18.11.17

PLANEJAMENTO ENCARNATÓRIO? SÓ EM LINHAS GERAIS.




A Organização das Nações Unidas – ONU diz que nascem 180 pessoas por minuto no mundo, que viverão, em média, 71,4 anos. Inferindo, 94 milhões e 600 mil pessoas nascem todo o ano. Juntas, elas vivem cerca de 59 trilhões de horas.

Fiquei imaginando qual seria a infraestrutura no mundo dos espíritos para fazer o planejamento de 94 milhões de corpos por ano, ou para planejar os eventos que envolvem 59 trilhões de horas para as pessoas que encarnarão em apenas um ano nos quatro cantos do mundo.

Por que estou dizendo isso?

Os leitores da obra do espírito André Luiz, via Chico Xavier, irão se recordar, no livro Missionários da Luz, um caso de planejamento reencarnatório, intitulado “preparação de experiências”. Ele trata de um espírito, em boas condições mentais, apoiado por outros que lhe são afins, planejando a próxima reencarnação.

O autor espiritual faz uma ressalva, que há espíritos que reencarnam sem este tipo de apoio, tendo por base apenas suas promessas, endossadas pelo mais alto.

Alguns leitores apressados, ou desencantados com os revezes da vida, acreditam que tudo o que passam foi programado anteriormente. Não percebem as “causas atuais”, a que se refere Kardec, que são as escolhas que fazemos no curso da presente encarnação. Não percebem também os riscos a que nos expomos e que as ciências desvendam a cada minuto, propondo, quando possível, meios de os evitar ou reduzir.

Kardec não propunha esse determinismo reencarnatório que às vezes vemos no discurso de alguns expositores, como por exemplo, na questão abaixo de O Livro dos Espíritos (os negritos são meus):

259. Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida nós as previmos e escolhemos?

Todas, não, porque não escolhestes e previstes tudo o que vos sucede no mundo, até às mínimas coisas. Escolhestes apenas o gênero das provações. As particularidades são a consequência da posição em que vos achais e, muitas vezes, das vossas próprias ações. Escolhendo, por exemplo, nascer entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha; ignorava, porém, quais os atos que viria a praticar. Esses atos resultam do exercício da sua vontade, ou do seu livre-arbítrio. Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele evento. Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais, os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terás de andar cautelosamente, porque há muita probabilidade de caíres; ignoras, contudo, em que ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente. Se, ao percorreres uma rua, uma telha te cair na cabeça, não creias que estava escrito, segundo vulgarmente se diz.

(Dedico este texto aos meus amigos, Dr. Felipe Lessa e Dr. Ricardo Wardil.)

3 comentários:

Felipe Teixeira Lessa disse...

Grande amigo Jader. Saudades.
Obrigado pela lembrança e dedicatória. A grande questão que nos gerou dúvidas foi em relação à fatalidade deterministica do instante da morte. Creio que as perguntas e respostas do Livro dos Espíritos talvez estejam sendo mal interpretadas por nós. Num encontro recente com Dr Ricardo (que tenho um carinho enorme como instrutor e "Pai" espiritual desde tempos de mocidade) fiquei em dúvida...
O instante da morte é sempre determinado? Sempre interpretei que era programado em linhas gerais até porque, caso contrário poderíamos andar em abusos excessos e desprevinidos... O livre árbitro e responsabilidade quanto à preservação da saúde do corpo físico seria desnecessário...

Felipe Teixeira Lessa disse...

Abaixo as fontes para a angústia que proporcionou o debate.
853. Certas pessoas escapam a um perigo mortal para cair em outro; parece que não podem escapar à morte. Não há nisso fatalidade?

     — Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegando esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar- vos.

      853 – a) Assim, qualquer que seja o período que nos ameace, não morreremos se a nossa hora não chegou?

     — Não, não morrerás, e tens disto milhares de exemplos. Mas quando chegara tua hora de partir, nada te livrará. Deus sabe com antecedência qual o gênero de morte por que partirás daqui, e freqüentemente teu Espírito também o sabe, pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência.

