21.1.14

PÚBLIO CORNÉLIO LÊNTULUS, VOCÊ EXISTIU?



"Roba de Timbério" - Frase do Dr. Axel Munthe, atribuída aos nativos, em O Livro de San Michele

Há alguns anos estávamos na plenária da LIHPE (Liga de Pesquisadores do Espiritismo) quando um dos participantes pediu informações sobre a existência de Públio Lêntulus, personagem de Emmanuel em "Há Dois Mil Anos", que teria sido sua encarnação à época de Jesus.

Baseado em uma série de arrazoados de um amador, estudioso da história romana, ele defendia a inexistência de Públio Lêntulus, com base na falta de registros. Dizia, se não me falha a memória (o historiador amador), que os nomes dos senadores romanos eram todos conhecidos e que o personagem não existia. A carta de Públio Lêntulus (a que descrevia Jesus), muito veiculada, parecia falsa, e ele explicava suas inconsistências.

Trabalhei muitos anos como pesquisador nas universidades, e sei que as áreas de conhecimento são muito complexas, ainda mais a história, que está sempre sendo objeto de descobertas e estudos. Contudo, eu não tinha formação para debater com os críticos, e não encontrei, nos estudos superficiais que fui capaz de fazer, informações que fizessem avançar o debate, então fiquei no meu canto, à espera de coisa melhor. A bem do espiritismo, aceitei que Emmanuel poderia ter criado um personagem, posto que se trata de um romance, já que as evidências à sua existência não pareciam favoráveis. Isso não diminuiria a contribuição e as inumeráveis evidências fornecidas através da mediunidade de Chico Xavier.

Por outro lado, já havia participado de outras discussões, onde o aparente não é como se mostra. História antiga é uma ciência que exige base, conhecimento de meios e fontes, muitas fontes. Os grandes autores da universidade que conheço aprendem bem rapidamente a evitar afirmações bombásticas, a dizerem-se donos da verdade ou a fazerem afirmações universais incondicionais, porque sabem que basta uma fonte, um dado, uma pequena pesquisa, para levar ao chão uma teoria que na verdade é um castelo de cartas. Por isso, os grandes pesquisadores procuram ser cuidadosos com seus temas e parcimoniosos (parcimônia é considerada uma virtude pelos pesquisadores, aqui em Minas se diz que "quem fala muito, dá bom dia a cavalo"). Eles afirmam suas conclusões com base nas informações que têm, e deixam à comunidade científica o trabalho de corroborar ou falsificar (no sentido de encontrar evidências contrárias) o que argumentam. Por sinal, desejam pares que se interessem por seus problemas, com quem possam dialogar, apesar dos orgulhos e vaidades do gênero humano. 

Finalmente, parece que um historiador simpatizante da possibilidade da veracidade da informação de Chico Xavier, empreendeu suas energias e tempo para buscar novos dados para esta questão. Encontrou novas fontes e informações para cotejarmos com a crítica já publicada. Pessoalmente, gostei do cuidado no relato dos caminhos que ele trilhou até chegar às conclusões lapidadas que fundamentam a tese da existência real de um Públio Cornélio Lêntulus, que poderia, sim, estar na Judeia, tratando de assuntos pessoais, com a autorização do imperador, e que por isso não seria autoridade superior a Pôncio Pilatos, entre outras informações importantes. 

Creio que ainda estamos no meio do caminho, e há muito o que se estudar, mas fico muito feliz em ver o tema avançar realmente com base em pesquisa cuidadosa, e não em arroubos ruidosos.

Remeto o leitor ao seguinte endereço eletrônico para degustar o belo trabalho de Carlos Henrique Nagipe Assunção, e agradeço ao Alexandre Caroli Rocha e ao Geraldinho Lemos a informação da publicação.

10 comentários:

carlos henrique nagipe assuncao disse...

Olá, sou o pesquisador a que se refere no post. Parabéns pelo texto. Achei muito sincero e direto! o texto que você leu está incompleto, melhor dizendo, retirei muitas informações dele para que ficasse mais aprazível a leitura. mais adiante, deverá sair na revista Reformador (em abril. Segue nos meses de maio e junho). Dentre as informações encontradas e que não foram reveladas ainda, há um motivo muito forte e incontestável para que Públio Lentulus tivesse escrito a carta descrevendo Jesus. Falo do motivo, e não do conteúdo. Essas e outras informações serão divulgadas em breve. Aguarde!
Boa noite!
Parabéns pelo blog.

