina, ou nos degraus de um altar. Extinguirá para sempre o ateísmo e o materialismo, aos quais alguns homens foram levados pelos incessantes abusos dos que se dizem ministros de Deus, pregam a caridade com uma espada em cada mão, sacrificam às suas ambições e ao espírito de dominação os mais sagrados direitos da Humanidade." Um Espírito

É um discurso forte, diria até mesmo revoltado, contra os abusos cometidos por alguns membros do catolicismo passado. Ele reflete bem o espírito francês que moveu a sociedade na direção da revolução francesa, marcada pelo Iluminismo.

Desconheço como foi feita a organização do livro Obras Póstumas, e não encontrei na pesquisa que fiz este texto na Revista Espírita. De qualquer forma, ele se acha ligado a Kardec e atribui ao Espiritismo o papel de revisão do cristianismo.

2 comentários:

Joao Donha disse...

No prefácio do Volume de 1869, de sua tradução da Revue (EDICEL,1976), Júlio Abreu Filho escreve: "Este volume contribui também para o esclarecimento do problema de 'Obras Póstumas', o livro que encerra os escritos inéditos deixados por Kardec. A publicação desses trabalhos na Revue, logo após o passamento do Mestre, com aprovação de sua viúva e de seus companheiros e sucessores, anula qualquer suspeita sobre a legitimidade dos mesmos".
Pouco antes, no mesmo prefacio, está: "Os exemplares dos quatro (sic) primeiros meses foram publicados em vida do Codificador. O quinto, que é do mês de abril, ele deixara redigido e em fase de preparação gráfica. Essa a razão porque nem sequer registra o seu passamento. Esse exemplar se inclui naturalmente entre as suas obras póstumas".

Pelo que sei, juntando esses escritos guardados por Kardec para futuros números da Revue e publicados postumamente na forma como o Abreu Filho relata acima, o Leymarie, em 1889 ou 90, lança o "Obras Póstumas".

Jáder Sampaio disse...

João,

Muito obrigado pelo esclarecimento. Júlio Abreu é um trabalhador memorável.

Um abraço

Jáder