29.7.12

RECORDAÇÕES DE ALCIONE MIANA MACHADO


Alcione Miana Machado


É muito comum escrever-se sobre líderes e expositores atuantes no movimento espírita que desencarnam. Hoje faremos diferente. Vamos escrever sobre uma trabalhadora espírita e pessoa de bem.

Alcione desencarnou recentemente, vítima de um acidente vascular cerebral hemorrágico e um mês de luta pela vida em centro de terapia intensiva. A família enfrentou com carinho e resignação, não sem tristeza, todo este período desgastante de idas, vindas e expectativas. Um belo gesto, às vezes incompreendido pelos espíritas menos esclarecidos, foi a oferta incondicional de doação de órgãos após o protocolo de confirmação da morte encefálica. Um último ato de caridade, que seguramente seria endossado por Alcione, se ela estivesse consciente.

Alcione ligou-se ao movimento espírita desde a infância, ao que sei. Embora de grupos diferentes dentro da mesma casa, frequentamos a mocidade da AECX e estivemos juntos em algumas atividades, como o Coral que a maestrina Anésia regia. Bela voz, um pouco tímida no início, Alcione transformaria a música em um de seus instrumentos de trabalho futuros.

Formou-se em Psicologia e foi atuar na Psicologia Escolar, no Lar Espírita Esperança. O Lar foi uma iniciativa de nossa casa espírita, uma instituição grande para o nosso fôlego, bem construída, mas carente de trabalhadores contratados e voluntários. Alcione tornou-se com o tempo a coordenadora-administrativa da equipe da creche, que passou a ser fruto de um convênio entre o Lar Espírita e a Prefeitura de Belo Horizonte.

Crianças, professores, pais, voluntários, todos passavam pelos cuidados gentis e criteriosos de Alcione. Ela praticamente abriu as portas e facilitou todo o trabalho de campo do meu doutorado. As crianças a abraçavam e respeitavam, sempre paciente e risonha. As professoras e pedagoga a tinham como referência e trabalhavam sob sua atenciosa diligência. Os eventos extra-creche, no Lar Espírita, sempre contavam com sua colaboração voluntária na organização e respeito às regras necessárias para que o espaço fosse utilizado sem criar qualquer risco para a saúde das crianças. Ela era a autoridade presente nos dias de funcionamento da creche, embora não fosse a superintendente.

Alcione estava presente também na organização e execução das reuniões de pais, ação importante para o fomento da participação da família das crianças na creche e solução de problemas diversos.

Fora do seu trabalho profissional, como voluntária, Alcione tornou-se um dos coordenadores da mocidade espírita da casa. Anos de dedicação aos adolescentes e jovens.  Mais que respeitada, tornou-se pessoa querida entre os jovens, e apesar de sua condição de adulta jovem, eram muitas as brincadeiras sobre seu tempo de participação no grupo, o que ela recebia com bom humor.

Voz cristalina, cantava com os jovens, organizava e incentivava orfeões infantis na creche, mais de uma vez organizou ônibus e excursões para que eles fossem cantar em diversos lugares.

Sem trabalhadores deste quilate, não há atividades espirituais. Fundadores podem conceber e até registrar em cartório, mas este tipo de colaborador funciona como os membros e o sangue do corpo laboral. Sem Alciones, os trabalhos definham e fecham-se. Ela não apenas contribuiu pessoalmente, "colocou a mão na massa", como serve de inspiração aos que mais se preocupam com seu próprio ego que com a continuidade, qualidade e funcionamento das atividades institucionais.

Sentiremos sua falta, Alcione. Lembraremos de você na alacridade dos jovens, nas festas das crianças do Lar Espírita, nas iniciativas de grupos musicais de nossa casa, e nos muitos espaços nos quais você deixou marcas. Lembraremos de você quando assistirmos as palestras do Pedro, com sua memória prodigiosa, quando encontrarmos a jovialidade da Anésia, e ao conversar com seus irmãos e sobrinhos, que são nossos amigos diletos e presentes. Você nos antecede, e empreende cedo a grande viagem, mas sua presença não se apagará com facilidade de nossas almas, posto que se acham marcadas com o perfume de suas ações.  



7 comentários:

Anônimo disse...

Compartilho dos sentimentos. Muitas tarefas que realizei no LEE foram apoiadas e facilitadas por ela. Muitas atividades dos Departamentos de Mocidade também receberam seu apoio e contribuição. Amiga pessoal e da família, trabalhadora do tipo "Madeira de Lei"...
EH.

Anônimo disse...

Ela "é" a alegria e sorriso em pessoa!!! Continuarah as atividades
do lado de lah...
Luiz Henrique A.Soares

Flávia disse...

Mais uma vez, me emocionei com as lembranças. Ótimo texto e homenagem mais que merecida. O que fica é a saudade em nossos corações.

Anônimo disse...

Obrigado Jader, como de fato a TICI é fora de série, será sempre um exemplo.
Anésia

Anônimo disse...

Essa moça linda é minha irmã. Só que agora não temos como ver essa alegria junto de nós...abraçá-la... ouvi-la... Que importa! Ela continua viva, plena, só um pouco diferente, com certeza com mais luz!Obrigada Jáder pelas palavras de carinho.
Alcimara

Anônimo disse...

Muito mais que minha prima a Alcione era a minha irma de coracao. Ela iluminou a vida de todos ao seu redo e eu sou uma pessoa muito abencoada de poder te-la em minha vida. As lembracas ficaram eternamente guardadas no meu coracao.

Sheilla

Jefferson disse...

Excelente Jáder.
De fato Alcione fica em nossa memória afetiva como uma doce trabalhadora da seara espírita e uma querida irmã de alma.
Jefferson