20.2.15

FELICIDADE E SOFRIMENTO: QUAL É O RECADO DE TONINHO BITTENCOURT?




Ontem líamos o livro "Ideias e ilustrações", que é uma coletânea de psicografias de Chico Xavier. Cada capítulo tem uma história, geralmente do Irmão X, seguida de poesias e citações sobre o mesmo tema.

O capítulo de ontem agrupou os textos sob o título "Do aperfeiçoamento", e trata de uma pedra que sofre humilhações impingidas pelos instrumentos de lapidação para se tornar um brilhante de um cetro real. O consolo da pedra, ao longo do percurso, eram os trabalhadores que se beneficiavam do seu sofrimento.

Intrigou-nos uma poesia, ditada pelo espírito Toninho Bittencourt, de difícil interpretação:

"Sem a dor que a forme no peito,
Felicidade perdura
Como sendo indiferença, 
Ingenuidade ou loucura."

O que ele deseja dizer? Penso que ele não argumenta em defesa de um masoquismo, um culto da dor pela dor. 

O que pude depreender é que o mundo apresenta tanto sofrimento, tantos problemas, que não é possível não percebê-lo, e, ao fazê-lo, sentir compaixão ou empatia com os que sofrem.

Talvez Toninho queira dizer que as pessoas que vivem apenas uma vida de prazeres, fecham os olhos ao sofrimento do mundo. Por isso sentem-se felizes, mas são indiferentes, ingênuos ou loucos.

Como você interpreta a poesia, leitor?

10 comentários:

Leandro Soares disse...

Acho tbm q ele nos fala de uma felicidade egoísta sem dúvida. O q é diferente qdo sentimos a dor do próximo e buscamos servir.

Jáder Sampaio disse...

De pleno acordo, Leandro.

lucia limiro disse...

Prezado Jarder,
Você tem razão. Realmente a poesia de Toninho Bittencourt é intrigante. São apenas quatro linhas, por trás das quais escondem muitas discussões o que é muito saudável. Por isso tenho encantamento pelos poetas. Eles conseguem dizer muito em poucas palavras e o que mais complicado em forma de versos.
Ao ler os versos que você propõe (detalhe, precisei ler umas duas ou três vezes, e refletir muuuuuito) me veio umas sábias palavras do Prof. José Hermóneges (ele é do mundo da Yoga) que vê a desilusão como algo benéfico ao ser humano. Assim tento traduzir cada linha do poema como entendo.
Quando Bittencourt diz: SEM A DOR QUE FORME NO PEITO.
Traduzo como desilusão. Desilusão por qualquer coisa que nos surpreenda, seja por qual motivo for. Segundo Prof. Hermógenes a desilusão é das melhores coisas que pode ocorrer em nossas vidas é a chave para libertação, é o: “Cai o pano”. É a coragem de olhar, para si mesmo. Citando mais uma vez Hermógenes: “É preciso serena coragem e perfeita isenção para conseguir tirar proveito da desilusão, que lhe permite conhecer-se.”
Depois Bittencourt diz: “FELICIDADE PERDURA”
Seria a ilusão, ou seja, muitas vezes passamos por uma encarnação totalmente iludido e buscando a felicidade somente nas coisas passageiras, nos ditos "prazeres da vida".
E por que vivemos na ilusão?
De acordo com os versos de Toninho Bittencourt é por:
POR INDIFERENÇA, ou seja, sei que estou errado e mantenho no erro, vivendo os prazeres imediatos ou,
Por INGENUIDADE OU LOUCURA. São aqueles que vivem na ilusão, não vive conforme as leis da natureza, por falta de conhecimento isto é por ser simples e ignorante, ou muito próximo desta condição. Mas covenhamos isso é muito mais perdoável do que aquele que vive ilusão por indiferença.

Dyrsan disse...

No meu entendimento, o espírito quis fazer um contraste com aquela felicidade que é fruto de sofrimento(s) vencido(s) com dignidade e verdadeira paz de consciência, formada no peito pelas dores da jornada evolutiva. Esse "bom combate" dá à criatura a serenidade e a compreensão para ver os outros em si mesma, com todos os defeitos e qualidades. Ela sabe que não importa o vale de sombras onde estejamos, Deus está conosco, e, ao final, tudo dará certo, porque o Bem sempre vence. É essa "casa construída sobre a rocha" que é capaz de estender as mãos aos seus semelhantes e ajudá-los na árdua caminhada, porque conhece o caminho e as necessidades do outro. É a dor vivida que alicerça a compreensão do outro. É a certeza da vitória do Bem que dá a felicidade real e firme, mesmo quando tudo em derredor oscila. Penso que o espírito quis reforçar este contraste chamando essa felicidade de "ingênua", "indiferente" ou "louca", porque é o resultado de uma consciência superficial, frívola talvez, de quem não enfrentou as "guerras imortais" como diria Cruz e Sousa.

Ricardo Alves da Silva disse...

Entendi que a felicidade sentida, na ausência da dor (própria ou do outro), é fruto:
1) Da indiferença - quando percebe a dor do outro e não se comove. A felicidade do egoísta;
2) Da ingenuidade - quando é sinceramente feliz, tendo atingido a plenitude (ser feliz por si, mesmo frente ao sofrimento do outro, por saber que tudo passa) ou caminhando de forma natural no processo evolutivo (a felicidade que vem do não saber ou do não ter feito sofrer);
3) Da loucura - quando está ausente da lucidez. A felicidade do autoengano.
Abraços!

Leandro Soares disse...

Da loucura podemos citar aqueles que se sentem felizes quando submetidos a algum vício moral ou fisiológico a que está subjugado, no caso da obsessão, por exemplo.

Leandro Soares disse...

Agora ingenuidade vamos tentar entender. Posso citar como felicidade míope do ponto de vista que está tudo bem, deixa a vida me levar? É o caso de comodismo que é diferente de resignação. Estaria errada essa minha interpretação?

Jáder Sampaio disse...

Leandro, acho difícil dar uma última palavra em algo como a interpretação poética. Seria bem interessante ler outras produções do mesmo espírito após a morte para ver se ele volta ao tema. Pessoalmente, quando ele cita loucura, acho que está falando de psicose, de doença mental, de uma pessoa que está eufórica ou maníaca, independente do que acontece à sua volta. Quanto à ingenuidade, entendo do mesmo jeitinho que você.

Lilian Ramires disse...

Jader, um bom dia.
Entendo as palavras do autor como o resultado da experiência de cada um de nós nas atividades da caridade, quando saímos da comodidade das doações em espécie ou bens materiais, para a doação de horas de serviço, nas proximidades da dor alheia, nos casebres com ausência total de infraestrutura; nos quartos de hospitais onde alguns não recebem visitas; nos asilos onde o abandono dos mais próximos é frequente... aí, sabe, a dor deles atinge a gente em cheio, e se dói em nós, com certeza tira-nos da loucura, da ingenuidade e da indiferença...

Anônimo disse...

Poesia ruim, sem pé nem cabeça.

Otto