28.8.17

PRECE DIMINUI ENXAQUECA?




Haleh Tajadini, Phd e colaboradores publicaram um artigo no Journal of Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine um artigo sobre o efeito da prece na intensidade da dor em pessoas com enxaqueca, em 2017.

Trata-se de um ensaio clínico controlado, prospectivo, duplo cego e randomizado. 92 pacientes foram divididos em dois grupos, aleatoriamente, cuja única diferença é que um deles (GE - Grupo Experimental) seria beneficiado com preces e o outro (GC - Grupo Controle) não seria.

Todos os pacientes foram tratados com 40 mg de propanolol de 12 em 12 horas. Foram feitos 45 minutos de prece, semanal, por oito semanas para os membros do grupo experimental.

A doença, comum a todos os participantes do estudo, foi a enxaqueca com e sem aura (uma percepção que alguns pacientes têm que as dores se iniciarão) com os critérios da International Headache Society. Os pacientes foram aleatoriamente lotados nos grupos e não sabiam se receberiam preces ou não. 

As dores foram avaliadas por uma enfermeira especialista que não sabia se o paciente avaliado pertencia a GE ou ao GC. Este procedimento evita que as crenças da enfermeira interferissem nos resultados de sua avaliação.

A distribuição da amostra foi considerada normal (teste Kolmogorov-Smirnof).

Foram estudados 92 pacientes, 82 dos quais eram mulheres com idade média de 32 anos e 75% deles eram casados. Os dois grupos tinham indicadores demográficos semelhantes. 

No início do estudo, mediu-se a dor, e compararam-se os grupos pelo teste t. Os dados são semelhantes entre os grupos, não podendo ser considerados diferentes.

Três meses depois a dor foi novamente medida. Os dois grupos tiveram redução de dor, mas a dor do grupo experimental (que recebeu preces) foi significativamente menor. A probabilidade de erro nesta afirmação é menor que 0,001 (um por mil).



Na figura acima se vê que o grupo que recebeu preces teve suas dores de cabeça reduzidas de uma média de 6,5 na escala para 4,2. Observe-se que mesmo considerando os intervalos de confiança, as dores reduziram. O grupo que não recebeu preces teve suas dores de cabeça reduzidas em média de 5,7 para 5,4. Embora o segundo número seja menor, os intervalos de confiança são muito próximos, não se podendo nem afirmar que esta redução é significativa. Chamo a atenção também para a diferença dos intervalos de confiança entre os grupos experimental e controle 3 meses após o início do experimento. Os que receberam preces apresentam média inferior, mesmo considerando os intervalos de confiança.

Apenas como curiosidade, segundo os autores, o Corão Sagrado se baseia na prece (pray), que significa "pedir por alguma coisa", "fazer uma solicitação para uma necessidade" e "procurar ajuda". Os autores também classificam a prece em "prece de conversação, prece meditativa, prece ritual e prece intercessora". 

Na discussão do estudo, os autores lembram que Wachholtz e Pargament (2008) mostraram que a meditação tem um grande efeito no decréscimo da frequência de dores de cabeça em pacientes com enxaqueca, na diminuição da ansiedade, no aumento da tolerância à dor e no bem-estar existencial, entre outros resultados.

TAJADINI, H., ZANGIABADI, N., DIVSALAR, K., SAFIZADEH, H. ESMAILI, Z., RAFIEI, H. Effect of prayer on intensity of migraine headache: a randomized clinical trial. Journal of evidence-based complementary and alternative medicine, v. 22, n,. 1, p. 37-40, 2017.


Assista às palestras do 13o. Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo - ENLIHPE no Youtube, Canal Dubem. São dois vídeos, um contendo as atividades de sábado e outro do domingo pela manhã.  https://www.youtube.com/results?search_query=13+enlihpe

25.8.17

UMA ANÁLISE DE 91 ESTUDOS DE DIFERENTES FORMAS DE TRATAMENTOS ESPIRITUAIS


Therapeutic touching

Roe, Sonnex e Roxburgh (2015) fizeram uma análise de 34 estudos em não humanos e 57 estudos em humanos de diversas técnicas de tratamento espiritual (healing), como cura espiritual, cura à distância, cura noética, prece intercessória, imposição de mãos, toque terapêutico, Johrei e Reiki.

Por estudos em não humanos, entende-se células in vitro, amostras de sangue, sementes, animais e plantas. Estes estudos foram feitos tentando entender mecanismos possíveis de atuação do tratamento espiritual e para evitar o efeito placebo, que seria um mecanismo psicológico de modificação do organismo, desencadeado pelo tratamento espiritual, mas que não é uma consequência direta dele. O efeito placebo é conhecido nos estudos de medicamentos, nos quais se dá aos sujeitos falsos medicamentos sem princípio ativo, sem que eles o saibam, para que se possa comparar efetivamente os resultados do medicamento em análise.

