17.10.14

POR QUE OS ESPÍRITOS APRESENTAM-SE TRAJADOS PARA OS MÉDIUNS?





Estamos estudando o livro Devassando o Invisível, de Yvonne Pereira, em nossa reunião mediúnica e fizemos uma espécie de estudo preparatório, sobre a vida da autora-médium. Pesquisa aqui e ali,  tivemos a satisfação de encontrar uma autobiografia nas páginas do Reformador de janeiro e fevereiro de 1982.

Yvonne fez apenas o ensino primário, que era equivalente à primeira metade do ensino fundamental dos dias de hoje. Ela, contudo, nunca deixou de ler e escrever, o que fez com que muitos de seus leitores perguntassem-lhe se era professora. Sempre me surpreendi favoravelmente com os detalhes dos romances que ela psicografou, acho que já tive a oportunidade de comentar anteriormente.

O capítulo 2 do “Devassando” é sobre as roupas dos espíritos. Talvez Yvonne tenha sido questionada sobre suas descrições detalhadas da aparência dos espíritos que percebia e aproveitasse a oportunidade para discutir a questão.

A médium de Tolstoi começa argumentando em Allan Kardec, e faz uma análise detida de dois capítulos importantes das obras dele: o capítulo 14 de A Gênese (que trata dos fluidos) e “O laboratório do mundo invisível”, de O Livro dos Médiuns. Vê-se que ela se baseia na teoria espírita para discutir a questão proposta. Depois Yvonne mostra seu conhecimento dos clássicos, citando Denis e Bozzano, com a finalidade não apenas de mostrar a posição dos autores, mas de resgatar em outras fontes descrições detalhadas das roupas dos espíritos percebidas por médiuns outros, que não ela, e distantes do seu meio de relações.

Observei que Yvonne não ficou fazendo comparações de trechos isolados dos autores, mas construiu um texto argumentativo que expõe claramente a literatura que dispunha em sua época.

Ao fim da leitura do capítulo do livro, pudemos concluir que não há nada de estranho nos espíritos apresentarem-se vestidos. As roupas são elementos identitários, possibilitam que médiuns e outros espíritos sejam capazes de reconhecê-los, além de expressarem sua psique, que funciona como instrumento de ação nos fluidos espirituais e no períspirito. Como a autora tem um pé na literatura, ela ilustra sua tese com a forte frase de Joana D’Arc, respondendo ao inquisidor que lhe pergunta se São Miguel lhe aparecia desnudo: “Pensas que Deus não tenha com que vesti-lo?”



O trabalho de Yvonne merece ser lido e relido por nossa geração. Fui aos poucos identificando um capítulo que tinha revisão teórica, problema de pesquisa, relatos de percepções mediúnicas oriundas de médiuns diversos, argumentação e conclusão. Como se vê, não é a escolaridade, isoladamente, que ensina as pessoas a pensar.


Ainda em tempo, a Federação Espírita Brasileira publicou um livro com o título “À Luz do Consolador”, no qual agrupou muitas das publicações de Yvonne na revista Reformador ao longo dos anos. Ele não pode passar despercebido a quem se interessa pelo estudo do espiritismo.

4 comentários:

Pedro Camilo disse...

Pois é, Jader. Yvonne realizou algo próximo de un trabalho acadêmico, o que deve inspirar os médiuns atuais. A autobiografia a que você se refere também se encontra, transcrita, no livro "À luz do consolador'. Curiosamente, também estou reestudando a obra, para um novo trabalho. Aquele abraço! Pedro Camilo

Mauricio disse...

Amigo Jáder, muito interessante o seu texto.

Por acaso, ontem mesmo conversando com uma moça, desencarnada há apenas algumas décadas, ela comentou sobre capas de revistas espíritas nas bancas de jornal, com nuvens, roupas dos espíritos todos de branco. Disse-me que achou isto tudo muito engraçado e que não tem nada a ver com a realidade. A maioria se veste como gosta, nem necessariamente da última encarnação.

Nos últimos anos, em variadas ocasiões por intermédio de médiuns amigos, conversando com "espíritos amigos" que trabalham em um mesmo lugar (eles chamam de vila), pode ser mesmo um pequeno agrupamento humano com trabalhos de resgate etc. Bem, o que nos interessa aqui, em muitas ocasiões os amigos espirituais contaram do estranhamento e até das brincadeiras de uns com os outros pelas variadas vestimentas e maneira de se apresentar.

Em uma ocasião, comentaram sobre professores de origem francesa, provavelmente apresentando-se com costumes e vestimentos do século 18, com perucas, e como antigos escravos, na ocasião seus alunos em cursos de alfabetização se divertiam e riam das suas roupas. Até que eles desistiram pelo menos de usarem as perucas, costumes provavelmente muito arraigado.

Algumas vezes também se referiam a alguém que deve ser um dos coordenadores dos trabalhos da Vila como "o homem de saia", o qual deve se apresentar com aparência do primeiro milênio, ou da época grego-romana e mantinha este costume.

Teria muitos causos para comentar sobre isto.

E realmente é interessante esta convivência entre pessoas desencarnadas de formação cultural, histórica, muito diferente. Além do que lembramos que há muito mais semelhança entre os mundos de cá e de lá do que se imagina...

Grande abraço

Mauricio

Jáder Sampaio disse...

Pedro,

Seus trabalhos sobre a Yvonne são sempre instigantes. Já estou curioso.

Grande abraço

Jáder

Adilson Assis disse...

Jáder, convido-o a ler 3 artigos que escrevi sobre Chopin motivados pelos relatos de Yvonne sobre este adorável Espírito na Erraticidade: http://veredasespiritas.wordpress.com/2009/04/30/a-dupla-imortalidade-de-frederico-chopin-1ª-parte

Sempre defendi q temos o dever moral de manter Yvonne viva no meio espírita!

Abcs fraternos,