Jáder Sampaio disse...

Carlos Henrique, muito obrigado pelo apoio. Aguardo a publicação completa para ler e comentar. Parabéns pelo trabalho de fôlego.

Anônimo disse...

Prezado sr. Jáder Sampaio,
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Também tenho, durante vários anos, pesquisado acerca da existência da personagem “Públio Lêntulo”, tendo concluído, fortemente, pela sua inexistência, tanto no que se refere ao documento denominado “Carta de Lêntulo” (“epistula Lentuli”), que o consenso histórico considera uma falsificação dos sécs. XIV-XV dC, quanto no que se refere, especificamente, às informações (adicionais) que a psicografia “Há Dois Mil Anos” fornece a seu respeito.
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Não é de meu conhecimento a existência dum pesquisador que fundamente a inexistência de Lêntulo no fato de que “os nomes dos senadores romanos eram todos conhecidos [obviamente, não são...] e que a personagem não existia”. Com certeza não sou eu essa pessoa (embora eu seja, sim, um pesquisador diletante, amador, e não seja formado em História), e, sinceramente, gostaria, se possível, que o sr. me dissesse quem é essa pessoa que utiliza tal argumentação (tosca) para afirmar a inexistência de Lêntulo.
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Minhas pesquisas vêm sendo disponibilizadas no portal “Obras Psicografadas” (obraspsicografadas.org), do sr. Vítor Moura Visoni, podendo ser acessadas, lidas e, é claro, comentadas por qualquer um. Convido-o, também, a lê-las e a comentá-las, pois creio que muito se poderia ganhar num processo de troca de informações e de impressões.
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Acerca da recente pesquisa do sr. Nagipe Assunção, referida em seu portal, algumas considerações foram por mim postadas no “Obras Psicografadas”, nos “links” a seguir, que eu solicitaria fossem divulgados, no intuito de fornecer ao maior número possível de pessoas a maior quantidade possível de informações acerca do tópico em epígrafe:
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http://obraspsicografadas.org/2014/lntulo-o-sufeta-resposta-a-nagipe-assuno-parte-1-apresentaes-e-explicaes/
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http://obraspsicografadas.org/2014/lntulo-o-sufeta-resposta-a-nagipe-assuno-parte-2-uma-noite-nos-fasti-caando-pblio-lntulo/
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http://obraspsicografadas.org/2014/lntulo-o-sufeta-resposta-a-nagipe-assuno-apndice-1-figuras-de-cristo-parte-1-de-3/
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http://obraspsicografadas.org/2014/lntulo-o-sufeta-resposta-a-nagipe-assuno-apndice-1-figuras-de-cristo-parte-2-de-3/
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http://obraspsicografadas.org/2014/lntulo-o-sufeta-resposta-a-nagipe-assuno-apndice-1-figuras-de-cristo-parte-3-de-3/
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Desde já agradeço sua consideração, e me coloco à disposição para quaisquer esclarecimentos. Sds,
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José Carlos Ferreira Fernandes.

Jáder Sampaio disse...

Prezado Sr. José Carlos,

Não o conheço e não me recordo do nome do defensor da inexistência de Públio Lêntulus. Teria que pesquisar os diálogos da LIHPE para procurar o que escrevi de memória. Pode até ser o senhor, mas recordo-me que ou o senhor ou um dos defensores de sua tese escreveu que os senadores romanos são conhecidos e não há menção do personagem de Emmanuel, e sobre esta memória redigi o comentário. Creio que isso não é importante, posto que posso estar errado ou equivocado, mas o debate da existência do personagem é que deve nortear nosso diálogo. Pessoalmente, como espírita, não considero esta questão fundamental, mas felizmente estamos em um país democrático após muitos anos, e todos têm o direito de expor o que pensam... Qual é sua motivação ao tratar o tema? Fraternalmente. Jáder

Anônimo disse...