Nos estudos em humanos se identificaram os “ensaios clínicos aleatórios, duplo-cegos controlados”, ou seja, os estudos que compararam os efeitos do tratamento espiritual em dois ou três grupos semelhantes de pacientes, sendo um deles submetido ao tratamento espiritual e os outros a uma simulação de tratamento espiritual e à ausência de tratamento espiritual.

Eles concluem que os sujeitos sob tratamento “exibem uma melhora significante no bem-estar com relação aos sujeitos-controle” independente do placebo e dos chamados “efeitos de expectativa”.

Também mostram que há uma queda dos resultados quando os melhores estudos são selecionados por juízes que analisam a metodologia, mas ainda se mantém a superioridade dos grupos de tratamento espiritual.

Os estudos com plantas tiveram resultados significativamente menores que os estudos com animais e amostras in vitro.

Nos estudos com pessoas humanas, os resultados obtidos com Johrei e Reiki foram superiores aos do toque terapêutico. Os estudos de oração intercessora apresentaram resultados menores (mas não significativamente menores) que os demais. Outros estudos já haviam apontado este resultado (Astin, 2003) e reflete também alguns resultados de estudos atuais de larga escala que não obtiveram resultados com prece à distância. (Benson et al., 2006)

Os autores fizeram 11 sugestões para melhorar próximos estudos, porque conseguiram distinguir estudos de melhor e pior qualidade, além de dados heterogêneos. Aos interessados em realizar pesquisas, recomendo que considerem o que os autores estão propondo.

Trazendo este trabalho para o contexto espírita, os resultados apontam para uma diferença entre a oração e técnicas semelhantes aos passes (os passes trazem melhores resultados). Isto traz à memória a explicação de Allan Kardec, que distingue fluidos apenas espirituais de fluidos magnéticos (humanos) e mistos. A conclusão destes estudos é favorável a que os centros espíritas mantenham seus serviços de passes e de orações, mas não nos permitem fazer qualquer inferência sobre a técnica dos passes.

Outra questão que os autores levantam, quando estão discutindo metodologia, é sobre a mudança de valores e comportamentos das pessoas que procuram tratamentos espirituais, que envolvem hábitos como “meditação” (ou oração, no nosso contexto), “evitar abuso de álcool e remédios”, e “não realizar sexo promíscuo e arriscado”.  Este comentário é consistente com a recomendação que se faz nos centros espíritas para os que procuram passes ou orientações espirituais para solução de problemas imediatos. Além destas intervenções imediatas, é necessário repensar como se está vivendo.


Roe, C.; Sonnex, C.; Roxburgh, E. C. Two meta-analyses of noncontact healing studies, Explore, v. 11, n. 1, jan./feb. 2015, p. 11-23.


"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto.  Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/ 

23.8.17

TOQUE TERAPÊUTICO NA CICATRIZAÇÃO DE PELE DE RATOS





Souza e outros (2017) publicaram um artigo na revista Explore para comunicar o resultado de estudos sobre a influência do passe na cicatrização de ratos. Ele tem por objetivo “investigar os efeitos do toque terapêutico na contração da área da ferida e na proliferação de fibroblastos durante a cicatrização da pele em ratos”.

A cicatrização passa por três fases: inflamatória (da ferida a três dias), proliferativa (após a inflamatória e dura em média de duas a três semanas) e maturação (em aproximadamente 1 ano, 70 a 80% da pele fica intacta). A segunda fase é marcada por “epitelização, angiogênese, granulação da formação de tecido e deposição de fibras de colágeno”.

Os estudos sobre influência de imposição de mãos (energias curativas), segundo os autores, iniciou-se com o Dr. Bernard Grad, da universidade Mc Gill, no Canadá, nos anos 1960. Foram feitos estudos com um curador chamado Oscar Estebany. Como resultados ele obteve após dois meses uma incidência menor de bócio nos animais tratados e mostrou que as feridas dos animais cicatrizavam-se mais rapidamente. Como hipótese explicativa, o pesquisador entendia que havia uma aceleração das atividades celulares e enzimáticas com a imposição de mãos.

