12.6.12

A ENFERMEIRA DOS ESPÍRITOS



Dona Odete

Extremo Sul da Bahia, década de 90. Convidado a fazer uma palestra em no Centro Espírita Semente de Luz, em Mucuri, fiquei conhecendo Dona Odete.

Ela havia sido fundadora desta sociedade espírita, mas tinha uma longa trajetória anterior na participação em casas espíritas. Sua experiência mais interessante foi com uma médium de efeitos físicos que durante anos trabalhou em reuniões de materialização e tratamento em Teófilo Otoni, Minas Gerais, chamada de Sinhá, segundo sua filha Vera.

Os doentes participavam da reunião. Dona Odete assumia a frente dos trabalhos como se fosse uma enfermeira. Organizava, preparava o material que seria utilizado, agendava os presentes, entre outros cuidados. Um de seus cuidados mais especiais era com os vidrinhos de vacina que esterilizava, rotulava, enchia com água e colocava à vista dos membros da reunião. Ao longo da sessão, sob a ação espiritual, a água dos vidrinhos mudava sua constituição: uma nova cor, um novo odor e um sabor diferente. Cada vidrinho, destinado ao tratamento de uma pessoa diferente, podia apresentar uma coloração diferente dos demais. Um detalhe: eles estavam fechados e lacrados.

Outra peculiaridade da reunião: os espíritos materializavam-se na penumbra e conversavam com os presentes. Dona Odete guardou consigo uma fita K7 na qual registrou de forma amadora as vozes dos seres que surgiam e se manifestavam. É, talvez, além da memória dos que participaram, o único registro que fizeram e que resistiu ao tempo.
Comentários, orientações, explicações, um humor leve, tudo isto se encontra nos muitos minutos de gravação. José Grosso e Palminha são alguns dos espíritos materializados que falaram ao público (e tiveram suas vozes registradas pelo gravador).

Ao terminarem-se as sessões, estavam escritas as prescrições e orientações de uso do conteúdo dos vidrinhos. Como não havia curiosidade científica, não tenho notícia de qualquer envio para análise das substâncias modificadas ao longo das sessões. Uma pena!

Odete informou-me que uma vez Chico Xavier foi assistir aos trabalhos. Ele advertiu aos organizadores que aquele tipo de mediunidade tornar-se-ia cada vez mais raro. De fato, hoje se contam nos dedos os grupos que trabalham com efeitos físicos, e são mais raros ainda aqueles que obtém fenômenos expressivos, com participação de ectoplasma tangível e visível. Será que na presente encarnação ainda assistirei um renascimento deste tipo de fenômeno para fins de estudos controlados? Espero que sim.

5 comentários:

Soraia disse...

Boa tarde, Jader!
Li seu artigo e acho interessante notar que nos dias atuais não se houve mais falar destas manifestações, a não ser quando a mídia quer fazer algum sensacionalismo sobre o tema.
Embora nunca tenha presenciado este fenônemo creio que ele seja real e muito interessante.
Talvez a ausência destes fenômenos seja por conta das vibrações a que estamos sujeitos hoje em dia não serem as mais favoráveis ou, quem sabe, por não haver tanta necessidade de se "provar" a existência da vida além túmulo.
De toda forma, as palavras de Chico, pelo visto se confirmaram.

Abraços.

Ricardo Alves da Silva disse...

Muito interessante, Jáder!

De vez em quando também me faço a mesma pergunta. Será que fenômenos mediúnicos como estes realmente são coisas do passado?

Confesso que me incomoda uma certa aceitação de teorias que buscam explicar que fenômenos como os publicados hoje por você tornaram-se desnecessários. Existiria um processo de "evolução" para fenômenos mais intuitivos. Como assim?!

Se a mediunidade é um dos meios de pesquisa espírita, como podemos aceitar que uma ciência com pouco mais de 150 anos tenha amadurecido a tal ponto de dispensar uma das suas "ferramentas"? Isso se olharmos apenas pelo lado de pesquisa. Será que também não tem muito o que fazer na área de atendimento aos sofrimentos humanos, através de uma mediunidade bem trabalhada em benefício do próximo? E os temas atuais da sociedade, os Espíritos não têm como continuar contribuindo com suas opiniões por médiuns vários?

Quando penso nisso, lembro da comparação que Emmanuel faz, no livro Paulo e Estevão, entre os ambientes observados nas igrejas de Jerusalém e de Antioquia. Onde vivia um ambiente de pura fraternidade, os fenômenos aconteciam de forma evidente e continuada, onde não... O problema então não estaria nos momentos atuais vividos, mas como vivemos os momentos que nos cabem.

Abraços!

Ademir Xavier disse...

Ola Jader,

Se vc souber eventualmente de qq. resquício de grupo, ainda que não apresente fenômenos ostensivos de materializações, não deixe de me avisar.

Certamente, eles serão cada vez mais raros mas não desaparecerão...

Forte abraço,
Ademir Xavier

Jáder disse...

Amigos Leitores,

Se Kardec estiver certo, a mediunidade é faculdade orgânica, ou radicada no organismo. Sendo assim, em suas formas muito ostensivas ela é rara, mas existe. O que diminuiu com o passar do tempo foi a atenção dada pelo movimento espírita aos fenômenos classificados como de efeitos físicos, e o foco da atenção se deslocou aos fenômenos de efeitos inteligentes ou intelectuais. O montante das publicações são uma indicação disso. Mas os médiuns de efeitos físicos continuam por aí...

Carlos Eduardo Marques Chiarelli disse...

Bom dia a todos
Tive o privilégio de entrar em contato com o tema através do livro A FACE OCULTA DA MEDICINA do Dr. Paulo Frutuoso um médico cirurgião oncologico que há 30 anos trabalha no Lar Frei Luiz no RJ, livro fantástico recomendado a leitura a quem se interessar no assunto .