25.10.11

AFINAL, O ESPIRITISMO É RELIGIÃO?

Temos um novo livro tratando do espiritismo no Brasil, publicado a partir de uma dissertação de mestrado em ciências sociais, escrito por Célia Arribas. Não o li ainda, mas achei muito curioso comparar uma entrevista da autora dada à TV Mundo Maior com a entrevista que foi para o Jô.
 
Qual é a sua opinão, leitor?




2 comentários:

Anônimo disse...

engraçado, ao final da entrevista com o Jô ela se sente muito acoada...Não se disse espírita mas da família espírita, alguém que viveu no movimento espírita e etc. Ao ser perguntada sobre se acredita em reencarnação desviou-se do assunto buscando afastar o trabalho acadêmico de socióloga das crenças pessoais. Deixou a moral cristã como elemento que a aproxima do espiritismo. Enfim, achei que pra ela é religião e todas as afirmações da existência do espírito são conteúdos de crença como ela mesma afirma na entrevista ao programa espírita. dizer que a inserção do espiritismo no brasil e sua criminalização, conduziram à uma tomada de posição religiosa por parte do movimento não apresenta nada de novo...O mais interesante é ver como deve ser angustiante para um acadêmico ser espírita estudando o espiritismo e justamente ter que se manter nas convenções porosas do edifícios humanos. Que afastamento ela pretende? a sociologia contemporânea é a primeira a afirmar a impossibilidade de uma ciência isenta de valores. dizer que o espiritismo é religião não produz nada de novo...reitera o que todo mundo já sabe. Os estudos academicismo sobre religião são sempre reducionistas, pois já acontecem com uma petição de princípio, que um dos lados (notadamente a ciência) tem autonomia e autoridade para tomar o outro como objeto de estudo. Esta posição é em si mesma moral, porém de uma moral que se diz neutra, moral de onde toda a moral deve ser afastada ou para fora na cabeça ou corações dos outros ou simplesmente para dentro do coração do pesquisador que enfim vitoriosamente consegue afastar as as crenças do conhecimento "objetivo" que é capaz de produzir...

Ricardo Alves da Silva disse...

Compartilho algumas impressões do Anônimo.

O Jô é um entrevistador extremamente opinativo e ele deixou claro logo de início que não dá para Espiritismo ser Ciência, na ótica dele, e normalmente não existe muito espaço para discordâncias no programa. Nesse ponto ela recuou e não apresentou nenhum dado novo, aceitando o aspecto religioso conforme normalmente é tratado, mesmo que de forma equivocada.

Outro ponto interessante também, como consequência da "aceitação" citada, é a afirmação dela de que a vertente científica proposta por Kardec parte do pressuposto da aceitação da existência do Espírito. É compreensível que, frente à pressão do Jô em catalogar Espiritismo como religião, tenha faltado habilidade ou espaço para ela trabalhar esta informação, mas o segundo ponto não. A Ciência Espírita, desenvolvida por Kardec, parte de fenômenos não definidos ainda, e que ao longo do estudo caracteriza a existência dos Espíritos.

Na entrevista para a TV Mundo Maior ela está diante de uma entrevistadora que demonstra sua satisfação da confirmação que Espiritismo é religião, ou seja, fica um bate bola para confirmar o que se quer que seja confirmado.

Tentando concluir a minha impressão sobre as 2 entrevistas, que ficou meio confusa e talvez não esteja sabendo expressar (agradeço a paciência e ajuda dos leitores do blog!):

Na do Jô ela confirma que Espiritismo é religião porque o Jô definiu a tônica da entrevista, intimidando-a, não permitindo o desenvolvimento de qualquer outro raciocínio diferente;
Na da TV Mundo Maior, ela confirma porque é fácil confirmar, ela está diante de uma entrevistadora que reflete a opinião majoritária do movimento espírita, que também não consegue entender a vertente científica do Espiritismo.

Sobre a dubiedade dela se identificar como espírita (ou simpatizante) e reencarnacionista (dá para ser espírita sem sê-lo?), sendo entrevistada e querer ser reconhecida como acadêmica, não vejo outra explicação a não ser preocupação de ter sua carreira acadêmica limitada por se afirmar espírita.