21.9.16

CAÇADORES DE BRUXAS


Pintura de um autor da época das bruxas de Salém, Thomas Satterwhite

O episódio de Salém, nos Estados Unidos, virou até filme. Diz respeito a pessoas que foram consideradas bruxas, intermediárias do demônio, e que passaram a ser caçadas com base no “Malleus Maleficarum”, o livro que tentava indicar comportamentos e sinais do pacto sinistro com o diabo, a partir de denúncias, que eram estimuladas por um clima de histeria, misturado com medo e um falso sentimento religioso de dedicação.

Pessoas como estas sempre estiveram na história, porque talvez sejam manifestação do lado obscuro de nossa alma, aquele que teimamos em dizer que ficou no passado, mas às vezes se manifesta.

Estão por aí, inclusive no meio espírita. Apesar de se acreditarem humildes, agem como se fossem donos da verdade. Não exercem a crítica com sua face racional, paciente, que visa a mostrar contradições de ideias. Gostam de dar golpes verbais, e abusam das acusações em seus discursos.

Ao analisarem uma obra ou um autor, não se detém na análise das ideias em conformidade e em contradição com o pensamento kardequiano, por exemplo. Estigmatizam. Argumentam pela existência de um perigo iminente, que ronda todo o movimento espírita, colocando-se como paladinos, defensores da paz e do bem.

Ao demonizarem seus opositores, endeusam-se aos olhos do leitor ingênuo, que os acredita fiéis defensores da verdade.

É quase impossível manter um diálogo, porque como estão certos de suas verdades pessoais, e não costumam rever ideias, recorrem logo à retórica para fazer desacreditar os que se lhes opõem algum ponto de vista. Querem transformar o diálogo em uma espécie de jogo de gladiadores, e os que o assistem em uma espécie de torcida, pronta a aplaudir, em suas mentes imaginativas, o golpe bem dado no adversário.

Escolhem cuidadosamente as falhas e erros das instituições espíritas, não para propor mudanças e auxiliar nelas, mas para acusá-las, torná-las menores e indignas de crédito aos olhos do público. Reafirmam sua imagem quixotesca ao acreditarem-se denunciando e defendendo a pureza doutrinária, ou o futuro da doutrina espírita.

De tanto agredirem verbalmente, desagregam. Atraem apenas as mentes ingênuas, que acreditam também estar em uma luta justa, e que os elegem como campeões. Cercam-se apenas dos que aceitam tudo o que pensam, sem qualquer discordância, e que se calam ante sua "voz de trovão".


Peço a Deus a vigilância constante, capaz de me fazer distinguir a atitude vaidosa destes homens, que seguramente existe no lado negro de minha alma, da análise crítica, necessária e humilde, capaz de fazer pensar e proporcionar o avanço, pela convicção compartilhada, dos que trabalham diária e voluntariamente por um espiritismo congruente com suas bases e propósitos.

2 comentários:

Mauricio disse...

Interessante o texto sobre os Caçadores de Bruxas -

gostei muito deste trecho:

"Estão por aí, inclusive no meio espírita. Apesar de se acreditarem humildes, agem como se fossem donos da verdade. Não exercem a crítica com sua face racional, paciente, que visa a mostrar contradições de ideias. Gostam de dar golpes verbais, e abusam das acusações em seus discursos.

Ao analisarem uma obra ou um autor, não se detém na análise das ideias em conformidade e em contradição com o pensamento kardequiano, por exemplo. Estigmatizam. Argumentam pela existência de um perigo iminente, que ronda todo o movimento espírita, colocando-se como paladinos, defensores da paz e do bem."

Vale pedir profundamente que todos tenhamos autocrítica constante acompanhada de humildade! Não é nada fácil isto meu amigo, conheço muita gente que já afastou do espiritismo por digamos críticas acidas - no caso não entro no mérito de as críticas serem corretas ou não em seu conteúdo, mas sim na forma agressiva que muitas vezes são feitas.

Um grande abraço

Mauricio

http://espiritismocomentado.blogspot.com.br/2016/09/cacadores-de-bruxas.html

Cláudio Zadorosny disse...

Interessante que você aborda os dois lados da questão. Eu resumiria em argumentar com fraternidade e, sobretudo, mas que não pode ser separado disso, argumentar com fundamento.
Não sou contra dar opiniões pessoais, mas que fique claro o que são, e não se ofenda caso apareçam argumentos contrários.