Prezado sr. Jáder Sampaio:
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Posso lhe garantir que minha argumentação (e minhas razões) para duvidar da existência de Lêntulo não incluem o fato de a lista de senadores de Roma estar completa (obviamente não está, muito longe disso), e de, nessa lista, não constar nenhum Lêntulo. A situação, quanto a isso, é bem mais simples, e ampla: não há nenhuma menção a Lêntulo, por ninguém, até ao séc. XV dC, sendo que a “carta”, a primeira (e, até à psicografia “Há Dois Mil Anos”, a única) menção, somente foi atribuída a um “Lêntulo” posteriormente – inicialmente, desde meados do séc. XIV dC, circulou anônima, e nem sequer como carta.
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Quanto ao que me anima a me dedicar a esse assunto, é o gosto pela pesquisa histórica e a busca de esclarecimento. Creio que algo semelhante também deve ocorrer com a LIHPE. Sds, e sempre à disposição,
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JCFF.

carlos henrique nagipe assuncao disse...

Prezado anônimo,
Anos atrás houve uma afirmação, assinada pelo senhor, de que na lista do Senado Romano, não havia o personagem de Há dois mil anos.

Reveja o seu texto, pois ele contém erros.
Um deles é a sua conclusão de este personagem é o Publio Cornelio Lentulus Scipio. Este foi cônsul em 24. O Públio Cornelius Lentulus a que me refiro foi em 27. São duas personagens diferentes.
Há estudiosos na atualidade que falam sobre a existência deste personagem, cuja a vida é, ainda, desconhecida. Entretanto, a fonte do século XIX é inequívoca.
Reveja outros pontos do seu artigo, pois ainda há outros erros.
Não pretendi em momento algum esgotar o assunto. Apenas chamar a atenção para um novo dado que merece ser investigado. Se, adiante, eu concluir que este personagem é outro totalmente diferente, certamente o declararei.
Sem mais,
Carlos Henrique

carlos henrique nagipe assuncao disse...

Prezado senhor anônimo, amplio aqui as minhas ideias:

- o senhor se apoia neste link para defender que tal personagem é um Públio Scipio:

http://db.edcs.eu/epigr/epi_ergebnis_en.php

o conteúdo está assim:
There were found 2 inscriptions.

Publication: Allifae 00004 = Campania p 63 = AE 1990, 00221 EDCS-ID: EDCS-05200100
Province: Latium et Campania / Regio I Place: Sant'Angelo d'Alife / Allifae
] / [K(alendis) Iul(iis) L(ucius) Iunius Silanus C(aius) Vellaeus Tu]to[r] / [3]nius C(ai?) [f(ilius) IIvir(i)] / [praef(ectus) 3 Pa]quius Clem[ens] / [M(arcus) Crassus Frugi L(ucius) Calpu]rnius Piso / [K(alendis) Iul(iis) P(ublius) Lentulus Scipio C(aius) Sallus]tius Passienus / [3]sius C(ai) f(ilius) IIvir(i) / [

Publication: IAM-02-01, 00129 = AE 1954, 00260 EDCS-ID: EDCS-08800113
Province: Mauretania Tingitana Place: Banasa
sibi] / liberis pos[terisque suis cooptave]/runt / P(ublius) Lentulus Sci[pio 3] / [3 Vale]ntiae B[anasae

Se o senhor ler corretamente, perceberá que são duas inscrições diferentes, provavelmente de anos ou séculos diferentes:
uma da Mauritânia (norte da África) e outra da própria Itália.
A primeira se refere aos suffectus, mas não há nenhuma referência ao Scipio.
A placa, que até cita um Scipio, está em um outro contexto, de outro continente e em momento nenhum o aponta como o suffectus do ano 27.
Por fim, não há nenhuma foto postada das placas e, tratando-se de um banco de dados de arqueólogos ao redor do mundo, é possível que essa confusão particular tenha vindo de algum estagiário.
Se o senhor continuar suas investigações neste mesmo banco de dados (se que já não o fez), encontrará 13 inscrições (com fotos) de placas do Públio Cornélio Lentulus a que me referi.