Os autores vão mostrando a evolução dos estudos, que mostram os seguintes efeitos:

  1. Aumento da reação enzimática da tripsina
  2. Obtiveram-se resultados sem a presença de um “curador”, ou seja, qualquer pessoa que conhece a técnica e desejar agir bem obteve resultados, o que foi chamado de toque terapêutico
  3. O toque terapêutico tem sido estudado e se constatou que influencia na “proliferação de fibroblastos, na resposta inflamatória, na aceleração do processo de cura, que tem efeitos no limiar das dores e que aumenta os níveis de hematócrito e hemoglobina”


Método

Fizeram feridas cirúrgicas em ratos anestesiados, do mesmo tamanho. Eles foram guardados em caixas, e tratados com água filtrada e sabão neutro. Uma vez ao dia uma enfermeira aplicava toque terapêutico impondo as mãos a cinco centímetros dos animais do grupo de tratamento.

Foram realizados dois tipos de medidas: a da área das lesões e a do número de fibroblastos. A primeira foi feita com fotografias digitais e um programa específico, com as medidas em mm2, e a segunda com amostras de tecido colhidos na região da lesão para contagem do número de fibroblastos.

Foram feitas análises estatísticas comparativas das médias dos grupos experimental e controle no quarto e sétimo dias após a lesão. Usou-se o teste Shapiro-Wilk para normalização e o t de Student bicaudal para teste de hipóteses.

Resultados

A diminuição da área ferida foi maior (p = 0,03) no grupo de tratamento, ou seja, ele cicatrizou mais rapidamente, e, ao mesmo tempo, o número de fibroblastos foi maior neste grupo (p = 0,026)
Seguem fotos comparativas de uma lesão para cada grupo.





Visualmente se pode ver que a ferida do rato do grupo de tratamento cicatrizou bem mais que a do grupo controle, e que o número de fibroblastos (os pontinhos escuros da amostra de tecido) é bem maior no rato do grupo de tratamento que no rato do grupo controle.

Discussão

O toque terapêutico (técnica semelhante à imposição de mãos e aos passes) influenciaram a cicatrização da pele e aceleraram o reparo dos tecidos, o que se constatou ao ver um maior número de fibroblastos no sétimo dia de tratamento.
O estudo corrobora as descobertas de Grad e Smith sobre Toque Terapêutico. Eles afirmam que a técnica aumenta as reações enzimáticas, especialmente as que envolvem as proteases.

Comentários


Este estudo mostra a utilidade do uso dos passes como terapia complementar para pacientes que sofreram cirurgias ou acidentes e que se encontram em processo de cicatrização. 

Novos estudos devem ser feitos em seres humanos, com controle de efeito placebo e um entendimento do processo em nível biofísico deve ser estudado.


Souza, Andre Luiz T., Rosa, D. P.C., Blanco, B. A., Passaglia, P., Stabile, A. M., Effects of therapeutic touch on healing of the skin in rats, Explore: the journal of science and healing, 2017. http://dx.doi.org/10.1016/j.explore.2017.06.006



"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto. Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/

21.8.17

LAMARTINE PALHANO JR. (1946 – 2000)





Raphael Vivacqua Carneiro



O 13º ENLIHPE escolheu como autor espírita a ser homenageado este ano, o pesquisador Lamartine Palhano Jr.

Mineiro radicado em Vitória (ES) desde a infância, Palhano foi cientista por profissão, tendo lecionado microbiologia e patologia na Universidade Federal do Espírito Santo. Publicou inúmeros artigos em revistas científicas internacionais e congressos.

Foi ativo participante do movimento espírita desde a sua adolescência, quando atuou como colaborador do Departamento de Infância e Juventude da Federação Espírita do Estado do Espirito Santo (FEEES). Ainda na Federação, atuou como Diretor de Doutrina e foi o fundador da FESPE – Fundação Espírito-Santense de Pesquisa Espírita, em 1991. Fundou também o CIPES – Círculo de Pesquisa Espírita de Vitória, em 1997. Ambas instituições tornaram-se marcos da pesquisa espírita no Brasil e publicaram diversas obras. É conhecida e aplicada por diversos grupos mediúnicos a técnica por ele desenvolvida denominada “varredura medianímica”.

É notável a versatilidade da sua produção editorial espírita.  Dentre as suas mais de 40 publicações, escreveu obras de cunho científico relatando suas pesquisas na área da mediunidade; contribuiu para a preservação da memória espírita com diversas biografias de vultos célebres espíritas; escreveu obras especificamente voltadas ao público espírita infanto-juvenil; publicou análise de textos bíblicos à luz do espiritismo; e mesmo a literatura de ficção foi brindada com um romance sobre o missionário José de Anchieta, revelando qualidades literárias até então desconhecidas.

Palhano desencarnou aos 54 anos de idade, no ano 2000, deixando extensa e valiosa contribuição para a pesquisa espírita.

