1.5.08

Superinteressante de Maio: Médiuns


A Superinteressante de maio tem como matéria de capa o assunto médiuns, focalizando três temas: investigação de crimes, cirurgias espirituais e psicografia.
Ao ler a matéria recordei-me de um tema que estudei na faculdade e que geralmente é apresentado pela palavra alemã zeitgeist que significa espírito de época. O zeitgeist da Super é o naturalismo contemporâneo. Os jornalistas fazem um grande esforço para apresentar dois lados da questão, mas o texto teima em privilegiar as explicações fisiológicas, com base no inconsciente e mostrar os fracassos dos médiuns em detalhes. Os sucessos são relatados sempre de forma geral, e aos meus olhos, não encontrei os detalhes, por exemplo, do famoso caso jurídico de Chico Xavier. Ao leitor fica a impressão que a ignorância dos jurados é responsável pela aceitação da mensagem e não os elementos do seu conteúdo.

O mesmo se dá nos comentários sobre a mediunidade de tratamento. Paradoxalmente, os jornalistas afirmam que a ciência mal tenta explicar, primeiro porque "a cura espírita (...) é um fenômeno exclusivamente nacional". É curiosa a falta de informação dos jornalistas. Na Inglaterra, a imposição de mãos para cura tem sido adotada e recomendada pelo serviço público, que não sabe explicar seu mecanismo, mas constatou estatisticamente que havia inúmeros ganhos em adotá-la como tratamento complementar: redução de uso de medicamentos, melhoria de qualidade de vida e alguns fenômenos orgânicos. Isto eu li em artigos publicados por revistas de medicina inglesas e norte americanas.

"As poucas teses sobre o benefício da cura espiritual apontam numa direção: efeito placebo." Curiosamente, também, muitos estudos sobre imposição de mãos nos países de língua inglesa constataram efeitos significativos em sementes, influência na hemólise (processo destruição das células vermelhas do sangue) "in vitro", diminuição de crescimento de culturas de fungos, redução do crescimento da tireóide em ratos, aumento do nível de enzimas, etc. (Rain, 1986; Barry, 1968; Grad, 1965; Barud et al., 1979; Braud, 1988, Krieger, 1965 e Heidt, 1979). Estes estudos foram revistos e apresentados no Journal of Royal Society of Medicine, v. 88, abr. 1995.

A conclusão do estudo de Cleide Canhadas, que o jornalista apresenta é corroborada também por estudos internacionais, como o de Lee, Lin, Wrensch, Adler e Eisenberg, 2000; Danesi, Adetunji, 1994; Alferi, Antoni, Ironson, Kilbourn, Carver, 2001.

De fato, há poucas pesquisas sobre o tema no Brasil, mas isto não se justifica exclusivamente pela escassez de recursos. Há desinteresse pela comunidade científica nacional em se estudar mediunidade, e um certo temor de muitos cientistas em ter seu nome associado a este tipo de tema, que cheira a "metafísica", no sentido pejorativo com que os neopositivistas empregam esta palavra. Muitos médiuns conhecidos no Brasil foram estudados em centros de pesquisa no exterior, como é o caso de Raul Teixeira e Divaldo Franco.

Recordei-me também de um episódio famoso no jornalismo brasileiro, a matéria feita pela Rede Globo um dia após o debate de Fernando Collor e Lula, ambos candidatos na reta final das eleições. Assisti o debate, que teve seus altos e baixos para os dois candidatos. No dia seguinte, assisti a matéria da Globo, não sem surpresa, ao ver os altos de Fernando Collor e os baixos de Lula. Esta matéria despertou uma sensação de dejá vu.

3 comentários:

Anônimo disse...

Me parece ser uma tendência, no Brasil, ao materialismo. O sucesso é medido pelas posses, os relacionamentos baseam-se na ´´ busca rápida do prazer máximo e sem obrigações``- no dizer do psicanalista francés Charles Melan (1).
Existe uma pressuposição de que existe apenas a realidade material, palpável, tangível e que só pode ser compreendida, analisada e explicada pelo moderno aparato cientíco. O que não puder ser reprodizido e controlado nos laboratórios, entram no rol das supertições, crendices e misticismo. Com isso a realidade espiritual é posta de lado.
É lamentável ver este viés materialista em uma publicação destinada a divulgar a ciência ao público leigo. Mais lamentável ainda, por se tratar de um tema que não merece o devido estudo por parte dos cientistas e que, por isso mesmo, mereceria total imparcialidade.
Da metodologia científica, espera-se o estudo sério e sistemático de todas as teorias, mesmo aquelas que ferem nossas crenças pessoais.
A esses seria muito didático estudarem a vida e obra do Sr Rivail.

Um grande abraço
José Luiz M. Moreira

(1) Revita Veja, edição 2057, 23/04/2008, pag. 92

Mocidade AECX disse...

Enquanto isso, as casas espíritas estão sendo cada vez mais procuradas. Nunca na minha vida aconteceu tanto de pessoas tirarem dúvidas comigo sobre o Espiritismo, até mesmo em horário de trabalho.

Esta é a estatística real.

Essas "matérias" que sempre tentam minimizar a mediunidade, pra mim, já estão perdendo força, pois, na prática, na hora do "vâmo vê", as pessoas recorrem pra valer às casas espíritas e aos passes de tratamento.

Mas, tudo é uma questão de tempo. O próprio codificador de nossa ilibada Doutrina levou cinco décadas pra acreditar na manifestação de espíritos. E olha que quando o prof. Rivail foi apresenteado às mesas "girantes" através de Fortier e outros[1], ele levou mais de UM ANO pra concretizar e bater o martelo em relação aos resultados colhidos em sua investigação, tendo como consequência a construção de O Livro dos Espíritos.

Ou seja, Kardec foi "linha dura" com os "fenômenos" que se apresentavam. Então, temos que compreender um pouco os cientistas atuais. Estão no papel deles. A diferença reside na qualidade da pesquisa - nisso Kardec foi de extrema competência, evitando idéias preconcebidas - é este bom senso que falta nas investigações de agora.

Daí podemos concluir que ainda iremos esperar um pouquinho para vencer a resistência orgulhosa daqueles que insistem em se sentirem "fortes" no puro ato de ridicularizar o que não conhecem.


Abraços.
Marcus Papa.

[1] Obras Póstumas, Allan Kardec, FEB, pág. 325

Francisco Amado disse...

Só achei neste artigo da super, que eles deveriam ter entrevistado ou a Marlene Nobre ou Sergio Oliveira.

Ficou faltando uma conclusão.

O seu blog é muito bom.

Parabéns.