2.10.20

MUITOS RESULTADOS NEGATIVOS NA ANÁLISE DE CARTAS PSICOGRAFADAS POR MÉDIUNS BRASILEIROS

Os pesquisadores Elizabeth Schmitt Freire, Alexandre Caroli Rocha, Victor Scio Tasca, Mateus Moreira Marnet e Alexander Moreira-Almeida publicaram na revista Explore um artigo intitulado “Testando a escrita alegadamente mediúnica: um estudo experimental controlado” (Testing alleged mediumistic writing: na experimental controlled study).

Essencialmente, foram estudados oito médiuns psicógrafos cujo nome não foi divulgado, em função do anonimato previsto pela ética de pesquisa. Foram fornecidos a eles 98 fotos de pessoas desencarnadas, fornecidas pelos parentes à pesquisa, com uma média de 7 a 46 fotos por sessão (p. 3). Os médiuns só tinham acesso às fotos no início da sessão, e o pesquisador que as levava não teve contato com os familiares das pessoas. Os médiuns pegavam na mesa as fotografias das pessoas que eles julgavam perceber e psicografavam uma carta aos parentes. A grande maioria dos médiuns comentou espontaneamente “que se sentiu confortável durante as sessões e que se sentiu confiante que foi capaz de entrar em contato com o desencarnado”.  Os pesquisadores gravaram os comentários que os médiuns fizeram acerca das comunicações e os transcreveram, criando o que chamaram de “descrições”.

Após a coleta de dados, produziram-se 78 cartas e 64 descrições a partir de 18 sessões mediúnicas. Cada consulente (sitter) recebeu um conjunto de seis cartas e seis descrições, sendo uma das cartas e uma das descrições atribuídas ao parente ou amigo do qual ele desejaria ter notícias. As cinco outras cartas e as cinco outras descrições eram de desencarnados com o mesmo gênero e idade aproximada.

Essencialmente os consulentes avaliaram as cartas e as descrições com uma escala que tem 4 itens que vão de “estou certo que esta carta não se refere ao meu parente ou amigo” a “estou certo de que esta carta se refere ao meu parente ou amigo”. O mesmo foi feito com as descrições. Há classificações intermediárias, como “possivelmente se refere” e “possivelmente não se refere”.

Havia também uma escala para avaliar os itens de informação, mas não houve muita informação objetiva (informação que pudesse ser verificada, como profissão, roupas que vestia, instituições que participou, qualquer coisa que pudesse identificar objetivamente o espírito ou não) no conteúdo das cartas em geral (p. 5). 

A análise das cartas e descrições (apenas as que seriam referentes aos desencarnados em questão) apontam, em geral, para sua não identificação. Vinte cartas não foram consideradas dos desencarnados ou provavelmente não o seriam. 19 descrições também ficam  nesse grupo. 4 cartas foram classificadas como provavelmente ou certamente escritas pelos desencarnados que se desejava contatar. 6 descrições provavelmente seriam dos desencarnados.

Os dados acima podem ser vistos no gráfico de colunas abaixo:

Figura 1: Escores obtidos dos consulentes referentes às cartas e descrições dos desencarnados que eles desejavam contatar, realizada a partir da Escala de Avaliação Global.


Os pesquisadores concluem pela incapacidade da maioria dos médiuns em fornecer “informação anômala” sobre os desencarnados em condições experimentais rigorosas. Três hipóteses explicativas são aventadas para a explicação desses resultados:

1. Os médiuns não são capazes de obter informações anômalas;

2. Alguns médiuns são capazes de obter informações anômalas, mas os que foram estudados não;

3. Os médiuns participantes do estudo não obtiveram informações anômalas porque as condições da pesquisa foram muito restritivas e artificiais.

Os autores levantaram algumas condições que poderiam ser observadas nos próximos estudos com médiuns psicógrafos em busca de melhores resultados.

Independente do resultado obtido, o estudo merece a leitura dos espíritas, especialmente os que praticam a mediunidade, no sentido de possibilitar debates e reflexões sobre as reuniões que mantemos, as capacidades reais de nossos médiuns e o que podemos ou não oferecer ao grande público com segurança, em matéria de informação. 