Na verdade, eu tenho uma pergunta:

em 2008, o senhor publicou um artigo, cujo conteúdo está no link abaixo:

http://obraspsicografadas.org/2008/livro-h-dois-mil-anos-uma-fraude-histrica-completa-2/#comment-42132

Destaco o trecho a que me refiro. É uma lista de Cornélius Lentulus do início do Império. Todos foram cônsules e o senhor os enumera:
18 aC: Públio Cornélio Lêntulo Marcelino, filho de Públio, e Gneu Cornélio Lêntulo, filho de Lúcio (no ano 18 aC, ambos os cônsules foram Lêntulos – o ano é comumente designado como “ano do consulado dos Lêntulos”)
· 16 aC: Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião, filho de Públio, neto de Públio
· 14 aC: Gneu Cornélio Lêntulo, o Áugure, filho de Gneu
· 3 aC: Lúcio Cornélio Lêntulo, filho de Lúcio (neto de Lúcio)
· 1 aC: Cosso Cornélio Lêntulo, filho de Gneu (neto de Gneu), dito Getúlico
· 2 dC: (sufeta): Públio Cornélio Lêntulo Cipião, filho de Gneu, neto de Gneu
· 10 dC (sufeta): Sérvio Cornélio Lêntulo Maluginense, filho de Gneu, neto de Gneu
· 24 dC: Sérvio Cornélio (Lêntulo) Cétego, filho de Sérvio, neto de Gneu
· (sufeta) Públio Cornélio Lêntulo Cipião, filho de Públio, neto de Gneu
· 25 dC: Cosso Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Cosso, neto de Gneu
· 26 dC: Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Cosso, neto de Gneu
· 27 dC: Lúcio Cornélio Lêntulo Cipião, filho de Públio, neto de Gneu
· 51 dC: Sérvio Cornélio (Lêntulo Cétego Cipião) Salvidieno Orfito, filho de Sérvio, neto de Sérvio
· 55 dC (sufeta): Gneu Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Gneu, neto de Cosso
· 56 dC: Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião, filho de Lúcio, neto de Públio
· 60 dC: Cosso Cornélio Lêntulo Getúlico, filho de Cosso, neto de Cosso
· 68 dC (sufeta): Públio Cornélio (Lêntulo) Cipião Asiático, filho de Públio, neto de Públio

carlos henrique nagipe assuncao disse...

(cont.)
Lembrando que o texto é de 2008. Todos estão corretos, exceto um:

O Lúcio do ano 27 d.C. e que o senhor aponta como sufeta (suffectus, em latim) não existe nesta época. Exatamente aí, em todas as listas possíveis da internet, em livros, inscrições (como a que citei no banco de dados)consta Públio Lentulus.
Minha pergunta, e que eu apreciaria muito se fosse respondida:
O senhor, no seu trabalho extenso de pesquisa teve acesso a essa lista de cônsules romanos, preferiu ocultar este personagem em particular a fim de evitar problemas para si ou cometeu um erro crasso como pesquisador?
O senhor se utiliza da Prosopografia do Império Romano, destacando todos os lentulus conhecidos, para dizer que este não existiu. Está no artigo! Eis então que surge esse Públio Lentulus...
Segundo o livro Who was in the Roman world de autoria de Diana Bowder e editado na Inglaterra (o senhor pode adquirir a versão PDF na internet mesmo.), em 1200 anos de História da Roma Antiga, viveram cerca de um bilhão de romanos, sendo que só conhecemos uns poucos milhares, e ainda assim muitos só por inscrições bem vagas e que não revelam detalhes. Todos os conhecidos estão reunidos na Prosopografia. Logo, como o senhor pode afirmar no texto do link que destaquei acima, que esse Públio Lentulus do Há dois mil anos não pode ter existido? Que base pode ter pra isso? O senhor tenta remontar a carreira de uns poucos Cornélius conhecidos e afirma com todas as letras que esse do HDMA não pode ter existido?
Eu entendi exatamente o que afirmei na postagem anterior.
Da mesma forma que tive a oportunidade de ler, referindo-me a uma artigo seu sobre os nomes romanos adotados por Emmanuel, que "Fábio Cornélio" (personagem de 50 anos depois) é uma aberração (pode não ter sido exatamente este termo, mas o significado foi o mesmo), mas o senhor não sabe que existiu uma família importante do segundo século e que um dos seus membros foi prefeito pretoriano na época do imperador Antonino Pio? Consulte mais uma vez a Prosopografia e encontrará o personagem a que me refiro.
Consulte também o mesmo Banco de dados acima e, com um pouco de paciência, encontrará também um Helvídio Lucius (loucura! O cara tem o prenomen atrás do nome gentílico.