Obras de temática científica:

Laudos espíritas da loucura
Transe e mediunidade
Passe - magnetismo curador
O livro da prece
Obsessão – assédio por espíritos
Evocando os espíritos
O significado oculto dos sonhos
Reuniões mediúnicas: teoria e prática
Viagens psíquicas no tempo
Imortalidade dos poetas mortos
A verdade de Nostradamus
A mediunidade nos centros espíritas

Obras de temática religiosa:

Espiritismo, religião natural
Teologia espírita
A carta de Tiago
Aos efésios
Aos gálatas, a carta de redenção
Maria de Nazaré na voz dos poetas

Obras de temática infanto-juvenil:

A estrela de Belém
Jesus aos doze anos
João Batista, o profeta do Cristo
O pastorzinho de Belém
O pequeno espírita
O reino dos céus para os humildes e pequeninos
Rosma, o fantasma de Hydesville
O velho Simeão
Os sonhos de Aurélio
Presépio
Uma páscoa diferente

Biografias de vultos célebres do espiritismo:

Meninas do barulho (Irmãs Fox)
Dimensões da mediunidade (Elisabeth d’Espérance)
Dossiê Fenelon Barbosa
Dossiê Jeronymo Ribeiro
Dossiê Peixotinho
Eusapia, a feiticeira (Eusapia Palladino)
Experimentações mediúnicas (William Crookes)
Mirabelli, um médium extraordinário (Carmine Mirabelli)
Diário de um espírita (autobiografia)

Dicionários:

Dicionário de filosofia espírita
Léxico kardequiano

Romance:

As chaves do reino: seguindo os passos de Anchieta




"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto. Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/

18.8.17

UM ESTUDO BRASILEIRO DE PASSES EM CULTURA DE BACTÉRIAS




Após o estudo de Reiki (Rubik et al, 2006) que resenhei há pouco, Lucchetti e colaboradores (2013) fizeram um novo estudo com bactérias, com a participação de passistas da Federação Espírita do Estado de São Paulo.

O estudo foi feito no Laboratório de Ciências Médicas da Faculdade de Santa Casa de Misericórida de São Paulo, que é referência para análises microbiológicas.

Método

Foram formados três grupos, o de bactérias que seriam tratadas com passe espírita (voluntários da FEESP), o que seria “tratada” apenas com imposição de mãos (feita por voluntários que não são passistas) e o grupo controle de bactérias, sem imposição de mãos (LOH) nem passes. Neste último grupo as bactérias cresceriam em seu ritmo natural (NO LOH).

Foi feita aleatorização das culturas de bactérias com programa de computador. O primeiro tubo foi submetido a passe espírita, o segundo LOH e o terceiro foi o grupo controle (NO LOH).

Os passistas tinham cinco minutos para preparar o ambiente do passe (prece e relaxamento). O passe e a imposição de mãos foram feitos por dez minutos, a dez-quinze centímetros dos recipientes que continham as culturas de bactérias.

As sessões foram feitas em três dias consecutivos. Após a aplicação os participantes preenchiam escalas de bem-estar (de zero a dez), de forma semelhante ao estudo de Rubik. A aplicação de passes e de imposição de mãos foi feita com luzes apagadas, para facilitar a concentração.

Um cuidado novo neste estudo foi aplicar passes e imposição de mãos com duas finalidades: a de inibir o crescimento das bactérias e a de promover o crescimento delas.

1.       Sem intenção: os voluntários assistiam a um vídeo de produção industrial do etanol enquanto impunham suas mãos.

2.       Com intenção de inibir o crescimento bacteriano: os voluntários eram instruídos a “matar as bactérias, porque elas eram perigosas aos seres humanos]” e assistiam a um vídeo com cenas de natureza e música relaxante.

3.       Com intenção de promover o crescimento bacteriano: os voluntários eram instruídos a “promover o crescimento das células” e assistiam ao mesmo vídeo anterior.

4.       Com impacto negativo: Os participantes assistiam a dez minutos do filme “O resgate do soldado Ryan” com cenas de violência da segunda guerra mundial e eram instruídos a impor as mãos sobre a cultura enquanto assistiam.

Resultados

Como houve desistências durante o estudo, participaram onze passistas e dez voluntários para imposição de mãos.




Senti falta de uma tabela com os valores do gráfico 1, mas é visível que o crescimento grupo controle de colônias de bactérias teve resultados semelhantes nas diferentes comparações de experimentos sem intenção, aumento, decréscimo e negativo. Isso significa que há um ritmo com pouca variação do crescimento das bactérias nas condições controladas ambientais dessa pesquisa e que as variações podem ser explicadas pelos passes.

Ao contrário do trabalho de Rubik, o aumento do ritmo do crescimento da colônia de bactérias não se verificou. Os autores explicam que não conseguem ainda entender bem o resultado (p. 631), mas especulam que o procedimento de indução dos passistas a “matar as bactérias” que fazem mal aos organismos humanos, anterior ao incentivo para fazê-las crescer, pode ter influenciado os resultados.

