6.7.17

DEOLINDO AMORIM CONHECE CARLOS IMBASSAHY

Carlos Imbassahy



Quando me reconheci espírita, Carlos Imbassahy já havia desencarnado, mas tive a honra de conhecer Deolindo Amorim. Hoje estava passando os olhos no livro "Ideias e reminiscências espíritas", escrito pelo Deolindo como uma rajada de vento sobre as pessoas que conheceu no movimento espírita. Encontrei, então, o parágrafo em que ele conhece o Bozzano Brasileiro:

Deolindo Amorim

"Lembro-me, com emoção, como se fosse hoje. Estava eu, com alguns companheiros, organizando o I Congresso de Jornalistas e Escritores Espíritas. Fui procurar Carlos Imbassahy para aceitar a incumbência de uma das teses do Congresso. Ainda não o conhecia de perto, e naturalmente esperava encontrar um homem diferente, cerimonioso, um tanto formal ou, talvez, um escritor fechadão, de pouca conversa. Estava na praia. Fiquei esperando. Pouco depois, vinha ele, calmo, de calção de banho, juntamente com Da. Maria, a inseparável esposa, sempre de alma aberta a todos quantos ali chegavam. Imbassahy "desarmou-me" logo, porque me tratou com intimidade, como se já fôssemos velhos conhecidos. Deixou-me à vontade. Insistiu para que almoçasse com ele. Claro que aceitou o convite da Comissão Organizadora do Congresso e apresentou realmente uma tese sobre o Espiritismo e as religiões.

Nunca mais nos separamos. A casa de Imbassahy passou a ser, para mim, mais do que a residência de um amigo, onde eu sempre ficava como se estivesse em minha própria casa. Mais do que tudo isto, a casa de Imbassahy sempre foi, para mim, como tantos e tantos confrades, uma escola, no sentido mais eminente, um templo de bondade. Conversando, brincando ou discutindo em sua casa, a gente estava sempre aprendendo. Aprendia-se Espiritismo, como se aprendia sociabilidade sem máscara nem convencionalismo, como se aprendia o amor do idioma, tanto quanto se aprendia o culto sadio do lado belo da vida e das coisas. Respirava-se ali, naquele recanto de Icaraí, até nas simples brincadeiras e nos trocadilhos, até nos hábitos domésticos e nas conversas informais, um ar de grandeza e dignidade."

Livro: Ideias e reminiscências espíritas
Autor: Deolindo Amorim
Editora: Instituto Maria
Páginas 116-117
s.d.

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