Enfim, penso que se buscamos a verdade, ela tem de ser imparcial.
Assim sendo reafirmo que se chegar conclusão de que este Públio Lentulus é outro, eu divulgarei com certeza.

Teria muito mais indagações, mas por hora é só.

Cordialmente,
Caíque

JCFF disse...

Acerca dos questionamentos do sr. Nagipe Assunção, solicitaria aos interessados que acessassem o seguinte “link”:
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http://obraspsicografadas.org/2014/ainda-lentulo-o-sufeta-resposta-a-nagipe-assuncao/
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Ao dispor,
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JCFF.

moi disse...

JADER SAMPAIO DISSE:
1- “A bem do espiritismo, aceitei que Emmanuel poderia ter criado um personagem, posto que se trata de um romance, já que as evidências à sua existência não pareciam favoráveis. Isso não diminuiria a contribuição e as inumeráveis evidências fornecidas através da mediunidade de Chico Xavier.”


2 – [...]”o debate da existência do personagem é que deve nortear nosso diálogo. Pessoalmente, como espírita, não considero esta questão fundamental[...]”

Prezado Jader,

Você focou o ponto essencial do assunto, que assim se resume: “se Emmanuel existe todos os pecados são perdoados”. Na sua concepção, o guia maior de Chico poderia bem ter criado o personagem, visto que ditara ao médium um “romance”. Entretanto, cabe destacar que, nas palavras iniciais do livro, dirigidas ao leitor, é dito que o relato constitui “recordações de Emmanuel”. Isso nos leva a supor que, mesmo sendo narrativa romanceada, Emmanuel teria vivido na Palestina e conhecido Pilatos, Jesus, etc. Por outro lado, ficando evidenciado (como o estudo do Sr. José Carlos explana) que o enredo do romance contém erros históricos numerosos, a demonstrar que quem produziu a obra não fosse aprofundado conhecedor da história romana e da dos hebreus, podemos suspeitar fortemente que o livro é de fonte terrena, nada, pois, de inspiração espiritual nele se registra.

Voltemos a considerar a premissa inicial: “se Emmanuel existe...”, então, o aspecto primordial do problema está na existência de Emmanuel. Será que existem elementos evidenciativos suficientes para se atestar que Francisco Cândido interagia com um espírito especialmente designado para assessorá-lo? Podemos, ainda, estender a inquirição: “será que Chico interagiu com quaisquer espíritos? E podemos ir mais adiante: “será que espíritos sensibilizam/comunicam com algumas pessoas especiais (intituladas médiuns)?

É óbvio que o espíritismo está alicerçado na convicção de que espíritos agem dentre os vivos. Para quem assim crê desnecessário se faz averiguar se isso é realidade ou não. Entretanto, para constatação ampla, geral, irrestrita, de modo que qualquer que tivesse contato com as lides mediúnicas não agasalhasse dúvidas, necessário se faria que os mortos dessem provas efetivas de suas presenças em meio aos vivos.

As mensagens mediúnicas (psicografias, psicofonias e outras) não servem para suprir esse reclamo, pois todas estão no âmbito humano, podendo ser oriundas da criatividade dos médiuns, ou seja, são provas para quem nelas acredite. Os “espíritos” teriam de aceitar se submeterem a testes simples e elucidativos, a mostrar concretamente que estão presentes e comunicantes. No entanto, em regra, espírito algum (nem os médiuns) admite ser assim provado. Nas poucas oportunidades em que verificações dessa natureza foram realizados o fracasso foi o resultante.

Em suma, a realidade da comunicação entre mortos e vivos está, desde o nascedouro, na berlinda, esperando por ser esclarecida. Enquanto os entes invisíveis não derem provas robustas de estarem ativos na natureza, toda e qualquer dita comunicação convence apenas quem previamente convertido à hipótese de que exista intercâmbio entre as duas dimensões. Embora a crença de cada um deva ser respeitada, tal não impede que o quadro real seja mostrado.

Saudações.