Outro resultado a ser considerado, é que quando os passistas não tiveram intenção nenhuma, nem de fazer crescer, nem de “matar”, o ritmo do crescimento das colônias foi igual ao da imposição de mãos e ao do ritmo natural, sem tratamento. O leitor não acostumado a interpretar este tipo de gráfico deve prestar atenção aos intervalos de confiança, que são representados pelas linhas no extremo das colunas. Eles significam que os valores da população original (no caso, o crescimento das colônias deste tipo de bactérias em geral) têm 95% de probabilidade de estar entre os limites superior e inferior representados. Se o limite superior ou inferior do intervalo de confiança de uma coluna fica dentro da faixa de valores das colunas vizinhas, pode-se concluir que a diferença obtida não é suficiente para se dizer que é menor ou maior que a do seu vizinho. Quando as faixas de valores são totalmente diferentes, há diferenças significativas, com 95% de probabilidade de acerto, entre os parâmetros das populações (em outras palavras, há diferença entre os grupos).
Analisando os intervalos de confiança dos tratamentos para o decréscimo do crescimento das colônias de bactérias, dá para ver claramente que os passistas foram eficazes em inibir seu crescimento. O mesmo padrão não é encontrado nas demais intenções.

Comentários

Como não houve o “choque térmico” na colônia de bactérias feita por Rubik e colaboradores, este estudo não pode ser considerado uma réplica do anterior.

Este estudo reforça a necessidade dos passistas no meio espírita se prepararem mental e emocionalmente para seu trabalho. Ele reforça a ideia de que os passes não são mera imposição de mãos, se considerarmos os estudos anteriores semelhantes. 

Se a atitude mental do passista interfere no crescimento ou decréscimo das culturas, sugere-se novos estudos que avaliem também a atitude mental dos pacientes.


LUCCHETTI, G., OLIVEIRA, R. T., GONÇALVES, J. P. B., UEDA, S. M., MIMICA, L.M.J., LUCCHETTI, A. L. G. Effect of spiritist "passe" (spiritual healing) on growth of bacterial cultures, Complementary therapies in medicine, v. 21, p. 627-632, 2013.



"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto. Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/

16.8.17

TRATAMENTO DE BACTÉRIAS IN VITRO COM REIKI



Rubik, Brooks e Schwartz (2006) fizeram um estudo para identificar o efeito de Reiki sobre culturas de bactérias Escherichia coli.

O que é Biocampo e o que é Reiki?

Os autores incluem o Reiki dentro da categoria das chamadas Terapias de Biocampo, nas quais “manualmente e/ou via interação pela vontade (intent) com campos de energia do paciente” o tratamento é feito por praticantes treinados. Biocampo é uma hipótese, criada a partir de diversos efeitos estudados por estes praticantes em organismos e células, à distância. O conceito de campo foi criado na física com a finalidade de identificar áreas de influência de magnetos e outros tipos de força que se exercem à distância da fonte geradora, sem conexão.

Reiki é uma palavra japonesa que significa “energia universal da vida” e denomina a técnica criada por Mikao Usui no Japão. Segundo os autores, consiste de “uma sequência de doze posições de mãos colocadas no corpo ou a alguns centímetros dele”.

Os autores descrevem inúmeros ensaios clínicos e experimentos realizados antes deles, mostrando o efeito de técnicas de biocampo (imposição de mãos e oração por membros da igreja cristã ortodoxa, por exemplo). Efeitos como aumento de nível de hemoglobina, mudanças em meridianos de acupuntura, medidos através de teste eletrodérmico, redução dos mecanismos de estresse, proliferação de culturas de células do cérebro in vitro, assim como de fungos, células de mamíferos, fermento. Outro efeito foi a proteção das células vermelhas dos processos de hemólise (destruição).

Em estudos com efeitos biológicos, com design experimental, os níveis de hemoglobina e hematócritos de 48 sujeitos recebendo treinamento Reiki, comparado com grupo controle mostrou uma melhora significante.

Os autores fizeram este estudo para mostrar que a imposição de mãos pode fazer efeito, sem que isso possa ser explicado por efeito placebo, ou seja, fenômenos psicológicos. Rubik (uma autora) já havia feito um estudo com membros da Igreja Ortodoxa Cristã, combinando prece e imposição de mãos, que teve efeito positivo no crescimento de Salmonella typhimurium.

Neste estudo, se desenhou um ensaio biológico para avaliar se a imposição de mãos do Reiki pode estimular o crescimento de cultura de bactérias Escherichia coli in vitro em condições nas quais o crescimento é impedido. Esperava-se que o Reiki pudesse estimular este crescimento.

