9.1.13

SIMPÓSIO INTERNACIONAL ABRE INSCRIÇÕES PARA TRABALHOS SOBRE LITERATURA MEDIÚNICA



A Universidade Federal de Goiás comunica a organização e chamada de trabalhos para o III Simpósio Nacional de Letras e Linguística e para o II Simpósio Internacional de Letras e Linguística. Entre os diversos grupos de trabalho, chamou-me a atenção o grupo abaixo, que se volta ao estudo da Literatura Mediúnica. Confiram aqui.



GT 10
A CHAMADA LITERATURA MEDIÚNICA EM QUESTÃO

Coordenadores: Prof. Dr. Ozíris Borges Filho (UFTM)
Prof. Dr. Sidney Barbosa (UnB)

Por literatura mediúnica entendemos o texto escrito por um médium e atribuído a uma entidade denominada de espírito, alma, fantasma ou gênio. O processo de recebimento desse texto, que pode ser literário, se dá, mais comumente, por um processo que é chamado de psicografia. O pesquisador italiano Ernesto Bozzano (1998) chama a essa literatura de “literatura de além túmulo”. Nesse sentido, pode-se afirmar, com toda a certeza, que a literatura mediúnica é um fenômeno cultural principalmente brasileiro há mais de um século. Devido a intenso programa editorial levado a efeito pelos espíritas
kardecistas e a uma grande aceitação do público leitor, milhões de livros mediúnicos já foram vendidos no Brasil e traduzidos para vários outros idiomas. Trata-se, geralmente, de poemas, romances, contos, crônicas, ensaios, histórias infantis e mensagens de autoajuda. Há romances mediúnicos que já tiveram mais de oitocentos mil exemplares vendidos. Para os padrões editoriais brasileiros, isso constitui um verdadeiro sucesso de
público. Textos desse tipo vêm constando das famigeradas “listas dos mais vendidos” em órgãos da imprensa popular, tais como a Revista Veja, na categoria que chama de “autoajuda e esoterismo”. No entanto, apesar dessa penetração maciça na sociedade brasileira como um todo e apesar de ser um fenômeno editorial desde o início do século passado, a literatura mediúnica vem passando quase despercebida pela crítica literária e pela Universidade no Brasil. Dessa situação surge uma pergunta evidente: por que livros
que contam com sucessivas edições e dezenas, às vezes centenas, de milhares de exemplares não chegam a interessar os acadêmicos e jornalistas da “grande imprensa”? Apenas nos anos 40 do século XX, com o chamado “caso Humberto de Campos”, é que houve uma movimentação da crítica literária pelos grandes jornais de todo o país com participação, inclusive, de membros da Academia Brasileira de Letras. Fora esse momento histórico, a crítica silenciou-se a respeito dessa produção literária. É bem verdade que dissertações e teses vêm sendo feitas nas mais diversas universidades do
país, notadamente a partir dos anos 1980, mas, mesmo assim, a produção é pequena e pouco divulgada. Este GT propõe-se a iniciar um trabalho que pretende romper com esse silêncio da crítica literária brasileira. Independente da ligação desse tipo de literatura com as religiões, a pergunta central que nos fazemos é: Que objeto é esse? Nosso propósito é a investigação científica desse corpus tão extenso. Receberemos inscrições de comunicações dos mais diversos tipos de pesquisadores sem restrições quanto ao método crítico adotado na análise da obra literária mediúnica. Serão bem-vindos trabalhos de pesquisa que abordem os textos literários mediúnicos tanto do ponto de vista das teorias literárias quanto das teorias linguísticas, independente das correntes críticas a que estejam vinculados.

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