11.7.12

LINGUAGEM DOS ESPÍRITOS NA PSICOGRAFIA


Ao contrário dos dias de hoje em que a psicofonia pode ser considerada a modalidade de mediunidade mais exercida nas sociedades espíritas, nos trabalhos da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, à época de Kardec, a psicografia era a faculdade mediúnica mais presente.

Desta forma, a construção de arquivos e a análise da mediunidade tornava-se mais fácil, e uma das questões muito tratadas pelo Mestre e seus coetâneos era a questão da identificação dos espíritos.

Lemos em Allan Kardec  (A Obsessão, livro publicado pela editora O Clarim, nos capítulos "Processo para afastar maus espíritos"), uma série de cuidados a serem tomados para a análise da linguagem dos espíritos comunicantes que passo a sintetizar:

1.  Desconfiar de nomes ridículos, estranhos e de nomes venerados. Os dois primeiros podem ser fruto de espíritos brincalhões e o último dos que desejam induzir a credibilidade.

2. Médiuns honestos podem ser enganados por espíritos mistificadores, da mesma forma que homens de bem podem se deixar levar por estelionatários, ilusionistas e pessoas que acham graça em criar constrangimento em terceiros. Não se deve fazer uma associação imediata entre o caráter do médium e o do espírito.

3. As comunicações grosseiras são mais fáceis de perceber, as mais difíceis são as que aparentam sabedoria e seriedade.

4. Se houver conselhos, analisar com cuidado se não induzem a atitudes ridículas (nos dias de hoje fico pensando em roupas especiais, gestos supersticiosos, uso de ervas e medicamentos de origem e eficácia duvidosa, comportamentos anacrônicos, crenças místicas, entre outros)

5. Ainda sobre os conselhos, espíritos superiores prescrevem o bem, a caridade  (o que me faz lembrar de inserções próprias de uma ética da teologia da prosperidade ou do relativismo filosófico, em obras de médiuns que talvez não atinem para suas consequências na sociedade).

6. Bons espíritos não impõem posições, ao contrário de espíritos inferiores, que podem dar ordens e desejam ser obedecidos, são persistentes e tenazes. (Lembrei-me dos "trolls", nome dado na internet para pessoas que insistem em fazer prevalecer seus pontos de vista. O conselho dos mais experientes costuma ser "não alimente os trolls" ou seja, evite os debates sem fim.)

7. "Bons espíritos não adulam" (embora incentivem) enquanto os maus espíritos podem fazer elogios exagerados como forma de obter a confiança do médium pela vaidade. (Li algures alguns textos de médiuns que se consideram uma espécie de nova geração, melhores e com atuação mais consistente que médiuns como Chico Xavier, que descrevem como "escravo dos espíritos". Haja presunção.)

Sábios e difíceis conselhos a serem seguidos.

3 comentários:

Giuliana Lee Citti disse...

Bom dia. Gostei muito do seu post e te pergunto se saberia o porquê de muitas casas espíritas e inclusive a Federação encerrar trabalhos de psicografia e a incentivar os médiuns que costumavam psicografar parar de fazê-lo.
Obrigada e abraços.

Jáder disse...

Giuliana, obrigado por participar do EC.

Não sei se entendi bem sua pergunta. Como o trabalho de psicografia é de propriedade do médium e ele pode fazê-lo dentro ou fora de uma instituição, na verdade nem uma casa, nem uma federativa têm o poder de encerrar trabalhos (com o sentido de proibir), embora possam manifestar-se discordantes do seu conteúdo.

O que costuma acontecer são médiuns que se deixam levar pela imaginação, animismo, vaidade, orgulho e não aceitam qualquer crítica ao seu trabalho, nem dialogam com seus companheiros de doutrina. Alguns desejam ter suas ideias (de polêmicas a delirantes) publicadas e difundidas, o que vai de encontro ao entendimento da direção de uma casa ou mesmo de uma federativa, logo, instala-se um conflito de interesses e posteriormente pode haver um afastamento das partes. A mágoa cuida de apontar culpados e vítimas, e nós tendemos a querer ser salvadores, mas, na minha opinião, devemos evitar esta posição e deixar aos envolvidos a responsabilidade e consequências por suas decisões.

Pense na seguinte situação: o que você faria se fosse um dirigente de casa espírita e um médium resolvesse prescrever medicamentos mediunicamente? ou ainda, o que você faria se um médium resolvesse dizer que seu espírito orientador tem uma revelação: a reencarnação é uma tolice, não existe tal coisa no mundo dos espíritos?

Isso não significa que as direções de casas e federativas estejam sempre certas, elas também podem cometer seus equívocos e ter suas limitações, especialmente se são muito centralizadas.

Por estas razões Kardec já antevia uma comissão central para o trato das questões espíritas, no projeto de 1868.

Não é uma resposta fácil, não é mesmo?

Fraternalmente,

Jáder Sampaio

Jáder disse...

Giuliana,

Ainda especulando, pode haver situações de supostos médiuns que na verdade são doentes mentais para os quais a prática da mediunidade não é recomendada (p.e. esquizofreina, transtorno bipolar e outras psicoses).

Jáder