Eles levaram em consideração três pontos: o local, a relação praticante-paciente e a presença de um paciente com necessidade de cuidados médicos. Eles consideraram que a medicina alternativa e complementar é contextual e que o contexto pode afetar essas terapias.

Como a pesquisa foi realizada

Trata-se de estudo com cegamento dos experimentadores, atribuição aleatória das culturas de bactérias para os grupos experimental e de controle, controle das amostras de bactérias correspondentes às amostras de teste em pares (emparelhamento) e processamento dos pares de amostras em ordem aleatória.
Considerando a preocupação com o lugar, separou-se um consultório com três praticantes de Reiki. Eram salas carpetadas, iluminação leve incandescente, paredes com quadros pendurados, cadeiras confortáveis e uma mesa de massagem. Essas salas tiveram a poluição eletromagnética medida e foram consideradas de igual intensidade. Possivelmente isso foi feito considerando a possibilidade das bactérias serem afetadas por ondas eletromagnéticas.

A cultura de bactérias E. coli K12 foi preparada de forma triplicada para a criação dos grupos controle. As amostras foram aleatorizadas e manipuladas aos pares e colocadas em prateleiras plásticas em duas caixas de cartão idênticas seladas.

Os praticantes de Reiki colocavam suas mãos a 10 cm das culturas, durante 15 minutos. Ao final eles preenchiam um formulário sobre seu bem-estar e satisfação (Arizona Integrated Outcomes Scale – AIOS).

Resultados



Como se pode inferir da figura acima, houve diferença significativa entre a contagem de bactérias do emparelhamento entre a cultura de bactérias tratada ou não por Reiki, apenas no contexto de tratamento (sala preparada com paciente atendido antes das bactérias). A estatística F de comparação dos grupos foi de 3,865 e a p < 0,05.

Discussão

Os autores propõem três resultados em sua pesquisa:

1.       “Reiki tem um efeito de promoção do crescimento de culturas de bactérias in vitro, sob certas condições”

2.       “O contexto de tratamento mostrou um efeito de crescimento estatisticamente significativo em culturas de bactérias”

3.       “O bem-estar dos praticantes influenciou os efeitos do Reiki no crescimento de culturas de bactérias.”

Com estes resultados, os autores entendem que o contexto é importante para o Reiki e que os estudos que não o consideram, podem não estar medindo “efeitos terapêuticos otimizados naqueles organismos”. Eles entendem também que a falta de controle da variável contexto pode explicar alguns estudos que tiveram dificuldades em replicar os efeitos de tratamento espiritual (healing) em células.

Os autores sugerem que, se este estudo for replicável, ele pode se tornar um protocolo para a condução de pesquisa básica, e que novos estudos de organismos simples como a sua fisiologia, bioquímica e genética podem ser realizados.

Há também os resultados de bem-estar dos praticantes de Reiki, cujas tabelas não reproduzimos neste texto. “Se os escores de bem-estar do praticante eram inicialmente altos, então os efeitos do Reiki na cultura de bactérias foram mais pronunciados. Se eram inicialmente baixos, então efeitos menores e até negativos nas bactérias foram observados”. (p. 11)  Eles concluem, portanto, pela importância do bem-estar do praticante para a obtenção de efeitos positivos maiores.

O estudo mediu sessão a sessão os resultados no crescimento das bactérias, e os autores entendem que os efeitos negativos observados poderiam ser resultado de “emissões energéticas negativas que se opõem, em vez de estimular, o crescimento das bactérias, associado com o biocampo humano em certos estados psicofisiológicos.” (p. 11) Eles se baseiam em um estudo de Qigong, onde a doença do mestre desta arte anulou o efeito da suposta energia em leucócitos.

O estudo põe em questão a ideia difundida no meio dos praticantes de Reiki que as energias aplicadas são originárias da “fonte universal de energia”, não sendo afetadas por qualquer estado de consciência do praticante.

Comentários

O presente estudo está baseado em uma amostra muito pequena (n = 14) o que exige que se considerem os resultados obtidos com parcimônia, porque apesar dos testes não paramétricos realizados, um pequeno número de resultados negativos pode afetar o resultado final da amostra.

Outra questão importante, não discutida, é o significado dos números no eixo das ordenadas da figura 1. Embora haja uma diferença numérica considerada significativa, o que significa a variação encontrada nas contagens de colônias de E. coli? Há outros estudos com culturas realizadas da mesma forma, sem a intervenção de terapêuticas espirituais? Qual é o crescimento médio e a variação das colônias nesses estudos?