Outros estudos com médiuns já mostraram resultados com informações objetivas fornecidas por médiuns que não poderiam tê-las obtido por aprendizagem ou mesmo fraude, mesmo em estudos experimentais controlados. Que possamos aprender com os fatos e desenvolver mais os cuidados que dispensamos na identificação, desenvolvimento e educação dos médiuns, bem como com a avaliação, confirmação e divulgação de informações obtidas pela via mediúnica.

Elizabeth Schmitt Freire, Alexandre Caroli Rocha, Victor Scio Tasca, Mateus Moreira Marnet e Alexander Moreira-Almeida, Testing alleged mediumistic writing: na experimental controlled study, Explore, New York, Elsevier, 2020 (article in press)

6 comentários:

  1. Pesquisas como essa são importantes e ajudam os espíritas a tomarem precauções, verificarem por conta própria antes de anunciar ou disponibilizar os serviços mediúnicos.

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  2. Parabéns pelo belicismo trabalho.

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  3. Vou transferir os parabéns aos membros da equipe de pesquisa, eu apenas resumi em português o trabalho para facilitar a leitura por parte dos interessados em geral.

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  4. Não gratifico a médiunidade apenas como ferramenta de comunicação entre os dois planos da vida mas como meio eficaz para o crescimento espiritual na aquisição de virtudes. 🙏

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  5. Prezado leitor,

    Muitas pessoas aqui e no facebook, principalmente receberam de forma defensiva a pesquisa que eu apenas estou resumindo em português para incentivar a leitura do texto completo.

    Até onde sei, não é objetivo dos pesquisadores provar ou não a existência da mediunidade, nem fazer juízos de valor sobre o trabalho dos médiuns. A questão, como quase todas as questões de pesquisa, é bem mais simples.

    Muitos médiuns trabalham, com boa vontade e boa fé, no Brasil, tentando passar cartas de pessoas desencarnadas para seus familiares e amigos. Essa atividade está disseminada em diversos centros espíritas. Essas cartas oferecem elementos de identificação objetiva dos afetos das pessoas? Em pesquisas anteriores, nos Estados Unidos, obteve-se uma resposta positiva a essa pergunta através de pesquisas. E no Brasil?

    Os médiuns foram convidados a participar, nenhum deles foi "pego de surpresa", a metodologia foi exposta, e nesse pequeno grupo experimental de oito médiuns que gentilmente se dispuseram a participar, obteve-se poucas informações sobre os espíritos desencarnados, apesar dos médiuns assegurarem que se tratava deles.

    Isso é bem diferente do que obtinha-se, por exemplo, com a faculdade mediúnica de Chico Xavier. É diferente do que obtinha-se com a Sra. Piper e diversos outros médiuns.

    O que aconteceu? O que podemos aprender com o estudo? O que podemos mudar na nossa prática mediúnica, principalmente considerando a ética de se tratar com pessoas enlutadas, muitas em sofrimento psíquico.

    É essa a minha proposta com a publicação desse trabalho. Asseguro que a equipe é de profissionais muito bem formados, e que quem ler os outros trabalhos já publicados por alguns deles sobre a mediunidade vai se surpreender. Asseguro também que têm um conhecimento muito grande da literatura espírita e da literatura de pesquisa da mediunidade, o que infelizmente, não é o usual dos espíritas no Brasil. Eles se fecham em alguns livros e se supõem (muitos, felizmente não todos) no domínio do conhecimento sobre a mediunidade, e alguns agem preconceituosamente para com espíritas de outras nacionalidades e outros estudiosos, vaidosamente acreditando que não conhecem o que eles conhecem.

    Recomendo que meditemos e, se nos encontramos em situação de preconceito, façamos um esforço para tratar com justiça quem quer que seja que honestamente vem tentar dar uma contribuição ao conhecimento que temos sobre a mediunidade.

    Agradeço a participação de todos.

    Jáder Sampaio, pelo Espiritismo Comentado

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