      854. Da infalibilidade da hora da morte segue-se que as precauções que se tomam para evitá-la são inúteis?

      — Não, porque as precauções que tomais vos são sugeridas com o fim de evitar uma morte que vos ameaça; são um dos meios para que ela não se verifique.

PERANTE O CORPO

Cultivar a higiene pessoal, sustentando o instrumento físico qual se ele fosse viver eternamente, preservando-se, assim, contra o suicídio indireto.

O abuso das energias corpóreas também provoca suicídio lento.

Grande número de criaturas humanas deixa prematuramente o Plano Terrestre pelos erros do estômago.

Conduta Espírita – Chico Xavier e Waldo Vieira, pelo espírito André Luiz
TRANSIÇÃO
Emmanuel em O Consolador

146 – É fatal o instante da morte?
-Com exceção do suicídio, todos os casos de desencarnação são determinados
previamente pelas forças espirituais que orientam a atividade do homem sobre
a Terra.....;.....
E existem ainda os suicido lentos e gradativos, provocados pela ambição ou
pele inércia, pelo abuso ou pela inconsideração, tão perigoso para a vida da alma, quanto os que se observam, de modo espetacular, entre as lutas do
mundo.
Essa a razão pela qual tantas vezes se batem os instrutores dos encarnados,
pela necessidade permanente de oração e de vigilância, a fim de que os seus
amigos não fracassem nas tentações.

Jáder Sampaio disse...

Felipe, meu amigo.

Você e o Ricardo, mesmo quando ficamos algum tempo sem nos ver, são ambos pessoas muito queridas. Que bom que existem dúvidas e que podemos discuti-las. Não tenho a pretensão de dar a palavra final.

Vou dar uma lida, mas minha primeira impressão é que se trata de uma interpretação rigorosa a partir de um único ponto da obra de Kardec, que deve ser relativizada ao se consultar outros pontos. É o problema de se interpretar um autor a partir de um parágrafo isolado, e de não analisar o pensamento dele como um todo. Ele próprio relativizou a seguir o suicídio (que é uma desencarnação "antes da hora") e em outro ponto ele cita as mortes violentas. É difícil crer que todas elas foram "planejadas", que não haja mortes acidentais, como nos casos das balas perdidas tão comuns no Rio de Janeiro, que há um exército de espíritos influenciando um atirador, às vezes sob efeito de drogas, para que só desencarnem as pessoas que assim o planejaram, ou que eles fiquem intuindo a multidão ao redor para se afastar de onde passarão as balas perdidas, que saibam com antecedência exatamente quando os atiradores irão entrar em conflito armado e onde atingirão.

Na questão 854, Kardec pergunta se então não se deve fazer nada para evitar a morte, e os espíritos respondem contrariamente e asseguram que eles intuem as pessoas para evitar a "morte que vos ameaça". Se o momento da morte fosse fixo, como está sendo interpretado, não haveria necessidade de intervenção espiritual, como foi dito. E, mesmo a intuição, não é infalível, porque as pessoas são dotadas de livre-arbítrio. André Luiz narra a história de uma mãe que tenta, de toda maneira, evitar que uma filha pratique um aborto, e a filha não a ouve, e desencarna, lembra-se?

Na questão 856, os espíritos afirmam que o gênero da morte é conhecido apenas como uma consequência do "gênero de vida", que há mais probabilidade de morrer de uma forma que de outra, o que não casa com a ideia de fatalidade, mas de probabilidade.

Na questão 952 Kardec pergunta sobre paixões (no sentido amplo, como os vícios, por exemplo) que o homem sabe que "apressam o fim", ou seja, ele entende que o suicídio se dá antes do momento esperado para a morte.

Kardec trata a desencarnação natural como esgotamento dos órgãos (questão 154) como uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. Deve ser neste sentido que ele fala em fatalidade, chegada a hora, o organismo não tem como continuar vivo, embora André Luiz narre a história de Albina, que teve sua desencarnação adiada "sine die" (cap. 17, pág. 261)

Vou pesquisar mais em Kardec quando tiver um tempinho.

Bem, posso estar equivocado, e fico feliz se me mostrarem porque estou errado.

Um abraço

Jáder