Uma vez replicadas e aceitas as conclusões deste estudo, a prática de passes nos centros espíritas deve considerar o estado de bem-estar do passista, evitando que pessoas doentes, ou com mal-estar (mental, emocional, espiritual ou social) em outras áreas não realizem passes enquanto estiverem assim. Sugere-se replicar este estudo com bactérias, usando passistas em vez de praticantes de Reiki.

Os resultados deste estudo também apontam para que os passistas se preparem antes da atividade dos passes, e sugerem que um ambiente (sala) destinada para este tipo de atividade pode influenciar na eficácia dos passes.


Rubik, B., Brooks, A., Schwartz, G. In vitro effect of Reiki treatment on bacterial cultures: role of experimental context and practioner well-being, The journal of alternative and complementary medicine, v. 12, n. 1, 2006, p. 7-11.


Agradecimentos

A Raphael Vivacqua Carneiro pela revisão desta resenha.



"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto. Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/

14.8.17

CIENTISTA NORTE-AMERICANA ESCREVE SOBRE PASSES E DESOBSESSÃO NO BRASIL


Capa de um dos livros publicados por Emma

Emma Bragdon, PhD, publicou um trabalho intitulado “Centros de Tratamento Espíritas no Brasil” no qual considera importante o modelo dos centros espíritas brasileiros para os Estados Unidos. Ela fez 13 viagens, entre 2001 e 2004, e foi a diversos lugares, incluindo a Federação Espírita do Estado de São Paulo - FEESP, a cidade de Palmelo e o Sanatório Eurípedes Barsanulfo.

A Dra. Emma reproduz os resultados apresentados por dirigentes espíritas, que não me parecem bem fundamentados, como o “auxílio de 90% de pessoas com depressão a voltar ao normal sem dependência de drogas”. A depressão é muito confundida com a tristeza, até mesmo no meio médico e psicológico e talvez tenha sido utilizada pelo dirigente de forma leiga, e não como transtorno de depressão maior - TDM, como a autora interpreta mais à frente no texto. Ela diz que 9,9 milhões de pessoas nos Estados Unidos sofrem de TDM, sendo tratados com remédios, que têm efeitos colaterais.

Em suas observações, ela narra um caso de paciente diagnosticado com esquizofrenia, que foi acolhido no Sanatório Eurípedes Barsanulfo, passou por sessões de desobsessão, e foi acompanhado pelo médium curador Bortolo Damo (http://vaniaarantesdamo.blogspot.com.br/2016/03/bortolo-damo-meu-esposo-e-companheiro.html). O paciente melhorou, os médicos reduziram seus medicamentos ao mínimo e ele passou a fazer parte do grupo de curadores  que atendem os outros pacientes no sanatório. 

Este tipo de caso me parece bem típico dos centros espíritas em geral. Há uma tolerância generalizada com os portadores de transtornos mentais e a aceitação deles em algumas atividades, o que pode auxiliar muito no seu tratamento.

Tocou-me muito um comentário da Dra. Emma. Um médium com renome nacional, por exemplo, baseando-se no espiritualismo norte-americano adotou indevidamente práticas de remuneração associadas à mediunidade.

Emma, contudo, escreve em seu trabalho sobre o voluntariado nos centros espírita brasileiros:

“... Nós somos uma cultura materialista. A maioria das pessoas nos Estados Unidos acha razoável e certo cobrar por qualquer serviço prestado. O conceito dos espírita brasileiros, “o que foi dado gratuitamente por Deus deve ser doado gratuitamente para as pessoas” não está firme na nossa cultura. Os curadores espirituais , os médiuns de cura  e os médiuns em geral normalmente cobram por seus serviços nos Estados Unidos. Logo, nosso materialismo obstrui nossa capacidade de incorporar este aspecto do espiritismo, apesar deste preceito desencorajar charlatães que têm ambições mercenárias.” (p. 71)

Esse é um estudo baseado em observação e entrevistas, diferente do que vimos publicando, mas traduz bem o interesse de uma cientista norte-americana sobre o que fazemos e traz um olhar diferente e valorizador de muitas das práticas de passes, estudos e assistência social realizadas atualmente nos centros espíritas brasileiros. 

Bragdon, Emma. Spiritist healing centers in Brazil, Seminars in integrative medicine, v. 3, 2005. P. 67-74.



"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto. Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/

11.8.17

REDE GLOBO FAZ MATÉRIA SOBRE USO DE PASSES EM HOSPITAL




A Dra. Élida Mara Carneiro vai apresentar suas pesquisas com passes no ambiente hospitalar no 13o. Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo - ENLIHPE. Ela é autora de artigo publicado em periódico técnico internacional sobre o assunto. 

CARNEIRO, Élida Mara, BARBOSA, Luana Pereira, MARSON, Jorge Marcelo, TERRA, Juverson Alves, MARTINS, Cláudio Jacinto Pereira, MODESTO, Danielle, RESENDE, Luis Antônio Pertili Rodrigues de, BORGES, Maria de Fátima. Effectiveness of spiritist "passe" (spiritual healing) for anxiety levels, depression, pain, muscle tension, well-being and physiological parameters in cardiovascular inpatients: a randomized controlled trial. Complementary therapies in medicine, v. 30, p. 73-78, 2017.


Veja abaixo a matéria sobre os passes:



Comentários

As opiniões pessoais dos entrevistados não refletem o que se conhece sobre passes, seja via pesquisas, seja via mediúnica. Desconheço, por exemplo, evidência de envolvimento de eletricidade no passe. O entrevistado parece confundir o magnetismo animal de Mesmer com as medidas de eletromagnetismo dos neurônios ou do funcionamento do coração. A ideia de purificação da outra entrevistada é uma ideia pessoal, que reflete seu sentimento ante os passes. 

A opinião da delegada do CRM mostra desconhecimento das pesquisas relacionadas ao tema (não com o termo "passe espírita", que existem, mas como healing, laying on of hands e outras técnicas de biocampo, como temos publicado), mas ao mesmo tempo ela sabe que os procedimentos de pesquisa (usados pela Dra. Élida?) foram respeitados, como a aprovação em Comissão de Ética de Pesquisa em Seres Humanos, busca de evidências, etc.

O repórter chama de "ritual" a preparação dos passistas, mas como vimos nas publicações que fizemos, há necessidade de preparação mental e emocional deles, uma vez que os passes não são uma mera imposição de mãos. A palavra ritual remete a cultos religiosos e à crenças com base na tradição, sem fundamentação em observação, experimentação e teorização.

Por fim, há uma questão imensamente polêmica que é a da relação entre religião e espiritualidade. Esta merece uma reflexão mais detida no futuro.

9.8.17

A POESIA TRANSCENDENTE DE PARNASO DE ALÉM TÚMULO



Texto exclusivo de Alexandre Caroli Rocha para o Espiritismo Comentado

Parnaso de além-túmulo, primeiro livro de Chico Xavier, é uma antologia poética psicografada que, em 1932, era composta por 60 poemas atribuídos a 14 autores. Ao longo de suas edições, o livro foi crescendo, até que, em 1955, estabilizou-se com 259 poemas atribuídos a 56 poetas brasileiros e portugueses.
Entre esses, encontram-se nomes consagrados, como Fagundes Varela, António Nobre, Júlio Diniz, Castro Alves, Olavo Bilac etc.; nomes pouco conhecidos, como Cornélio Bastos, Albérico Lobo, Lucindo Filho etc.; e mesmo poetas anônimos, como A. G., Alma Eros, Marta e Um desconhecido.

Em minha dissertação de mestrado (Letras, Unicamp, 2001), estudei mais detidamente os poemas atribuídos aos portugueses João de Deus, Antero de Quental e Guerra Junqueiro e aos brasileiros Cruz e Sousa e Augusto dos Anjos. Na pesquisa, utilizei importantes estudos a respeito desses poetas, a fim de verificar se particularidades descritas pelos críticos também fazem parte dos versos psicografados.

Notei que, em grande medida, características formais e temáticas dos autores estudados também estão presentes nos versos mediúnicos. A constatação nos permite inferir: quem concebeu os poemas, além de possuir diversas habilidades poéticas, conhecia muito bem singularidades sutis daqueles autores, as quais foram apreendidas e explicitadas nos estudos críticos em que me apoiei.

Durante os 23 anos que se passaram entre a primeira e a edição definitiva de Parnaso, a cada nova edição o volume ia crescendo; novos poemas e novos autores eram acrescentados, e alguns poemas foram suprimidos. Havia também revisões, igualmente atribuídas aos autores espirituais; era uma obra em construção.

Esse processo sugeria que alguém estava encaminhando a antologia para alguma direção, visto também que, no mesmo período, outros livros de poemas psicografados por Chico Xavier foram publicados. Haveria, assim, um planejamento particular ao Parnaso, que demorava tanto para chegar a sua forma definitiva? Ou se tratava de um acúmulo aleatório de poemas?

Ao analisar o histórico das edições, cheguei à conclusão de que sua versão final teve como propósito abranger, sob a forma poética, todos os principais temas de O livro dos espíritos, de Allan Kardec. Na dissertação, mostro o alinhamento temático que a antologia de Chico Xavier estabelece com o livro de Kardec.
A dissertação está disponível aqui:

http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/269864